Analistas pessimistas veem IPCA de 2015 acima de 10%
A projeção máxima de 10,02%, vista na semana passada, foi mantida agora, a despeito de uma melhora na mediana das estimativas para a pesquisa geral para o período

Os analistas mais pessimistas que participam da coleta de previsões do Relatório de Mercado Focus seguem acreditando que a inflação deste ano terminará em dois dígitos. A projeção máxima de 10,02%, vista na semana passada, foi mantida agora, a despeito de uma melhora na mediana das estimativas para a pesquisa geral para o período.
Para a inflação de longo prazo, não houve mudanças em relação à semana anterior. A mediana das previsões dos participantes do boletim Focus permaneceu em 4,55% para 2017 e em 4,50% para 2018 e 2019. Entre os analistas Top 5 de médio prazo, os que mais acertam as projeções para o período, as estimativas também seguiram inalteradas em 4,50% para o período de 2017 a 2019.
O relatório mostrou, ainda, uma diminuição das projeções de inflação mensal de agosto e setembro - de 0,30% para 0,26% e de 0,40% para 0,38%, respectivamente. Para o último trimestre do ano, no entanto, a abertura do levantamento revela que os ajustes foram feitos todos para cima esta semana, impedindo que a queda da mediana para o IPCA do ano fosse maior.
PIB MENOR AINDA
A retração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, prevista na semana passada foi acentuada nesta segunda-feira (24/08). De acordo com o documento divulgado pelo Banco Central, a mediana das previsões para a atividade do ano que vem passou de um recuo de 0,15% para uma queda de 0,24%. Há quatro semanas, a taxa vista era de uma alta de 0,20% para esse indicador.
Para este ano, a deterioração das previsões do mercado financeiro para a atividade no País também está cada vez mais forte. De acordo com o boletim Focus, as projeções para o PIB de 2015 foram revisadas de uma queda de 2,01% para uma baixa de 2,06% agora. Há um mês, a mediana das previsões estava negativa em 1,76%.
O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção para este ano, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%.
No boletim Focus de hoje, a projeção para a produção industrial também mostrou piora: saiu de uma baixa de 5%, onde estava quatro semanas antes, para recuo de 5,20%. Já para 2016, a mediana das estimativas segue em 1% - um mês antes era 1,30%.
Para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a projeção dos analistas não foi alterada para 2015 (36,15%) e nem para 2016 (38,50%). Há quatro semanas, as medianas das previsões para esse indicador eram de, respectivamente, 37,00% e 38,50%.
Já as previsões para o setor externo não param de trazer boas notícias em meio a uma economia tão debilitada. No relatório divulgado nesta manhã, a mediana das previsões para o superávit da balança comercial de 2016 subiu de US$ 15,19 bilhões para US$ 16,80 bilhões - quatro edições atrás do documento, estava em US$ 14,89 bilhões.
Para 2015, o ponto central da pesquisa permaneceu em US$ 8 bilhões de uma semana para outra. Quatro boletins atrás, estava em US$ 6,40 bilhões.
No caso das previsões para a conta corrente, o mercado financeiro também reduziu a expectativa de um déficit de US$ 77 bilhões para US$ 76,50 bilhões em 2015. Quatro semanas atrás, a projeção era de déficit de US$ 79 bilhões. Já para 2016, a perspectiva de saldo negativo subiu de US$ 67,45 bilhões para US$ 67,75 bilhões - um mês antes estava em US$ 70 bilhões.
Apesar disso, os analistas consultados semanalmente pelo BC estimam que o ingresso de investimentos para o setor produtivo será insuficiente para cobrir integralmente esse resultado deficitário em 2015 e também no ano que vem. Nos últimos meses, segundo participantes, os analistas tentam reestimar as projeções levando em consideração a mudança de metodologia da nota do setor externo, em abril.
A mediana das previsões para o novo Investimento Direto no País (IDP) permaneceu em US$ 65 bilhões pela segunda semana no caso de 2015 - um mês antes estava em US$ 65,70 bilhões. Para 2016, permaneceu em US$ 65 bilhões pela 13ª semana consecutiva.
JUROS MAIS ALTOS
A dúvida sobre o comportamento da Selic de 2016 na semana passada foi dizimada. A mediana das previsões para a taxa básica de juros no período saiu de 11,88% ao ano - o que mostrava falta de consenso entre um nível de 11,75% e 12,00% - para 12,00% ao ano agora. Este era o patamar aguardado há um mês no mesmo documento. Apesar da mudança, a projeção para a Selic média ficou inalterada em 13,13%.
Para este ano, as expectativas ficaram congeladas. A previsão do boletim Focus de que a Selic chegue ao final deste ano em 14,25% ao ano foi mantida pela quarta semana seguida. A Selic média de 2015 também se manteve em 13,63% pela quarta edição consecutiva.
Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, não houve mudanças: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% - previsão apontada já há nove semanas. A mediana das previsões permaneceu em 12,13% ao ano para 2016, o que denota uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo entre um encerramento em 12,00% ou 12,25% no ano que vem.
DÓLAR A R$ 3,50
Após as estilingadas vistas na semana passada, as projeções no Relatório de Mercado Focus para o comportamento do câmbio deste e do próximo ano passaram apenas por alguns ajustes.
Para 2015, a mediana das estimativas para o dólar subiu de R$ 3,48 para R$ 3,50. Há quatro semanas, o ponto central da pesquisa estava em R$ 3,25. Apesar disso, a cotação média ao longo do ano ficou inalterada na pesquisa Focus, em R$ 3,23. Quatro semanas atrás, estava em R$ 3,10.
Para o próximo ano, a mediana para o câmbio ao final do período, que também tinha subido de forma significativa na semana anterior, passando de R$ 3,50 para R$ 3,60, permaneceu agora neste patamar. Há quatro edições do Focus a taxa era de R$ 3,40. No caso da cotação média de 2016, a mudança foi de R$ 3,53 para R$ 3,55 ante uma cotação de R$ 3,30.
Após uma forte valorização da moeda americana e da avaliação do diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, de que a cotação do dólar estava muito acima do que apontavam os fundamentos brasileiros, o BC decidiu fazer uma intervenção maior no mercado, com a volta da rolagem integral dos contratos de swap cambial.
PREÇOS
Ajudando as previsões para o IPCA deste ano a caírem após um longo período de elevação, as estimativas para os preços administrados ou monitorados pelo governo deste ano deixaram a tendência de alta e passaram a cair.
As projeções para 2015 no Relatório de Mercado Focus revelam que a mediana passou de 15,20% da semana passada para 15,15% agora. Um mês atrás, a pesquisa apontava taxa de 15,10% para esse conjunto de itens. Para 2016, a expectativa no boletim Focus apresentada hoje ficou inalterada em 5,92%, mesmo nível de um mês atrás.
Essas projeções são mais pessimistas que as do Banco Central. Segundo a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na quinta-feira da semana retrasada, o BC estima uma variação de 14,8% em 2015 ante 12,7% da reunião do Copom de junho. Para 2016, as previsões da autoridade monetária passaram de 5,3% para 5,7% no mesmo período.
O quadro continua complicado para a inflação no atacado. A estimativa para o IGP-DI de 2015 subiu de 7,67% para 7,69%, mesma vista um mês atrás. No caso de 2016, o ponto central da pesquisa permaneceu em 5,50% pela 55ª semana consecutiva.
Para o IGP-M deste ano, a previsão de uma alta de 7,74% foi mantida no boletim Focus de hoje - quatro semanas atrás a estimativa era de 7,52%. Para 2016, no entanto, a mediana passou de 5,51% para 5,53%. Há quatro edições atrás do levantamento estava em 5,50%.
Sobre o IPC-Fipe, que mede a inflação para as famílias de São Paulo, a estimativa para 2015 continuou em 9,23% de uma semana para outra. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 8,74%. Para 2016, a expectativa ficou estável em 5,30% de uma semana para outra. Um mês antes, estava em 5,40%.

