Diminui intenção de compras das famílias em outubro
Queda de 1,8% no índice de consumo em relação a setembro resulta na menor pontuação da série histórica, de acordo com a CNC. Lojas estão mais estocadas

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), diminuiu 1,8% em outubro, na comparação com setembro, ao atingir 78,4 pontos.
Essa é a menor pontuação regitrada pela CNC desde o início da série histórica, em 2010. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a retração do índice foi de 35,5%.
É o nono mês consecutivo da queda do índice, que está há seis meses na zona negativa - abaixo de 100 pontos -, o que indica uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual.
A queda do ICF em outubro decorre, na avaliação da CNC, da aceleração da inflação, do enfraquecimento da atividade econômica, da piora no mercado de trabalho e do aumento das incertezas políticas.
A entidade cita, por meio de nota, o resultado recente da Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo IBGE, apontando que a queda das vendas no mês de agosto, na comparação com julho, foi de 0,9%, a maior queda para o mês desde o ano 2000.
O quesito que mede a intenção de compra de bens duráveis é o que registra o menor nível do ICF, ou 51,3 pontos. O sub item apresentou retrações de 2,2% na comparação mensal e de 51% em relação ao mesmo período do ano passado. A maior parte das famílias (70,7%) considera o momento atual desfavorável para aquisição de duráveis.
Em seguida vem o componente que mede o nível de consumo atual, em 57,7 pontos, registrando quedas de 3,7% em relação a setembro e de 43,3% em comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com a CNC, a queda progressiva nas vagas está aumentando a insegurança das famílias em relação ao emprego.
A satisfação com o emprego atual, apesar de ser o único componente do ICF a se manter acima da zona de indiferença, com 106,0 pontos, registrou quedas de 0,8% em relação ao mês anterior e de 20,3% na comparação anual.
O indicador de desemprego mensal nas seis maiores regiões metropolitanas do país atingiu 7,6% em agosto. O índice era de 4,3% em dezembro de 2014.
A falta de perspectivas para a inversão do cenário no curto prazo levou a CNC a revisar de -2,9% para -3,6% sua expectativa de queda para o varejo restrito em 2015. No conceito ampliado, a projeção da CNC passou de queda de 6,5% para 6,8% no final do ano.

