Comerciantes e consumidores divergem sobre confiança na economia

Nas expectativas para o futuro, comércio e consumo se mostram otimistas. FGV detecta um "alívio da desconfiança nos próximos meses"

Estadão Conteúdo
25/Jan/2017
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Comerciantes e consumidores divergem sobre confiança na economia

Enquanto a confiança do consumidor subiu 6,2 pontos em janeiro ante dezembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), os varejistas do país começaram 2017 um pouco menos confiantes do que terminaram 2016, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Em relação aos consumidores, o resultado compensa parte das perdas acumuladas nos dois meses anteriores, de 6,7 pontos. Já o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) recuou 2,3% em janeiro ante dezembro, na comparação com ajuste sazonal.

CNC - DESCONFIANÇA VOLTOU

Em nota oficial, a economista da CNC Izis Ferreira apontou: "As incertezas quanto à recuperação do mercado de trabalho e da atividade econômica têm injetado cautela nos tomadores de decisão do comércio e do setor produtivo como um todo."

Em relação ao mesmo mês do ano passado, entretanto, houve um avanço de 18,4% na confiança do setor, para 95,7 pontos, a sétima taxa positiva consecutiva.

O subíndice que mede a percepção dos comerciantes sobre as condições atuais aumentou 45,2% em janeiro ante janeiro de 2016, para 58,5 pontos. Em relação a dezembro passado, no entanto, o componente teve queda de 6%.

Já o subíndice que mede as expectativas para o futuro cresceu 18,3% ante janeiro de 2016, para 142,8 pontos. Na comparação com dezembro, houve redução de 1,4%.

O terceiro subíndice, que mede as condições de investimentos do setor, subiu menos em relação a janeiro do ano passado, apenas 5,3%, para 85,8 pontos. Mas a queda na comparação com dezembro também foi menos acentuada, -0,6%.

Na avaliação da CNC, as reformas e medidas de ajuste em andamento no Congresso propiciam um ambiente mais favorável aos investimentos e ao crescimento, mas ainda não há fatores que indiquem uma retomada da atividade do comércio.

FGV - CONFIANÇA VOLTA

De acordo com a FGV, com o resultado, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ficou em 79,3 pontos. 

"A alta da confiança em janeiro está relacionada às expectativas de melhora do ambiente econômico com a queda na inflação e a aceleração do movimento de redução das taxas de juros prevista no curto prazo", avaliou Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor no Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

Em janeiro, houve acomodação das avaliações em relação à situação atual, mas uma expectativa menos negativa em relação ao futuro da economia, finanças, emprego, compras, inflação e taxa de juros. 

O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 2,9 pontos, para 68,1 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) subiu 8,3 pontos, para 88,1 pontos.

"Embora os níveis de incerteza ainda sejam altos e as perspectivas para o mercado de trabalho continuem ruins neste primeiro semestre, as boas notícias da virada de ano aumentam as chances de uma recuperação da confiança ou, por enquanto, alívio da desconfiança nos próximos meses", completou Viviane, na nota.

A satisfação do consumidor com relação à situação financeira familiar ficou em 61,6 pontos, uma alta de 4,3 pontos em relação ao mês anterior, quando atingiu o piso histórico de 57,3 pontos.

Entre os componentes do ICC, o item que mede o otimismo em relação à situação econômica nos seis meses seguintes foi o que mais contribuiu para a alta da confiança em janeiro. O subitem avançou 8,4 pontos, após uma perda de 9,6 pontos acumulada nos dois meses anteriores.

O aumento da confiança ocorreu em todas as faixas de renda pesquisadas. As famílias que recebem entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00 mensais foram as que mais contribuíram para o avanço no ICC, com alta de 11,3 pontos na confiança, para o maior nível desde janeiro de 2015.

A Sondagem do Consumidor coletou informações de mais de dois mil domicílios em sete capitais, com entrevistas entre os dias 2 a 21 de janeiro.

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