Especial Mulheres | “O mercado respeita quem se posiciona com segurança e consistência”
Isabela Silva Suarez, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), diz que há cerca de 700 mil empreendedoras em seu estado, mas presença feminina em negócios de maior porte ainda é baixa

O protagonismo feminino está presente na economia baiana, especialmente no setor de serviços, afirma a presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Silva Suarez, segunda mulher a ocupar o cargo em 215 anos de história da instituição.
De acordo com a dirigente, há cerca de 700 mil empreendedoras no estado, especialmente microempreendedoras individuais (MEIs), além de micro e pequenas empresárias. Com base em dados do Sebrae, de 2025, ela afirma também que 52% dos negócios das mulheres estão no setor de serviços.
“O cenário das mulheres empreendedoras na Bahia é, ao mesmo tempo, promissor e desafiador. Elas têm uma participação expressiva no tecido econômico do estado, especialmente como microempreendedoras individuais e à frente de micro e pequenos negócios. Dados oficiais indicam que cerca de 45% dos MEIs na Bahia são mulheres”, diz a presidente da ACB.
Mas, para Isabela Silva Suarez, o fato de grande parte dos negócios estar concentrada no setor de serviço, e em menor escala no comércio, reflete tanto oportunidades quanto limitações estruturais do mercado. “Ainda há baixa presença feminina em empreendimentos de maior porte e em setores estratégicos de alta complexidade”, afirma.
Mas ter menor presença em negócios de maior porte pode ser reflexo de barreiras como a falta de acesso a crédito e ao capital para expansão. “Muitas mulheres conseguem iniciar seus negócios, mas encontram barreiras para escalar e consolidar suas empresas”, relata Suarez.
“O cenário é de avanços consistentes, com mulheres gerando renda, emprego e impacto social, mas ainda com desafios estruturais que precisam ser enfrentados para que esse crescimento se traduza em maior competitividade, sustentabilidade e protagonismo econômico de longo prazo”, reflete.
Suarez aponta, ainda, outros desafios que se apresentam à mulher empreendedora: sobrecarga de tarefas e a conquista da credibilidade e autoridade técnica. “É necessário compreender o cenário com clareza para agir com estratégia, preparo e consistência”, finaliza Suarez.
O que precisa para empreender?
“Destaco, em primeiro lugar, preparo. Empreender exige conhecimento técnico, domínio da gestão, compreensão de mercado e responsabilidade com resultados. Boa intenção não sustenta negócio. Estratégia e disciplina, sim!”, afirma a presidente da ACB.
“Em segundo lugar, autonomia. A empreendedora precisa confiar na própria capacidade de decisão e não se limitar por expectativas externas. O mercado respeita quem se posiciona com segurança e consistência”, diz.
Para ela, outro aspecto importante no empreendedorismo feminino é a construção de redes de contatos e de apoio como forma de fortalecer todo o ecossistema econômico.
E, por fim, visão de longo prazo. “Empreender não é apenas iniciar uma atividade, é construir algo sustentável, capaz de gerar emprego, renda e impacto positivo para a sociedade. Quando a mulher compreende que seu negócio pode ser instrumento de transformação, ela passa a exercer liderança”, afirma Suarez.
Reconfiguração
Para a presidente da ACB, as oportunidades de negócios são proporcionais à transformação que estamos vivendo na economia. “O ambiente empresarial está passando por uma reconfiguração importante, impulsionada pela inovação, pela digitalização e por novos modelos de gestão”. Portanto, estamos diante de um momento em que competência e preparo são os principais critérios de reconhecimento. “Para quem está pronta, o cenário é de expansão e consolidação”, acredita a presidente da ACB.
Trajetória
A presidente da ACB conta que sua trajetória no empreendedorismo começa muito antes de qualquer cargo formal. “Sou neta e filha de empresários. Cresci dentro de uma cultura de trabalho, responsabilidade e construção”, relembra.
“Desde cedo fui estimulada à autonomia e à independência. Minha mãe teve um papel fundamental ao me ensinar a comandar minha própria vida, a não me limitar pelas circunstâncias e a enxergar a sociedade de forma ampla e complexa. Essa base foi essencial para que eu me sentisse segura em ambientes historicamente masculinos e ocupasse esses espaços com preparo e convicção”, conta.
Sua atuação profissional consolidou-se na presidência da Fundação Baía Viva, onde há mais de duas décadas trabalha com o desenvolvimento sustentável da Baía de Todos os Santos. Ao longo desse período, conduziu projetos estruturantes que geraram emprego, renda e reconhecimento internacional para a Bahia.
“Em 2020, fui convidada a integrar a Associação Comercial da Bahia, coordenando o núcleo de sustentabilidade. Essa experiência aprofundou minha vivência no associativismo empresarial e na defesa institucional do setor produtivo. Após quatro anos de atuação intensa na casa, assumi a presidência da ACB, tornando-me a segunda mulher, em mais de dois séculos de história, a ocupar esse cargo”, diz Suarez.
Parceria
A ACB integra o Conselho Deliberativo da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e o Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), que atua no fomento ao empreendedorismo feminino. A organização baiana também está inserida no grupo G50+, movimento lançado pela CACB para fortalecer a representação política e empresarial no país.
IMAGEM: ACB/divulgação
