Empresários de comércio e serviços mais pessimistas em 2015

Indicadores de confiança atingem o mais baixo nível neste ano e mostram que tanto a percepção sobre a situação atual quanto as expectativas para os meses seguintes são negativas, segundo a FGV e a CNC

Estadão Conteúdo
29/Dez/2015
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Empresários de comércio e serviços mais pessimistas em 2015

Empresários varejistas e de serviços derrubaram os índices de confiança na economia. A confiança do setor de serviços recuou 19,4 pontos em 2015 ante 2014, a maior queda anual de toda a série histórica, iniciada em junho de 2008, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Já o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentou o resultado mais baixo da pesquisa, iniciada em março de 2011. No período de um ano, despencou 26,5%.

De acordo com a CNC, a deterioração no indicador reflete as piores condições do mercado de trabalho ao longo de 2015, além da retração da atividade econômica no país. Em dezembro, o Icec atingiu 79,9 pontos, uma queda de 1,4% em relação a novembro.

Na passagem de novembro para dezembro, o Icec foi influenciado por uma forte piora na avaliação das condições atuais, que recuou 12,2%, para 37,7 pontos. O subitem já está 50,8% abaixo do patamar registrado no mesmo período de 2014.

"Todo o cenário atual faz com que o empresário enxergue as condições correntes de forma tão ruim. E, provavelmente, isso vai continuar no primeiro semestre de 2016", alertou a economista Izis Janote Ferreira, da Divisão Econômica da CNC.

Os empresários ficaram mais pessimistas com a situação atual da empresa (com queda na confiança de 6,6% em relação a novembro) e com o setor (-12,6%). Mas a retração maior foi na avaliação da economia, um recuo de 30% na passagem de novembro para dezembro.

Enquanto as avaliações negativas das condições correntes se aprofundaram, houve melhora nas expectativas, com alta de 1% em dezembro ante novembro, e nas intenções de investimentos, um crescimento de 0,7% no período.

"As expectativas melhoraram, mas ainda é preciso aguardar para ver se esse movimento vai continuar e se confirmar nos próximos meses", ponderou Izis.

PESSIMISMO NO SETOR DE SERVIÇOS  

A confiança do setor de serviços recuou 19,4 pontos em 2015 ante 2014, a maior queda anual de toda a série histórica, iniciada em junho de 2008. 

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), a deterioração em menor ritmo no último trimestre do ano não impediu a marca, fruto da piora tanto na percepção sobre a situação atual quanto nas expectativas para os meses seguintes.

Em bases trimestrais, houve desaceleração na trajetória de queda entre outubro e dezembro, quando o Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 1,1 ponto. No terceiro trimestre, a queda foi de 7,2 pontos. 

Essa "melhora relativa", segundo a FGV, decorreu da recuperação parcial das expectativas, que avançaram 2,6 pontos no quarto trimestre, ante queda de 8,9 pontos no terceiro trimestre.

"A avaliação das empresas sobre as condições correntes dos negócios prossegue em queda, tendo chegado ao segundo nível mais baixo em dezembro", diz o economista Silvio Sales, consultor da FGV, em nota. 

“Nem mesmo a recente melhora das expectativas, indicando basicamente redução do pessimismo, altera o quadro adverso no nível de atividade do setor, que deve prosseguir nos próximos meses, com reflexos importantes no mercado de trabalho”.

Apenas em dezembro, a confiança de serviços subiu 0,7 ponto ante novembro, também puxada pela percepção sobre o futuro, com destaque para a expectativa para os seis meses seguintes.

No sentido contrário, a avaliação sobre a situação atual voltou a piorar em dezembro ante novembro (-0,8 ponto).

A coleta de dados para a edição de dezembro da sondagem foi realizada junto a 1.989 empresas entre os dias 3 e 22 desse mês.

IMAGEM: Thinkstock

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