Depois do Bobbie Goods, quais as próximas tendências nas papelarias?

Produtos personalizados, colecionáveis e junk journal são alguns itens que podem atrair a atenção dos consumidores e alavancar as vendas do setor em 2026

Rebeca Ribeiro
16/Fev/2026
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Depois do Bobbie Goods, quais as próximas tendências nas papelarias?

Tom pastel, lettering, brush pen, planner e, mais recentemente, os livros de colorir Bobbie Goods. Apesar de passageiras, todas essas febres, motivadas principalmente pelas redes sociais, estimularam os consumidores e alavancaram as vendas dos empreendedores do setor de papelarias que souberam surfar a onda.

Identificar uma nova tendência no mercado não é uma tarefa fácil. É preciso estar atento às redes sociais e às feiras do setor, ouvir demandas do cliente e observar movimentos de outros países para saber em quais produtos apostar. Um atalho é ficar atento ao que os especialistas dizem.

Durante a Abcasa Fair 2026, as palestrantes Bruna Moraes, especialista no setor de papelaria, Gabriela Camargo, proprietária da papelaria A Dora Mimos, e Dulci Ishizawa, proprietária da papelaria Laranja Lima Presentes, apontaram algumas das tendências do setor para este ano. 

“É preciso ter um sexto sentido para entender qual tendência vai atender ao seu público-alvo, é preciso entender o seu negócio. Eu já coloquei determinado produto no meu site que não fez o sucesso proporcional ao tamanho daquela tendência no mercado”, explica Dulci.

Cores e estampas

Se por um tempo as cores neon e tons pastel dominaram o setor papeleiro, a tendência é que tons neutros, principalmente marrom, voltado para o café, e branco, sejam os queridinhos em 2026. “O marrom começou no final de 2025 e é uma cor que tende a crescer em 2026 por ser um tom neutro que dá a possibilidade de trabalhar com outras cores e estampas”, diz Gabriela.

Produtos com detalhes holográficos também tendem a crescer em 2026, segundo Bruna, assim como o minimalismo, como estampas delicadas de frutas em miniatura - a exemplo dos cadernos de cereja. Desenhos decorativos com limão-siciliano também tendem a aparecer em diversos produtos.

“O Morango do Amor foi um produto que viralizou e nós o trouxemos para o contexto da papelaria. Então, tudo o que tinha morango, vendia”, afirma Gabriela, que destaca que aproveitar tendências de outros setores, como gastronomia e vestuário, também é uma estratégia para impulsionar as vendas.

Nostalgia e licenciados 

A venda de produtos licenciados, como do personagem Stitch, por exemplo, deve continuar em alta em 2026, por serem produtos atemporais, que sempre possuem demanda. “Falando especificamente do público infantil, esse é um consumidor que muitas vezes nem viu o filme, mas é apaixonado pelo personagem, como o Ursinho Pooh”, diz Gabriela.

Entre os adultos, Dulci explica que os produtos licenciados carregam apelo emocional, com personagens como Moranguinho e Snoopy, que marcaram uma geração que agora tem poder aquisitivo para comprar esses produtos e que pode transferir esse apego para as novas gerações.

“Na nossa loja, tínhamos um caderno com a Moranguinho atual, que não tinha tanta venda. Quando foi lançada a versão antiga, os produtos esgotaram. Quando o consumidor vai à loja física e sente aquele cheiro de morango, ele compra o produto, pois a pessoa quer sentir aquele cheiro afetivo”, explica Gabriela.

Personalização

Uma das grandes apostas para esse ano no setor de papelaria são os pins personalizados, com letras, cores e desenhos diferentes, que o cliente pode pendurar de diferentes formas na bolsa, mochila ou estojo, dando àquele objeto a característica de revelar a personalidade das pessoas. 

“Torna o produto único. Quem não quer chegar a um lugar com um produto que ninguém mais tem?”, diz Gabriela. “Na Europa, tem uma loja que fabrica cadernos, sendo que o consumidor escolhe a capa de couro e os pingentes. São cadernos com preços elevados, mas geram filas gigantes. Isso mostra que as pessoas querem se sentir acolhidas”, afirma.

Distração Offline

Cadernos de leitura, usados para organizar ideias sobre os livros que estão sendo lidos, podem ter uma forte aderência aos consumidores em 2026. “No ano passado, consegui encontrar apenas uma marca pequena que fornecia esses produtos. Agora há mais marcas investindo nesses produtos, e isso mostra a rapidez do crescimento de uma tendência”, explica Dulci.

O Junk Journal, diário recheado de colagens e penduricalhos, virou hobby (Imagem: Freepik)

 

Kits que incluem papelaria e brinquedos também devem fazer sucesso neste ano. Um exemplo são as canetas da Lego, que possuem uma peça de montagem no topo da caneta, permitindo que o consumidor monte diferentes formatos. “Nós pensamos se valeria a pena colocar esses produtos na nossa papelaria, os consumidores pediram muito. São produtos que ainda vendem”, diz Gabriela.

“É uma forma de tirar as crianças das telas do celular, não apenas os adultos, as crianças também. Esses produtos irão 'bombar', estamos evoluindo para ficar mais offline”, explica Dulci.

O Junk Journal, diário em que as pessoas podem contar o seu dia, colar fotos e até mesmo papéis que iriam para o lixo, como passagem do trem, pode ter uma forte demanda em 2026 por ser um hobby que faz as pessoas deixarem o celular de lado e terem um momento pessoal, aproveitando o dia.

Colecionáveis 

Itens colecionáveis, como álbuns de figurinhas, segundo Gabriela, são produtos que devem crescer em 2026, lembrando tratar-se de ano de Copa do Mundo. 

Além disso, produtos com brinquedo surpresa, que o consumidor precisa fazer um esforço para conseguir, tendem a crescer no mercado. “Pela logística necessária para as marcas enviarem os sortidos, não é algo em que as empresas investem muito, mas os consumidores gostam desses produtos", diz Gabriela.

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IMAGENS: Marco Peron/DC

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