Banco do Brasil terá 50 agências só para a micro e pequena empresa
Espaços oferecerão atendimento exclusivo para os empreendedores e já estão em teste desde 2012. Duas unidades serão abertas em São Paulo

Primeira instituição financeira a adotar o modelo de agências exclusivas para as micro e pequenas empresas em 2012, o Banco do Brasil (BB) anunciou que vai ampliar o projeto, com a abertura de mais 42 unidades no país.
O banco, porém, não informou quando todas essas unidades entrarão em operação, mas adiantou que as duas primeiras serão abertas em São Paulo: uma no bairro de Santa Efigênia, no centro da capital, e outra em São José dos Campos.
O banco informou que nessas agências haverá funcionários especializados e que prestam um atendimento específico para os micro e pequenos empresários. Esses profissionais são dedicados apenas ao segmento de pequenos negócios.
A estrutura das agências será composta por balcão de atendimento expresso, salas de reunião para atendimento privativo aos empresários e espaço de relacionamento para a realização de eventos de educação financeira e treinamentos.
Especialistas dizem que o modelo tende a tornar o relacionamento com os empreendedores menos burocrático e mais eficiente, uma vez que hoje os pequenos acabam sendo tratados como grandes dentro dos bancos.
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A primeira agência do BB a contar com esse modelo de atendimento no país foi inaugurada em 2012 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. De lá para cá, o banco abriu mais seis unidades com esse perfil nas cidades de Ribeirão Preto (SP), Bauru (SP), Curitiba (PR), Teresina (PI), Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES).
Após analisar os resultados obtidos com essas primeiras unidades, o BB decidiu ampliar o modelo para o restante do país.
"A experiência tem sido um sucesso, uma vez que houve melhoria na satisfação dos empresários, maior interação entre a agência e os clientes, além de ter apresentado desempenho crescente e sustentável", afirmou o vice-presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas, Osmar Dias.
O banco diz que quer ampliar a sua participação no segmento de pequenos negócios, que hoje responde por 27% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços produzidos pelo país) e emprega mais de 50% da mão de obra urbana. O segmento também representa 99% das empresas formais no País.
O BB informou que mantém relacionamento com mais de 2,3 milhões de micro e pequenas empresas, sendo o maior parceiro do segmento. A instituição informou que, no ano passado, concedeu R$ 102 bilhões de crédito para as micro e pequenas empresas.
EXPECTATIVA É DE REDUÇÃO DA BUROCRACIA E MELHOR RELACIONAMENTO
João Carlos Natal, consultor do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), diz que a proposta é positiva ao pequeno empresário, principalmente em termos de relacionamento.
"O empreendedor não tem planejamento e, quando procura o banco, precisa do recurso rapidamente e acaba tomando o empréstimo de maior custo, do cartão de crédito ou do cheque especial, porque não há departamentos especializados no atendimento para ele", diz o consultor.
Além disso, Natal lembra que os bancos demoram muito para liberar linhas de crédito pré-aprovadas para o empreendedor que acabou de abrir uma conta-corrente - em torno de 6 meses a um ano. O pequeno empresário não pode esperar tanto tempo para obter financiamento e, enquanto isso, tem de entrar com mais garantias.
"Isso acontece porque o banco enxerga todos como pessoa jurídica, não importa se é um empreendedor individual que fatura até R$ 70 mil ao ano ou se é a pequena empresa, que atinge R$ 3,6 milhões ao ano. Por isso, a iniciativa de um atendimento exclusivo pode ser boa", afirma o consultor.
Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), diz que espera que a iniciativa de prestar atendimento personalizado reduza as burocracias exigidas de pequenos empresários pelo banco.
"São empresas com volumes menores e cadastro desorganizado. Um relacionamento, com atenção específica, pode ser um aprendizado para o banco e para os empreendedores", afirma. O economista diz que o projeto do banco precisará ter capilaridade para chegar aos microempresários.
*Com informações de Estadão Conteúdo

