Câmara cria comissão especial para debater reajuste do Simples Nacional
Grupo anunciado por Hugo Motta vai discutir aumento do limite do MEI, defasado desde 2018. Pedido foi feito ao presidente da Câmara em março pelo líder do associativismo nacional Alfredo Cotait Neto (à esq.), da CACB, Facesp e ACSP

A Câmara dos Deputados criou uma comissão especial para discutir o aumento do limite de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI). O anúncio foi feito pelo presidente da Casa, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), que pretende fazer um debate envolvendo especialistas no tema e representantes do governo e do setor produtivo.
Para o comando da comissão, Motta indicou a deputada Any Ortiz (PP-RS), que ficará com a presidência e o deputado Jorge Goetten (Republicanos- SC), a cargo da relatoria. “Em diálogo com os parlamentares, eles estão alinhados para a condução desse debate com equilíbrio e muito responsabilidade. Sabemos que é uma medida que gera um forte impacto fiscal, mas também gera aquilo que o Brasil precisa: emprego, renda e arrecadação”, destacou o presidente da Câmara, em declaração nesta quinta-feira (16/04).
Any Ortiz afirma que a defasagem dos limites tem levado ao estrangulamento e inviabilidade financeiros dos empreendimentos. “Com o impacto da inflação acumulada, da elevação dos preços dos insumos, dos produtos, não há como se manter no teto dessa tabela, que está absolutamente desatualizada e as empresas estão sufocadas”, comenta a deputada, que lidera a Frente Parlamentar da Mulher Empreendedora
Na avaliação de Jorge Goetten, presidente da Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas, a correção é urgente e essencial. “Atualizar essa tabela é uma medida de justiça econômica, principalmente a sobrevivência dos pequenos negócios, que são os maiores gerados de emprego do país”, reforça.
Em março, por unanimidade, a Câmara dos Deputados já havia aprovado o requerimento de urgência para a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que prevê aumento da receita bruta anual permitida para enquadramento do MEI.
Atualmente, participam do MEI microempresários com faturamento anual de até R$ 81 mil. O optante do MEI abrangido pelo Simples Nacional é isento de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica), CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), PIS-/Pasep, Cofins, IPI (exceto na importação) e da contribuição previdenciária patronal, salvo se contratar empregado.
O sistema associativista nacional, liderado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) reivindica a correção em 83,03% dos limites de faturamento para enquadramento no Simples Nacional, com base na inflação acumulada nos últimos sete anos. A tabela está sem atualização desde 2018.
Com a atualização, o valor máximo do MEI subiria de R$ 81 mil para R$ 144,913,41. Além disso, passaria a ter uma correção anual permanente dos limites, definida por um índice oficial de inflação, como o IPCA. A proposta autorizaria ainda a contratar até dois empregados.
Dados da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) mostram que, em 2025, o limite para enquadramento como MEI, em relação ao preço da cesta básica, era 78% menor do que em 2018. Com o valor anual do teto do MEI, que permanece em R$ 81 mil, se comprava 171 cestas básicas há sete anos. No ano passado, se adquiria 96.
A CACB defende a atualização do teto para todos os integrantes do Simples Nacional. Além do MEI, o da Microempresa de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil e da Empresa de pequeno porte, de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões.
“Precisamos avançar. Está na hora de aprovarmos esse projeto, pois há oito anos a tabela do Simples Nacional não é reajustada”, ressalta Alfredo Cotait Neto, líder do associativismo nacional e presidente da CACB, Facesp e ACSP. O dirigente destaca o impacto da medida, que beneficiará cerca de 24 milhões de empreendedores, responsáveis por 27% do Produto Interno Bruto e pela geração de 55% dos empregos formais.
Para Cotait, a medida será um grande alívio para as micro e pequenas empresas, que estão em dificuldade. “Elas são a base da economia do país”, destacou. A medida pode gerar 869 mil empregos e injetar mais R$ 81,2 bilhões na economia.
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IMAGEM: Trilux

