Especial Mulheres | “Empresária geralmente é chefe de família. É preciso saber gerir o tempo”

Sandra Brandani Picinato, presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), diz que adaptação e inovação são fundamentais para o sucesso dos negócios

Redação CACB
05/Mar/2026
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Especial Mulheres | “Empresária geralmente é chefe de família. É preciso saber gerir o tempo”

Para quem é empreendedora, a sobrecarga de trabalho não é uma novidade, visto que lidar com o próprio negócio é apenas parte de uma rotina que inclui, ainda, cuidar do domicílio e da família. Mas, além dessas tarefas, muitas vezes também recai sobre a mulher a responsabilidade de manter o sustento da casa, apenas com os ganhos de seus negócios, sem renda complementar.

De acordo com a presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), Sandra Brandani Picinato, 67,6% das empreendedoras têm seus próprios negócios como única fonte de renda, conforme apontam os dados da Pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios, de 2025, do Instituto Rede Mulher Empreendedora.

A pesquisa revelou também que 58,3% das empreendedoras são chefes de seus domicílios e que 69,4% sustentam outras pessoas apenas com sua renda individual. Portanto, para a maioria dessas mulheres, o recurso financeiro obtido com o próprio negócio é a base financeira da família.

De acordo com a Desenvolve SP, agência de fomento vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo paulistano, as empresas lideradas por mulheres têm papel fundamental no dinamismo econômico do estado de São Paulo. E, de acordo com dados do Sebrae (2025), as mulheres lideram 2,4 milhões de negócios no território paulista, sendo responsáveis pela geração de 33% dos empregos formais.

Neste cenário, Sandra Brandani Picinato chama a atenção para o fato de que 53,6% das empreendedoras possuem ensino superior, indicando um alto nível de qualificação.

Para empreender 

“Antes de tudo, é acreditar em si mesma e na sua visão. E aprender a se adaptar e a inovar. Lembre-se de que o sucesso é uma jornada, não é um destino”, afirma a presidente da Acirp, para quem é necessário ter metas claras, planejamento e gestão do tempo. “Nós precisamos encontrar tempo para gerir o tempo”, diz.

Para ela, também é essencial ter conhecimento na área em que atua. “E tem que ter paixão pelo que se faz. Isso é uma coisa muito básica que eu falo para todo mundo”, diz Picinato.

Outros aspectos importantes para empreender são a organização, a união no grupo e a liderança. “É necessário ser organizada nos trabalhos, motivar e liderar os liderados que estão com você. O grupo tem que estar junto com a gente para que possa fazer um bom trabalho. Se você não fizer isso, você não tem equipe”, avalia.

Para Picinato, algo muito importante no empreendedorismo feminino é a mulher se interessar pela gestão financeira do seu próprio negócio. A recomendação é não deixar exclusivamente para os maridos ou outras pessoas a responsabilidade de lidar com o caixa, precisa fazer junto o acompanhamento das finanças.

Escolhas

“Praticamente toda mulher empreendedora passa pela maternidade e, para isso, ela tem que se organizar, porque a jornada de trabalho começa a ficar dupla ou tripla. Tem que organizar a vida da gente, avaliar se vai trabalhar meio período ou período integral, por exemplo”, diz Picinato, que é mãe de Sofia e Luiz Henrique, que atuam com ela no grupo empresarial da família, chamado SBS Motos.

Para ela, essas escolhas vão definir, por exemplo, como se organizar com creches e escolas para os filhos, quando pequenos, bem como sobre a contratação de ajudantes, se isso for viável e necessário.

Liderança no ramo de motopeças

Sandra Brandani Picinato conta que, em 1978, decidiu fazer administração de empresa e, no seguinte (1979), iniciou um estágio na indústria de peças para motos. Foi quando percebeu que este era o caminho: trabalhar no segmento de motopeças.

Depois de atuar numa concessionária, em 1982, em 1983 teve a primeira oportunidade de negócio, quando o pai abriu uma loja de peças e acessórios para moto, que dura há 43 anos. “Nessa época, eu era a única mulher no ramo de duas rodas, praticamente não tinha mulheres à frente do comercial”, conta.

Naquela época, a ela foi destinada apenas uma pequena cota na sociedade do negócio. “Quando meu pai abriu a empresa, ele me deu 1% da empresa e ficou com os 99%”, afirma. No ano seguinte (1984), a irmã, Silvia Maria Brandani, passa a fazer parte do negócio, também com 1%. No entanto, ao irmão foram destinados 50%. Os outros 48% da empresa ficaram com o pai, parte que foi herdada pela mãe dela após o falecimento do esposo. Mas, com o passar do tempo, Picinato e a irmã tornaram-se proprietárias do negócio.

Em 2004, uma enchente, que atingiu a marca de 1,60 metro de água dentro do estabelecimento, causou prejuízos que Picinato recusou a calcular, para não se sentir desestimulada. Buscou determinação dentro de si e a ajuda dos clientes para reerguer o negócio. Hoje, comanda, junto com a irmã e seus filhos (Sofia e Luiz Henrique), um negócio que ocupa 5 mil metros quadrados de loja, além de 12 filiais.

Já com atuação na Acirp há muitos anos, em 2017 Picinato foi convidada a ser vice-presidente da entidade, historicamente comandada apenas por homens. “Nesse período, perante o estatuto, eu era a única mulher que poderia estar à frente da diretoria executiva”, diz. Já em 2023, Picinato chega à presidência da Acirp, na qual se mantém até hoje.

Parceria

A Acirp integra o Conselho Deliberativo da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e o Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), que atua no fomento ao empreendedorismo feminino. A organização paulista também está inserida no grupo G50+, movimento lançado pela CACB para fortalecer a representação política e empresarial no país.

 

IMAGEM: Fábrica de Retrato

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