Atos públicos anti-Dilma foram mais mornos desta vez

Datafolha calcula em 40 mil o número de manifestantes neste domingo (13/12) na Avenida Paulista, bem menos que os 135 mil da última manifestação, em 16 de agosto

João Batista Natali
13/Dez/2015
  • btn-whatsapp
Atos públicos anti-Dilma foram mais mornos desta vez

Os atos públicos deste domingo (13/12) em favor do impeachment de Dilma Rousseff atrairam um número menor de manifestantes, mas não refletiram a tese do Planalto, que esperava um esvaziamento das ruas em razão da tese oficial de que, na atual crise, o que ocorreria seria um simples confronto entre a presidente e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o desprestigiado presidente da Câmara dos Deputados.

No final da manhã a expectativa de os números seriam desta vez mais fracos veio da manifestação de Brasília, onde nos três últimos atos pró-impeachment reuniram 25 mil pessoas. Desta vez, no entanto, eram apenas 6 mil. Ao todo, foram 70 manifestações, 25 delas em capitais.

PROTESTO EM BRASÍLIA/VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

 

Em São Paulo, o Movimento Brasil Livre afirmou às 17h que 80 mil se reuniram na avenida Paulista, mas por volta das 18h45 o Datafolha estimou oo número em 40 mil. O número é superior aos 30 mil anunciados pela Polícia Militar, pouco antes das 19h, que são vistos como tecnicamente de menor credibilidade que os do Datafolha.

A única reação do Planalto veio do ministro Edinho Silva, da Comunicação Social, para quem o governo estava satisfeito por tudo ter transcorrido "dentro da normalidade democrática".

Ele evitou abordar o esvaziamento dos atos contra a presidente. Pouco antes, o presidente nacional do PT, Ruy Falcão, criticou os manifestantes e os associou a uma suposta comemoração do Ato Institucional número 5, baixado pelo regime militar também num 13 de dezembro, mas em 1968.

PROTESTO NO RJ/TANIA REGO/AGÊNCIA BRASIL

 

É claro que os partidários do afastamento da presidente ficariam fortalecidos se a multidão de manifestantes fosse maior. Rogério Chequer, do Vem Pra Rua, disse à Folha que desta vez houve muito pouco tempo para os preparativos, mesmo porque a questão começou a andar na Câmara apenas no dia 2 de dezembro. Chequer disse que agora seria apenas "um esquenta".

Alguns dos números, nas capitais, foram os seguintes - 5 mil no Rio, 7 mil em Recife, 10 mil em Curitiba, 1,2 mil em Florianópolis, 5 mil em Belo Horizonte e menos de 2 mil em Belém e Salvador.  

Foram poucos os incidentes, como o que ocorreu em Belo Horizonte, onde a polícia prendeu um manifestante que perfurou um boleco inflável do ex-presidente Lula trajando um uniforme de presidiário.

Tratava-se do chamado Pixuleco, que apareceu pela primeira vez em São Paulo em agosto e que em seguida se popularizou pelo resto do país.

NA AVENIDA PAULISTA

Em lugar de permanecer inteiramente lotada, como aconteceu na maior das manifestações, em 15 de março - quando o Datafolha registrou 220 mil pessoas, e a PM, 1 milhao - a avenida Paulista concentrava manifestantes apenas entre as ruas Peixoto Gomide e a alameda Joaquim Eugênio de Lima.

Os carros de som do Avança Brasil, Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua eram mais disputados, com densa concentração de manifestantes.

O único incidente registrado pela PM foi a prisão de uma manifestante que tirou a blusa e ficou com os seios nus. Ela foi levada a uma delegacia nas proximidades para registro de boletim de ocorrência.

A exemplo dos atos anteriores, o carro do movimento em favor de uma intervenção militar ficou às moscas, apesar de um poderoso aparelho de som que transmitia canções dos chamados anos de chumbo da ditadura.

Também foi olimpicamente ignorada a presença de um grupo de 20 militantes do Tradição, Família e Propriedade, movimento integrista e radical católico.

Os militantes vestiam terno e gravata, portavam bandeiras brasileiras e estandartes com a fotografia do fundador Plínio Correia de Oliveira. Os curiosos sequer se davam ao trabalho de tirar selfies com eles.

O carro de som do Movimento Brasil Livre recebeu Hélio Bicudo, um dos signatários da petição pró-impeachment que tramita no Congresso. O jurista atacou em curto discurso o PT, partido do qual foi um dos fundadores e do qual se desligou.

Os senadores José Serra e Aloysio Nunes Ferreira, ambos do PSDB paulista, também falaram. Aloysio afirmou que "não vai ter golpe, vai ter impeachment", dissociando as duas coisas que a retórica petista aglutinou.

A Força Sindical, com seu próprio carro de som de logotipo meio apagado, não atraiu curiosos para ouvir oradores que se sucediam. Fez sucesso, no entanto, por ser o único grupo que distribuía gratuitamente um adesivo, com um "Fora Dilma".

A distribuição gratuíta que provocou filas foi a da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que, além de um enorme pato amarelo inflável, de sua campanha contra o IPITU, também dava de presente balões infláveis contra uma carga tributária maior.

De resto, e baseado no clima pacífico das manifestações anteriores, o comércio da avenida Paulista não chegou a fechar.

Farmácias e lanchonetes estavam abertos e livremente frequentados, assim como as lojinhas de eletrônicos de um shopping da alameda Pamplona ou os restaurantes e livrarias do Conjunto Nacional.

FOTO DE ABERTURA: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada