Covid-19 vai quebrar 40% dos bares e restaurantes da capital paulista
A estimativa é da Abrasel, que aponta em estudo existir grande dificuldade para as empresas do setor acessarem crédito
Sem a possibilidade de receber clientes nos últimos três meses, bares e restaurantes tentam se reinventar para sobreviver. Investiram no delivery, ações nas mídias sociais, promoções. Mas o golpe foi duro no setor, e fará 40% dos estabelecimentos fecharem as portas definitivamente até o final do ano.
Essa é a conclusão da Associação Brasileira de Bares Restaurantes (Abrasel), tirada a partir de pesquisa realizada com empresários do ramo entre 5 e 12 de junho, que administram cerca de 300 estabelecimentos na cidade de São Paulo.
A maioria, 92,9% deles, acredita que os reflexos mais duros da pandemia serão sentidos até o final de julho, e que 2020 será permeado pela recessão econômica.
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Até por isso, são cautelosos quando questionados sobre a reabertura do comércio prevista no Plano São Paulo, do governo do estado. Para 57,5% dos donos de bares e restaurantes da capital, a abertura deve ser gradual. Outros 25,9%, preferem esperar o arrefecimento da pandemia.
Há o temor de uma retomada com interrupções, como aconteceu em cidades das regiões de Barretos e Presidente Prudente, onde os estabelecimentos foram autorizados a reabrir, mas, 15 dias depois, foram novamente fechados devido ao aumento nas internações por covid-19 nessas localidades.
Tanto que 26,2% dos donos de bares e restaurantes da capital paulista disseram não estarem preparados para reabertura, sendo que, entre esses, 13,1% têm receio de abrir e o cliente não aparecer por medo do contágio.
BUSCA POR RECURSOS
Com o prolongamento da crise, o setor tenta se apoiar no crédito para manter as atividades, mas 31% dos empresários ouvidos pela Abrasel buscaram as linhas de financiamento do governo federal e não tiveram sucesso.
Outros 28% disseram que não tentaram acessar as linhas de crédito porque conheciam outros empresários que não tiveram êxito nessa busca.
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Dos que conseguiram os empréstimos, 20,2% informaram que os juros eram maiores do que os anunciados pelo governo.
Com dificuldade para obter crédito, e com problemas de capital de giro, a alternativa foi renegociar com parceiros comerciais e fornecedores. Por exemplo, 67% dos donos de bares e restaurantes entrevistados para o estudo conseguiram reduzir o aluguel.
ALTERNATIVA CARA
Para tentar pagar os custos diários sem a possibilidade de receber clientes, a alternativa principal dos empresários do setor foi reforçar o delivery. Pelo estudo, 73,5% dos estabelecimentos pesquisados trabalham com opções de entrega.
Mas isso tem um custo. Os empresários reclamaram das taxas cobradas por aplicativos de entrega como iFood, Rappi e UberEats, que variam entre 15% a 30% do valor da venda. 80% dos donos de bares e restaurantes consideraram abusivas essas taxas.
LEIA A ÍNTEGRA DA PESQUISA
Importante: parte das questões possibilitaram múltipla escolha de respostas, incluindo outros assuntos relacionados, com isso, alguns tópicos não se enquadram no cálculo único de 100%.
1- Assuntos que mais preocupam e que devem ser prioridades na atuação da Abrasel
- 65,5% indicam a importância de esforço para aprovação da MP 936 que permite nova suspensão de contrato de trabalho e redução de jornada,
- 45,2% julgam necessária a obtenção de financiamentos a juros reduzidos,
- 1,2% apontam lutar contra a conduta dos aplicativos de entrega, com menções ao iFood.
2- Reabertura dos estabelecimentos
- 57,5% mostraram-se cautelosos e preferem pressionar para abertura mais gradual e segura,
- 25,9% concordam em não pressionar e esperar pela decisão das autoridades e/ou aguardar o arrefecimento da pandemia com a diminuição do risco de contágio e com clientes mais seguros para frequentar os estabelecimentos
- 19% desejam a abertura imediata.
- Expectativa
- 70,2% estão preparados para a reabertura e 26,2% ainda não, sendo que dentre esses, 13,1% justificam o risco de não haver clientes, pelo receio de contaminação.
3- Acesso aos financiamentos do governo
- 11,9% tentaram e conseguiram um dos financiamentos anunciados pelo governo, sendo o Programa Estímulo 2020, o mais mencionado,
- 14,3% dos associados dividiram-se entre os que ainda não obtiveram resposta do governo ou aguardam resposta de bancos particulares,
- 20,2% conseguiram, mas a juros maiores do que os anunciados,
- 28% não tentaram receber (parte por saber que os demais não tiveram sucesso), e
- 31% tentaram, mas não conseguiram nenhum financiamento.
4- Contrato de trabalho, fórmulas escolhidas pelos empresários para manter equipes e reduzir demissões
Dividido por tópicos individuais:
- Suspensão: 83,3%
- Redução de jornada / salário: 45,2%
- Férias coletivas: 33,3%
5 - Percentual de demissões nos estabelecimentos
- 57,1% afirmaram ter demitido funcionários, sendo que expressiva parcela demitiu entre 30% a 50% da equipe,
- 39,3% mantiveram toda a equipe, e
- 6% dispensaram quem estava em período de experiência ou outros tipos de contratos.
6 - Reflexos da pandemia até junho/julho e recessão econômica até o fim de 2020
- 92,9% acreditam que com a continuidade da pandemia haverá recessão até o final do ano, e 40% dos estabelecimentos do setor de bares e restaurantes fecharão as portas em definitivo.
7 - Aluguéis
- 67% conseguiram negociar redução,
- 25% conseguiu adiar parte do aluguel para pagar em meses posteriores,
- 13% não conseguiu apesar de tentar; e
- 3,6% não tentou nenhuma negociação.
8- Delivery
- 73,5% trabalham com a opção de delivery, e
- 26,5% não trabalham.
- Dos que trabalham com delivery
- 86,2% utilizam em sua maioria o iFood, seguido pelo Rappi e UberEats. Desses, 70,7% disseram que a taxa cobrada pelos aplicativos por todas as etapas, gira em torno de 15% a 30%. Sobre a taxa cobrada apenas para a entrega, 32,8% disseram pagar em torno de R$ 10,00.
- Reclamações
- 80% reclamam das taxas abusivas e da retirada de muitos estabelecimentos do sistema de entrega / delivery ( principalmente iFood) em horários de grande movimento, impedindo o cliente de efetuar o pedido. Problema enfrentado nos Dias dos Namorados e Mães, prejudicando de forma expressiva o faturamento. Entre outras reclamações quanto a deficiência no suporte online e problemas com os entregadores.
9- Enel (distribuidora de energia)
- 66,7% afirmam que estão sendo cobrados pela média de consumo de energia elétrica dos meses anteriores a pandemia;
- 28% por meio do envio de autoleitura por aplicativo;
- 11,8% sofreram algum tipo de abuso, como: juros abusivos, protesto sem aviso prévio e prazo curto para informar o consumo.
IMAGEM: Tomaz Silva/Agência Brasil

