Dólar comercial encosta em R$ 3,35, maior patamar em 12 anos
Risco maior de Brasil perder o grau de investimento faz moeda subir pelo segundo dia seguido. Dólar turismo chega a R$ 3,48

Em mais um dia de instabilidade no mercado financeiro, a moeda norte-americana voltou a subir e fechou cotada a R$ 3,347, o maior patamar desde 31 de março de 2003, quando bateu em R$ 3,355. O dólar turismo seguiu trajetória parecida e subiu 2,35%, a R$ 3,48.
Apenas nesta sexta-feira (24/07), o dólar comercial subiu 1,65%. No meio da manhã, chegou a operar em leve queda, mas reverteu a trajetória e passou a subir fortemente nas horas seguintes.
Na máxima do dia, por volta das 15h40, chegou a ser vendido a R$ 3,354. A moeda acumula alta de 7,66% em julho e de 25,89% em 2015.
Desde que a equipe econômica anunciou a redução para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) da meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública), o dólar passou a subir.
Segundo economistas, a possibilidade de o país perder o grau de investimento das agências de classificação de risco tem pressionado o câmbio.
Fatores internacionais também têm feito o dólar subir em todo o mundo. Nesta semana, os Estados Unidos informaram que o volume de pedidos semanais de auxílio-desemprego atingiu o nível mais baixo desde 1973.
A recuperação da economia norte-americana abre espaço para que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) aumente, ainda este ano, os juros da maior economia do planeta. Juros mais altos nos Estados Unidos atraem capitais para países desenvolvidos, afetando economias emergentes, como a do Brasil.
Ao deixar um evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta sexta-feira (24/07), o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que é cedo para afirmar se a alta do dólar será permanente.
Ele argumentou que, à medida que o governo for explicando as ações fiscais, esse impacto no câmbio tende a ser revertido. Segundo Barbosa, o mercado reage à política fiscal, mas também a indicadores econômicos do restante do mundo.
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* Com informações de Estadão Conteúdo

