Assaí abre caminho para farmácias em supermercados
Vagner Moraes, diretor de Farmácias da rede atacadista, explica como a empresa planeja implantar esse projeto, que prevê 25 unidades no estado de São Paulo e potencial de expansão para mais de 250 lojas

A corrida dos supermercados pelo mercado farmacêutico começou. Beneficiado pela nova legislação que autorizou a instalação de farmácias completas dentro de supermercados e atacarejos, o Assaí saiu na frente e se tornou a primeira grande rede do setor a anunciar um plano concreto de expansão: serão 25 unidades-piloto até o fim de 2026, todas no estado de São Paulo.
A entrada dos supermercados no mercado farmacêutico ganhou impulso em março deste ano, com a sanção da Lei nº 15.357/2026, que passou a permitir a instalação de farmácias completas em supermercados e atacarejos.
A medida encerrou uma longa discussão regulatória e abriu espaço para que redes varejistas ampliassem sua atuação para além dos alimentos e itens de consumo básico, incorporando produtos e serviços ligados à saúde, bem-estar e cuidados pessoais.
Desde então, o setor acompanha os movimentos das grandes redes para avaliar quem sairia na frente nesse novo mercado. O Assaí foi a primeira grande empresa a transformar a oportunidade em um plano concreto.
A iniciativa pode servir como teste para uma expansão em larga escala, em um segmento que movimenta mais de R$ 200 bilhões por ano no país.
Em entrevista ao Diário do Comércio, Vagner Moraes, diretor de Farmácias do Assaí, afirma que a iniciativa vai além da criação de uma nova fonte de receita. Ao incorporar produtos de saúde, higiene e bem-estar ao ambiente de compras, a rede busca ampliar sua participação nos gastos das famílias e aumentar a recorrência de visitas às lojas.
A empresa identifica potencial para expandir o modelo para mais de 250 de suas mais de 300 lojas.
Diário do Comércio - A nova lei foi o gatilho para o projeto ou o Assaí já vinha planejando a entrada no segmento farmacêutico?
Vagner Moraes - O projeto de farmácias já fazia parte do planejamento estratégico do Assaí antes mesmo da sanção da Lei nº 15.357/2026. Acompanhamos a tramitação do projeto e já havíamos estruturado uma fase piloto para o segundo semestre deste ano.
Algo mudou no projeto inicial com a aprovação da lei?
Moraes - Inicialmente, as farmácias teriam acesso externo às lojas. Com a nova legislação, adaptamos o modelo para ambientes segregados dentro das unidades, sempre com presença integral de farmacêuticos e seguindo todas as exigências regulatórias.
Como a entrada no mercado farmacêutico se conecta à estratégia de crescimento do Assaí?
Moraes - Queremos ampliar a relevância do Assaí na jornada de consumo dos clientes. Saúde, cuidado e bem-estar têm ganhado cada vez mais espaço no orçamento das famílias, e entendemos que essa é uma categoria complementar ao nosso negócio.
O objetivo é gerar uma nova fonte de receita ou aumentar a frequência de visitas às lojas?
Moraes - Os dois. A operação deve contribuir para aumentar recorrência, frequência de visitas, fidelização e engajamento dos clientes, além de representar uma nova frente de crescimento para a companhia. Nosso foco principal é ampliar a relevância da companhia para os cerca de 40 milhões de clientes que já frequentam mensalmente nossas lojas, oferecendo mais conveniência e praticidade.
Em quais localidades serão inauguradas as primeiras unidades?
Moraes - As 25 farmácias previstas para esta fase piloto serão implantadas exclusivamente no estado de São Paulo, com início das operações previsto para o segundo semestre de 2026.
Como o Assaí vai decidir se o projeto será ampliado para outras lojas da rede?
Moraes - Vamos acompanhar indicadores como experiência do cliente, aderência do sortimento, recorrência de compra, produtividade e eficiência operacional. O piloto foi estruturado justamente para gerar aprendizado antes de qualquer expansão.
Existe potencial para levar o modelo para toda a rede?
Moraes - O projeto foi concebido com potencial de escalabilidade e faz parte de uma visão estratégica de longo prazo. Mas qualquer decisão de expansão dependerá dos resultados obtidos nesta fase inicial.
Por que optar por uma operação própria, em vez de uma parceria com redes farmacêuticas?
Moraes - A operação própria permite capturar melhor as sinergias do nosso ecossistema, aproveitando escala, eficiência logística, capilaridade nacional e conhecimento do perfil de consumo dos clientes.
Como será a operação das farmácias na prática?
Moraes - Serão farmácias completas, com experiência semelhante à das grandes redes do setor. O sortimento incluirá medicamentos prescritos e de uso contínuo, além de itens de venda livre, dermocosméticos, vitaminas, suplementos, higiene e perfumaria.
O Assaí está negociando diretamente com a indústria farmacêutica?
Moraes - O modelo de operação própria permite construir relações diretas e de longo prazo com a indústria e outros parceiros da cadeia, ampliando oportunidades de eficiência comercial e operacional.
Isso pode resultar em preços mais competitivos?
Moraes - Essa é a expectativa. Queremos oferecer preços alinhados ao posicionamento historicamente associado à marca Assaí, baseado em competitividade e acessibilidade.
Como o Assaí responde às críticas de que a presença de farmácias em supermercados poderia descaracterizar o papel desses estabelecimentos como espaços de saúde?
Moraes - A segurança sanitária é um dos pilares centrais do projeto. As farmácias operarão com os mesmos critérios e rigor exigidos de uma farmácia tradicional, sempre em conformidade com a legislação vigente.
Como isso será garantido na prática?
Moraes - As unidades funcionarão em ambientes segregados e exclusivos dentro das lojas, com presença de farmacêuticos durante todo o horário de funcionamento. Nosso objetivo é ampliar a conveniência para os clientes sem abrir mão dos padrões sanitários e assistenciais exigidos pelo setor.
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IMAGEM: Assaí/divulgação

