Decathlon inaugura novo conceito de loja para ampliar presença no país
Varejista francesa especializada em produtos esportivos abre sua primeira unidade compacta, no Shopping Morumbi Town, em São Paulo, e pretende expandir em outras grandes cidades

Conhecida globalmente pelas suas grandes lojas, com 65 categorias de esporte que vão desde produtos simples para natação até itens para quem pratica hipismo, a Decathlon inicia um novo processo de expansão no Brasil ao inaugurar sua primeira unidade em formato compacto, no Shopping Morumbi Town, nesta quinta-feira, 7/5.
Diferentemente das outras lojas, que possuem uma grande variedade de categorias esportivas, a nova unidade tem foco em três modalidades esportivas: natação, fitness (atividades para o bem-estar, como academia e yoga) e corrida. De acordo com Flávio Fialho, diretor de expansão e operação da Decathlon Brasil, a empresa fez um longo estudo da região ao redor do Shopping Morumbi Town para entender quais produtos esportivos fazem mais sentido para o público que frequenta o shopping.
Enquanto as grandes lojas da marca espalhadas pelo Brasil, como, por exemplo, a megaloja na própria região do Morumbi e da Avenida Paulista, são locais para pessoas com maior tempo para consumo, interessadas em descobrir novos produtos de diferentes esportes, o novo formato busca atender demandas pontuais dos consumidores, que precisam realizar uma compra rápida.
“As pessoas dessa região possuem uma Decathlon a cerca de 6 quilômetros daqui, mas elas vão demorar cerca de 1h30 para chegar à loja. Com esse formato menor e mais perto de casa, elas conseguem fazer uma compra mais rápida em menor tempo”, explica Felipe Geraldini, diretor regional da marca em São Paulo.
Além da redução de tamanho, a nova loja possui uma arquitetura mais moderna, com destaque para a iluminação, evidenciando os produtos, atendimento personalizado pelo WhatsApp e entrega expressa de 30 minutos até 48 horas, fatores que as outras unidades não possuem. “Esse novo formato é uma continuidade da experiência das lojas grandes. Aqui os clientes vão encontrar produtos relacionados ao dia a dia e serviços exclusivos desta loja”, explica Fialho.
Outra estratégia adotada para manter a experiência do consumidor e evitar a perda de vendas é o atendimento integrado com a megaloja. Caso o cliente procure um produto disponível apenas nas unidades maiores, ele pode realizar a compra na nova loja com o auxílio de um vendedor. Enquanto aproveita para passear pelo shopping, o item é transferido e entregue na unidade em cerca de 30 minutos, dependendo do produto.
Para manter a experiência do cliente vivenciada nas grandes lojas, a aposta da Decathlon foi criar pequenos espaços de experiência, como uma esteira na loja, em que o cliente escolhe o cenário em que deseja correr, como em um parque ou estrada de terra, e pode experimentar os tênis disponíveis correndo no equipamento.
Outra estratégia adotada pela marca foi o uso de manequins em movimento, como, por exemplo, nadando ou correndo, como uma forma de incentivar o cliente a imaginar como ele ficaria naquele produto. Além disso, 95% dos produtos são de marca própria da Decathlon, divididos entre Domyos (linha de roupas fitness), Nabaiji (linha de natação) e Kiprun (linha de corrida), algo que não ocorre nas grandes unidades, que têm o portfólio mais amplo, dividido com outras marcas, como Nike e Adidas.
Com a nova unidade, a expectativa é de um aumento no market share (participação de mercado) dentro da área de influência das duas unidades no Morumbi e do aumento na recorrência de compras por parte dos consumidores.
Expansão
A Decathlon possui 1.902 lojas em mais de 80 países, sendo mais de 50 unidades no Brasil. O país, que está entre os 10 principais mercados da companhia, é parte fundamental da estratégia global da marca, que encerrou 2025 com 910 milhões de euros de lucro.
De acordo com Fialho, o novo formato busca atender às novas necessidades dos consumidores, a partir de um estudo realizado pela própria empresa, que identificou maior interesse por esportes como corrida, academia, entre outros pontos. Segundo o estudo encomendado pela empresa em parceria com a Consumoteca, 93% dos brasileiros têm interesse em praticar algum exercício físico, mas, devido à falta de tempo, apenas 44% conseguem praticar ativamente alguma atividade física.
A ideia não é descartar os grandes formatos, mas sim utilizar esse novo modelo para expandir mais rapidamente em grandes centros urbanos. Sem revelar uma meta para expansão nesse novo formato, Fialho afirma que a empresa tem como objetivo abrir outra unidade nesse modelo em shopping center até o final do ano, preferencialmente em cidades grandes como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A expansão em cidades menores ainda não está no radar da empresa.
Além da adaptação de lojas para responder à demanda local, Fialho explica que o digital é ferramenta fundamental para a empresa estar presente em todo o país, por meio da curadoria de produtos, que permite uma ampla oferta de mercadorias, com mais de 6 mil modelos.
Desafios
Para Rodrigo Catani, sócio-diretor da Gouvêa Consulting, o novo formato leva mais eficiência e inteligência operacional para a empresa, uma vez que o modelo de loja maior exige maior custo operacional, além de alto investimento em terreno. No entanto, o novo formato possui algumas ressalvas, justamente por não ser possível levar toda a curadoria dos produtos, sendo necessária uma seleção de itens mais convenientes para a região.
“O grande desafio é manter a experiência da loja grande, como o atendimento personalizado por esporte, além da questão de serviços. Por exemplo, nas grandes lojas eles consertam equipamentos quebrados; esse serviço precisa ser adaptado na loja menor, caso tenha essa opção”, explica Catani.
Além disso, segundo Catani, é importante que a marca mantenha a experiência do cliente de forma que esse consumidor não se sinta tentado a comprar em outro local ou até mesmo pela internet, por possuir um preço mais acessível.
Outro ponto destacado pelo especialista é que a nova loja exige certas adaptações, como a prateleira infinita, justamente pelo tamanho menor das prateleiras, além de levar esse pensamento para o consumidor, de forma que o cliente entenda que, apesar de a loja menor possuir menos produtos, existe uma vantagem ao comprar naquela unidade.
Para Catani, esse novo formato auxilia a expansão rápida da empresa, permitindo que a companhia acesse um novo consumidor, justamente pela praticidade que a nova loja oferece. “A loja grande, além de ser cara, muitas vezes fica longe dos consumidores. É quase um passeio ir à megaloja da Decathlon, e com a loja menor o acesso se torna mais fácil”, explica.
Além disso, o especialista afirma que a loja compacta exige um tíquete médio menor, porém facilita esse acesso a novos consumidores, sendo uma porta de entrada para testar a marca em novos lugares e entender em quais regiões faz sentido ter uma loja da Decathlon.
Apesar de a nova loja ter um concorrente direto, uma unidade da Centauro localizada do outro lado da calçada, no Shopping Jardim Sul, Catani destaca que as duas operações são diferentes. Enquanto a Centauro tem foco em vender outras marcas, como Nike e Adidas, entre outras, a Decathlon se concentra em produtos de marca própria.
IMAGEM: Rebeca Ribeiro/DC

