Crise na indústria reflete incertezas políticas e econômicas

A perspectiva para 2016 é de continuidade da contração da produção do setor, até pelo menos o primeiro semestre, segundo economistas da Associação Comercial de São Paulo

Redação DC
02/Fev/2016
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Crise na indústria reflete incertezas políticas e econômicas

A contração de 8,3% da indústria em 2015 é o retrato de uma crise que não decorre apenas de fatores conjunturais, mas também reflete o intenso recuo nas vendas e na confiança dos empresários, devido ao aumento das incertezas políticas e econômicas geradas ao longo do ano passado.

Na avaliação de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o setor também sofre com a progressiva perda de competitividade, diante dos crescentes custos da produção interna. 

"A perspectiva para 2016 é de continuidade da contração da produção do setor, até pelo menos o primeiro semestre, podendo haver recuperação, ainda que de forma lenta, decorrente do aumento das exportações e substituição natural das importações, impulsionadas pelo expressivo aumento da taxa de câmbio", informa em nota o Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP. 

A valorização do dólar também ajudou a indústria a sofrer um tombo menor no ano passado, segundo a avaliação de André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo ele, um dos poucos fatores positivos ao longo de 2015, o câmbio contribuiu para a melhora e alguns setores, mas foi insuficiente para recuperar a indústria como um todo.

Os mais beneficiados foram os segmentos já voltados para o mercado externo, como o de celulose. Nos demais, a substituição de importações "não acontece do dia para a noite", disse o gerente.

"Nesse momento, o câmbio favorece alguns poucos segmentos, e isso não é suficiente para reverter todo esse desempenho de queda visto ao longo do ano passado", afirmou Macedo.

No fim de 2015, os estoques melhoraram em alguns setores, mas isso não significa que haverá retomada no início de 2016, advertiu o gerente do IBGE.

ESTOQUES AJUSTADOS

"A combinação de uma produção em queda já há algum tempo faz com que haja ajustamento dentro dos estoques das fábricas. Informações externas ao IBGE mostram que houve melhora nos estoques no fim do ano, especialmente em dezembro. Isso pode sinalizar alguma melhora, mas a retração no ambiente doméstico permanece", disse.

Macedo também reconhece que a confiança em baixa, tanto dos empresários quanto dos consumidores, a deterioração do mercado de trabalho e a inflação batendo recordes de alta contribuíram para o mau desempenho da indústria em 2015.

Para ele, o resultado ao longo do ano passado foi marcado por uma disseminação de dados negativos entre as atividades industriais, além do aumento de intensidade do recuo com a passagem dos meses.

"O baixo nível de confiança do empresário, que adia e inibe investimentos, o baixo nível de confiança dos consumidores, que leva a um adiamento de consumo de bens, o mercado de trabalho funcionando de maneira mais restrita, com desemprego aumentando e renda diminuindo, combinado com crédito mais caro, mais escasso... tudo isso forma um cenário que ajuda a entender esse resultado. Além, é claro, de um nível de preços mais elevado", explicou Macedo.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Estadão Conteúdo

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