Empresários da indústria mantêm otimismo na economia

Índice de Confiança da Indústria (ICI) teve alta de 2,1 pontos em setembro e sinaliza retomada dos investimentos

Agência Brasil
28/Set/2016
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Empresários da indústria mantêm otimismo na economia

Os empresários do setor da indústria de transformação retomaram o otimismo quanto à possibilidade de um crescimento das atividades nos próximos meses, revertendo o comportamento de desânimo manifestado em agosto último.

É o que mostra o Índice de Confiança da Indústria (ICI), relativo a setembro, com alta de 2,1 pontos ante uma queda de 1 ponto em agosto, passando de 86,1 para 88,2 pontos. A marca foi a mais elevada desde julho de 2014 (88,8).

O ICI avalia a percepção dos empresários em relação aos negócios atuais e, no médio prazo (seis meses), por meio da Sondagem da Indústria de Transformação feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Entre 5 e 23 de setembro, foram ouvidos dirigentes de 1.122 companhias. De um total de 19 segmentos, 12 indicaram melhoria nas avaliações tanto em relação ao momento atual quanto no quadro previsto para daqui a seis meses.

O Índice de Expectativas (IE) avançou 2,5 pontos e atingiu 89,8 pontos, o maior desde junho de 2014 (90,3 pontos). Já o Índice da Situação Atual (ISA) aumentou 1,5 ponto, alcançando 86,7 pontos, o maior desde janeiro de 2015 (88,4 pontos).

A pesquisa mostra que, em relação ao momento presente, o resultado foi influenciado pelo nível dos estoques.

A proporção dos entrevistados que consideraram os estoques excessivos teve queda, passando de 14,1% para 12,7%.

Ao mesmo tempo aumentou de 5,4% para 7,1% a parcela dos que avaliaram os estoques como insuficientes. Este foi o maior índice desde maio de 2013 (7,3%).

O avanço no IE, principalmente pelo indicador de negócios nos próximos seis meses, sugere uma aceleração dos investimentos do setor, segundo o superintendente de Estatísticas Públicas da FGV/IBRE, Aloisio Campelo Junior.

INVESTIMENTOS

"A evolução da situação dos negócios nos seis meses seguintes é a melhor notícia dessa pesquisa. Esse índice não vinha evoluindo tão favoravelmente e costuma ser um indicador de antecipação de tendência de investimentos, porque envolve uma percepção melhor do empresário do ambiente de negócios e da lucratividade", disse o professor.

Mesmo com a redução pelo segundo mês consecutivo da demanda interna e com o enfraquecimento das vendas externas, o setor prevê um cenário melhor para o futuro, segundo Campelo.

Esse cenário mais favorável, na visão de Campelo, está relacionado a uma expectativa com um início de afrouxamento da política monetária pelo Banco Central.

"Aparentemente, o setor industrial acredita que, com uma facilitação de crédito, vai haver um aumento do consumo, principalmente de duráveis. Ainda que o empresário erre projeções, ele toma decisões com base no cenário. A proporção dos otimistas está aumentando, então podem parar de demitir e investir", afirmou, lembrando, contudo que os níveis de investimento estão muito baixos atualmente.

Desde março, o indicador acumula alta de 13,5 pontos. Campelo aponta que com a melhora do indicador no mês e do saldo positivo no trimestre, a trajetória da confiança continua ascendente, mas que não é forte ainda e precisa da confirmação de outros fatores para se firmar.

"Agora, além da diminuição do pessimismo, podemos dizer que estamos tendo também um sinalizador de otimismo, que fica mais claro no horizonte de seis meses."

Um fator para estar menos otimista com os índices de produção é o ajuste de estoques.

Segundo Campelo, a indústria está terminando esse ajuste. "Ainda há estoque nos segmentos automobilístico e no de bens de capital, mas podemos dizer que o estoque já está em níveis normais em outros setores."

Quanto às expectativas para a produção industrial no terceiro trimestre, Campelo disse que não é possível fazer previsões devido à volatilidade da confiança nos últimos meses e à expectativa da produção em agosto e setembro.

Ele afirmou, contudo, que a expectativa é que o cenário é menos positivo que no segundo semestre, quando a produção aumentou 0,6% em relação ao trimestre anterior.

Pesam nesse semestre o enfraquecimento das vendas externas e a demora da retomada da demanda interna. "É difícil prever se o setor vai terminar o trimestre no positivo, no negativo ou se vai ficar estável, o que é bastante provável", disse.

FOTO: Thinkstock

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