Construção civil fecha 31,1 mil vagas em julho

O setor encerrou o mês com 2,73 milhões de pessoas empregadas, uma queda de 1,13% em relação a junho

Estadão Conteúdo
23/Set/2016
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Construção civil fecha 31,1 mil vagas em julho

O segmento de construção civil fechou 31,1 mil postos de trabalho em julho em todo o País. Com isso, o setor encerrou o mês com 2,73 milhões de pessoas empregadas, uma queda de 1,13% em relação a junho.

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) com base em informações do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).

Essa foi a 22ª queda consecutiva na quantidade de pessoas empregadas no setor, ou seja, a perda de postos de trabalho vem ocorrendo seguidamente desde outubro de 2014.

O desempenho negativo de julho foi puxado pelo Estado do Rio de Janeiro, onde houve fechamento de 11,3 mil postos no mês - o equivalente a 36% de todas as vagas cortadas no País.

Assim, o Estado terminou julho com 286,3 mil pessoas empregadas no setor, baixa de 3,82% em comparação com junho. Esse foi o maior recuo porcentual entre os Estados no mês. O impacto se deve, em parte, pela conclusão das obras para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Em todo o Brasil, houve corte de 170,3 mil vagas nos primeiros sete meses de 2016, enquanto em 12 meses o saldo negativo chegou a 468,8 mil empregos.

No geral, a queda do nível de emprego na indústria da construção está diretamente associada a uma conjuntura econômica recessiva, analisa o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto.

"Embora os empresários do setor estejam menos pessimistas em relação ao futuro desempenho das construtoras, a persistência dos juros altos, o desemprego, o declínio da renda das famílias e as restrições à concessão de financiamentos determinam a atual escassez de novos investimentos no setor", afirma, em nota distribuída à imprensa.

Romeu Ferraz cobra do governo federal sinalizações de que prosseguirá buscando reequilibrar as contas públicas sem deixar em segundo plano as medidas prometidas de reativação do setor.

Ele reivindica "a manutenção do Programa Minha Casa Minha Vida, o lançamento de 25 novas privatizações, a promessa de retomar 1.600 obras públicas paralisadas e o estudo para elevar o valor dos imóveis financiáveis pelo FGTS constituem uma sinalização positiva".

EXPECTATIVA NEGATIVA NA INDÚSTRIA 

A Sondagem da Construção, pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria, continua mostrando um cenário "desafiador para a indústria da construção".

De acordo com os dados divulgados na manhã desta sexta-feira, (23/09), o nível de atividade está abaixo do usual desde maio de 2012 e, assim como o emprego, continua em tendência de queda. Porém, a instituição considera que há sinais de que a crise está diminuindo.

O indicador que mede a atividade do setor variou dentro da margem de erro em agosto e marcou 41,8 pontos, 0,5 ponto abaixo do registrado em julho. O indicador acumula alta de 8,5 pontos no ano, o que indica redução do ritmo de queda da atividade.

De acordo com o documento, a queda do nível de atividade e do número de empregados tem sido menor que a observada durante todo o ano de 2015 e os indicadores de expectativa têm apresentado um cenário menos adverso do que o esperado há alguns meses atrás.

"Os empresários ainda não se mostram otimistas como nas indústrias de transformação e extrativa, mas os indicadores de expectativa têm apresentado um cenário menos adverso do que o esperado há alguns meses atrás. Os indicadores, embora permaneçam abaixo dos 50 pontos, têm se aproximado cada vez mais dessa linha divisória, sinalizando redução do pessimismo dos empresários em relação aos próximos meses", diz a pesquisa.

 

FOTO: thinkstock

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