Bolsa cai 2,59% e dólar sobe 2,11% com reviravolta política

Mercado realiza lucros diante de fatos que elevam a incerteza sobre a possibilidade de impeachment, como as superplanilhas da Odebrecht e a decisão do ministro do STF sobre Lula

Rejane Tamoto
23/Mar/2016
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Bolsa cai 2,59% e dólar sobe 2,11% com reviravolta política

Em um dia de notícias negativas - como o aumento da taxa de desemprego no Brasil e a queda nos preços internacionais do petróleo e do minério de ferro no exterior - o que mais levou a bolsa a cair e o dólar a subir foi o mais do mesmo: a cena política

O Ibovespa (índice das ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) encerrou o pregão abaixo de 50 mil pontos pela primeira vez desde o dia 16, aos 49.690 pontos, com queda de 2,59%.

Um dos papéis prejudicados foi o da Petrobras, com recuo de 5,34% para R$ 9,92 na ação ON (com direito a voto em assembleia de acionistas) e de 4,07% para R$ 7,78 na ação PN (com preferência na distribuição de dividendos).

O dólar comercial, por outro lado, subiu internacionalmente ante moedas de outros países, mas em relação ao real, o avanço foi de 2,11%, cotado a R$ 3,677. Além da cena política, a moeda norte-americana foi influenciada pelos leilões de compra de dólares no mercado futuro - o swap reverso - pelo Banco Central. No ano, o dólar acumula queda de 6,87% e no mês, de 8,16%.

Os investidores da bolsa de valores aproveitaram o dia para realizar lucros diante do aumento da incerteza sobre as chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

"Quem têm uma ação que valorizou 20% a 30% porque comprou na baixa durante essa crise política deve vender quando há notícia negativa porque nenhuma aplicação paga isso. A instabilidade é grande e tudo pode mudar rapidamente. Há um feriado de três dias e ficar com uma ação pode esse período pode ser o equivalente a uma eternidade durante essa crise política", afirma Raymundo Magliano Neto, diretor presidente da Magliano Corretora. 

O que jogou uma nuvem de fumaça no cenário político foi a divulgação pela Polícia Federal das superplanilhas que mostram que a Odebrecht efetuou pagamentos a 200 políticos de 18 partidos, muitos da oposição. 

"Os mercados gostam da expectativa de mudança de governo porque isso melhora a expectativa para a economia no futuro. A percepção é que a possibilidade de impeachment ficou mais complicada", diz Álvaro Bandeira, economista-chefe do home broker Modalmais.

O juiz Sérgio Moro pediu o sigilo dos documentos na tarde desta quarta-feira (23/07), depois que os mesmos já circulavam na internet. O argumetno é que eles não distinguem possíveis doações que podem ter sido declaradas pelos políticos à Justiça Eleitoral de propinas de fato. 

Nos próximos dias, as atenções devem se concentrar nos detalhes dos documentos liberados pela Odebrecht que fazem parte desta etapa Lava Jato, batizada de Xepa. 

Além disso, o segundo fator que traz incerteza quanto ao processo de impeachment foi a decisão de Teori Zavascki, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), na terça-feira (22/03), de tirar a investigação sobre Lula das mãos de Moro.  

Apesar da dominância das notícias políticas sobre o mercado, também houve influência de outros dados negativos, como o aumento da taxa de desemprego em 8,2% no Brasil e a queda nos preços de commodities internacionais. 

"O preço do barril de petróleo ficou abaixo de US$ 40 dólares, com queda de 4%, e o minério de ferro também caiu 1% no spot (mercado à vista) chinês. Isso afetou os papéis de siderúrgicas e da Vale, que caiu 7%", afirma Bandeira, da Modalmais. 

FOTO: Thinkstock

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