Empreender e negociar em grupo andam juntos

A Petistil inaugurou a moda infantil no Brasil e foi das primeiras a embarcar na era dos shoppings, nos anos 80. Para fortalecer a posição das redes menores, um dos sócios atua no Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo

Inês Godinho
08/Dez/2015
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Empreender e negociar em grupo andam juntos

Antecipar tendências, defender causas e proporcionar avanços operacionais para as empresas são alguns dos objetivos perseguidos pela Associação Comercial de São Paulo desde sua fundação, em 1894. Para quem se associa, significa ter acesso a informações e serviços concebidos especialmente para empreendedores.

E, ainda mais importante, ter a oportunidade de juntar forças para compartilhar reivindicações e comemorar conquistas junto àqueles que enfrentam os mesmos dilemas. 

Um tema presente na atual pauta da ACSP trata das questões específicas vividas pelas lojas satélites. São as pequenas redes de varejo e estabelecimentos independentes que representam a maior parte da composição de lojas nos grandes centros comerciais. 

A recessão que atingiu o país acentuou as dificuldades que já existiam no relacionamento com os shopping centers, como as consequências da abertura excessiva de empreendimentos em todo o país e os custos crescentes.

Agora, elas encontraram um espaço para discutir estas questões dentro da ACSP, na estrutura de conselhos temáticos que a instituição mantém.

A discussão foi encabeçada, entre outros, por Marcelo Feldman, sócio-diretor da Petistil, uma rede com longa tradição de loja satélite em shoppings. Ele defende um posicionamento conjunto para que o relacionamento entre as duas partes volte a ser saudável. ”O custo está se tornando inviável”, afirma.

FELDMAN:EM DEFESA DE RELAÇÕES JUSTAS COM OS SHOPPINGS

O empresário, que representa a segunda geração da família detentora da marca, fala com conhecimento de causa sobre a evolução das relações entre redes menores e shoppings, pois a Petistil têm essa experiência desde os anos 80, como demonstra sua história.

ABRINDO MERCADOS

Em 1958, crianças se vestiam como pequenos adultos, em roupas duras e complicadas. Nem pensar em conforto e liberdade para se sujar, uma limitação que incomodava os irmãos Boris e David Feldman.

Eles viram nessa falta de opções uma oportunidade de negócios e criaram a marca Petistil. Pela primeira vez, a moda infantil foi tratada como um segmento de mercado e um conceito com vida própria. 

Os dois desenvolveram coleções que valorizavam o conforto e um visual moderno para os pequenos. Vendidas em lojas multimarcas e grandes magazines, a Petistil se tornou um sucesso nacional.

A marca passou a ser sinônimo de moda infantil graças à visão inovadora dos dois irmãos. 

O segundo movimento de expansão ocorreu quando a oferta de shopping centers começou se fortalecer no país, no início da década de 80.  “A marca abriu sua primeira loja no Shopping Iguatemi, em São Paulo”, lembra Marcelo Feldman, agora à frente da empresa, atualmente com 100 funcionários.

LOJA 18: SEGUNDA MARCA AMPLIA ATUAÇÃO

A abertura de lojas próprias, instaladas em São Paulo, não alterou a política de distribuição em lojas multimarcas. A experiência levou a empresa a criar uma segunda marca em 2011, a Loja 18, de moda feminina. Instalada no bairro da Barra Funda, em São Paulo, a fábrica da empresa produz para as duas marcas, mas a fabricação deixou de ser o coração da empresa. 

“Temos duas equipes que trabalham separadas”, diz Feldman, “com os conceitos próprios de cada marca. E uma única linha de produção. Mas grande parte é terceirizada. Nosso foco é a comercialização.” 

SHOPPINGS EM XEQUE

Para as duas marcas, a estratégia de crescimento privilegiou a instalação em shoppings. As nove unidades da rede Loja 18 e as quatro da Petistil estão nesses centros comerciais em São Paulo.

No entanto, o recente estranhamento entre shoppings e lojistas deve provocar uma alteração no modelo de negócios. 

“Estamos olhando com carinho o potencial das lojas de rua”, explica Feldman. “Mesmo com toda a força e as vantagens dos shoppings, elas mantiveram seus atrativos para o público.”

O empresário vislumbra uma tendência para a volta do mercado de rua, diante do que considera “as condições inviáveis” praticadas pelos centros comerciais fechados. ”O custo ocupacional da loja de rua compensa qualquer desvantagem em relação às de shopping”, avalia. 

Não se trata apenas de uma reclamação. Feldman vem trabalhando ativamente para fortalecer a posição das chamadas lojas satélites (as pequenas redes ou lojas independentes) no comércio nacional. “Embora os shoppings se apóiem nas lojas âncoras, são as satélites que asseguram a maior parte da rentabilidade desses empreendimentos.” 

ALIANÇA VALIOSA

Feldman e outros empresários assumiram há alguns anos o trabalho de organizar este segmento. Para isso, foi fundamental, segundo ele, estar dentro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e contar com o apoio da entidade nas negociações com os centros de compra.

Desde a fundação do Conselho de Varejo, iniciado pela ACSP há quase 10 anos, Feldman está envolvido com a defesa dos interesses do varejo. “Começamos com seis pessoas no conselho e agora somos 100." 

Em determinando momento, no entanto, as lideranças perceberam que os interesses haviam se cindido. Junto com outros proprietários de lojas satélites, ele encabeçou a ideia de realizar reuniões em separado. “São realidades diferentes”, defende. 

LEIA MAIS: Eficiência na operação reduz custo para lojistas

Iniciativas semelhantes em outras associações não tiveram efeito. “Estávamos nos sentindo desamparados”, explica. “A situação mudou quando a ACSP passou a estar junto conosco. Ter a chancela da associação muda a correlação de forças e os shoppings já nos olham de modo igualitário nas negociações.” 

Sobre os planos de expansão das duas marcas, Feldman afirma que a empresa estuda criar um sistema de franquia, mas isto não faz parte das prioridades do momento. “Recebemos muitos pedidos para abrir lojas próprias e estamos sempre atentos às oportunidades”, informa. “Mas isto passa sempre por uma análise criteriosa. Não gostamos de fechar lojas.” 

Para conhecer melhor a ACSP clique aqui 

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