Especial Mulheres | “Foco, capacitação e network são pilares essenciais para empreender”

Elizabete Grunvald, presidente da Associação Comercial do Pará (ACP), lembra que, apesar de as mulheres representarem mais da metade da força de trabalho, elas não têm as mesmas oportunidades dos homens

Redação CACB
04/Mar/2026
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Especial Mulheres | “Foco, capacitação e network são pilares essenciais para empreender”

Saber onde se quer chegar, com foco definido, deve ser o ponto de partida para as mulheres que desejam empreender. A avaliação é da presidente da Associação Comercial do Pará (ACP), Elizabete Grunvald. “Perguntas como ‘o que eu quero?’, ‘onde quero chegar?’ e ‘o que preciso fazer para alcançar minha meta?’ devem estar na base da trajetória de sucesso do empreendedorismo feminino”, afirma. Ou seja, é preciso nortear as ações desde o início.

Mas a trajetória exige mais do que apenas ter foco. Conhecer o mercado e buscar qualificação técnica no seu segmento de atuação entram como verdadeiros pilares do negócio. “É preciso ter visão e capacidade técnica, em todos os níveis. Entender um pouco melhor de gestão, de fluxo de caixa, do melhor sistema de compras, de formação de preço. Ou seja, há que se buscar capacitação constante para entrar e permanecer no mercado. Hoje, não tem mais lugar para amadorismo”, diz Grunvald.

A presidente da ACP ressalta, ainda, um terceiro ponto para o êxito das mulheres nos negócios: ter e manter uma rede de contatos, o famoso “networking”. Na sua visão, essa é a mola propulsora do associativismo: estar em constante processo de trocas de experiências e de aprendizados, com diferentes públicos.

“Precisa olhar para o lado, ver quem está no mercado, o que já fez, como fez, aprender com os erros e acertos de outras pessoas. Então, eu sintetizaria dessa forma: ter foco, capacitação e network como pilares essenciais para empreender”, resume Elizabete Grunvald.

Desafios

Entre os desafios para as mulheres, a presidente da ACP destaca a dupla jornada de trabalho. Uma pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora, de 2025, aponta que 1 em cada 3 mulheres empreendedoras é mãe e, muitas vezes, mãe solo. Isso significa que, além de liderarem seus negócios, elas também são as principais e, frequentemente, as únicas responsáveis pelo cuidado dos filhos e pela organização da casa. Na prática, isso se traduz em sobrecarga diária. “Hoje, é muito difícil ter uma mulher que não tenha uma dupla jornada”, diz Grunvald.

Ela destaca também a falta de acesso à capacitação e ao crédito como obstáculos para as mulheres. “Esse acesso ao crédito e às oportunidades de capacitação e formação técnica ainda é precário, por vários motivos, especialmente para mulheres de baixa renda”, afirma. “E ainda precisamos enfrentar o preconceito de gênero existente na nossa sociedade. Apesar dos avanços, muitas vezes precisamos correr o dobro para mostrar que somos capazes e podemos chegar onde quisermos com competência”, conclui.

Para a presidente da ACP, os desafios para as mulheres são comuns no país. “Eu não vejo as mulheres do Pará muito diferentes das mulheres de outros lugares do Brasil, no que se refere aos desafios do empreendedorismo feminino. Ainda temos uma caminhada grande nessa trilha da equidade e no estímulo ao empreendedorismo feminino. Apesar de sermos mais da metade da força de trabalho, efetivamente, não temos as mesmas oportunidades, pela falta de capacitação e disponibilidade familiar para entrar no mercado de trabalho”, diz Grunvald.

Olhar feminino

A presidente da ACP afirma que a diversidade, em todos os níveis, é condição importante e desejável para a gestão eficaz e próspera das empresas, sejam elas grandes, médias ou pequenas. “A diversidade é necessária porque o olhar e o fazer feminino são diferentes do masculino. Não é melhor e nem pior, é diferente. Mulheres, no geral, são mais detalhistas, atentas e comprometidas. Enfim, são perfis diferentes que se complementam”, diz.

“No Pará, o mercado de trabalho feminino é mais focado no segmento de comércio e serviços. Em Belém, vivemos atualmente um movimento muito significativo e de oportunidades de negócio, impulsionadas pela realização da COP30, que gerou possibilidades de novos negócios e ampliou o setor de turismo, que é uma das vocações da cidade”, disse.

A presidente da ACP informou também que a bioeconomia (atividade baseada em recursos florestais), outra forte vocação do estado do Pará, vem sendo estimulada como nova matriz econômica e há muitas mulheres empreendedoras nesse segmento.

Perfil

Economista de formação, atuou por 20 anos no sistema financeiro antes de decidir empreender. “Com quase 40 anos, decidi abrir uma empresa de consultoria empresarial e comecei a minha trajetória no empreendedorismo. Nesse período, me associei à Associação Comercial, para buscar entender melhor o caminho e me capacitar. E posso afirmar que essa decisão foi a grande virada de chave na minha vida e na minha trajetória profissional”, diz Grunvald.

“Ou seja, trilhei esse caminho, que hoje considero de sucesso, muito a partir do suporte, do apoio e da capacitação que recebi estando na Associação Comercial do Pará”, conta.

Parceria

A ACP integra o Conselho Deliberativo da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e o Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), que atua no fomento ao empreendedorismo feminino. A organização paraense também está inserida no grupo G50+, movimento lançado pela CACB para fortalecer a representação política e empresarial no país.

 

IMAGEM: ACP/divulgação

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