Faturamento dos supermercados recua 2,73% em 2016
Segundo a Apas, a inflação elevada ao longo do primeiro semestre e o aumento no desemprego prejudicaram os negócios do setor

O faturamento real dos supermercados no Estado de São Paulo registrou queda de 2,73% em 2016 no conceito mesmas lojas (que considera as lojas em operação no tempo mínimo de 12 meses). A informação é da Associação Paulista de Supermercados (Apas).
Em dezembro, a queda foi de 1,39% em relação a dezembro de 2015, e na comparação com novembro de 2016, a alta foi de 22,79%.
No conceito de todas as lojas - consideram todas as lojas criadas no período pesquisado - houve queda de -1,95% em 2016. Em dezembro, a alta foi de 2,71% em relação a dezembro de 2015, e de 24,34% em relação a novembro.
Segundo a entidade, ao longo de 2016 as vendas caíram expressivamente quando comparadas a 2014 e 2015, diante de um cenário econômico que contemplou uma inflação mais elevada ao longo do primeiro semestre, atrelado ao aumento no desemprego e a consequente queda no rendimento das famílias.
INFLAÇÃO
O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), indicador de inflação calculado pela Apas/Fipe, fechou o ano de 2016 com alta de 7,93%.
O índice pesquisa mensalmente 225 itens em seis categorias nos supermercados. A Apas destaca em nota que na comparação com 2015, quando a inflação em 12 meses foi de 11,33%, verifica-se uma desaceleração.
Segundo a associação, a variação do IPS em 2016 registrou um primeiro semestre com elevação expressiva, sendo que em junho o Índice apontava para uma alta em 12 meses de 13,76%.
No entanto, no segundo semestre a recessão econômica, atrelada ao comportamento mais favorável dos preços das Frutas, Legumes e Verduras, contribuiu para a desaceleração dos preços de alimentos.
PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS
Os preços dos produtos industrializados fecharam 2016 com alta de 11,61%, impactados principalmente pela elevação do preço do leite, que se refletiu em aumento nos preços dos derivados do leite (17,55%).
Os óleos também pressionaram os preços dos produtos industrializados ao longo de 2016 com alta de 12,84%, diante da elevação dos preços da soja.
Outro item que pressionou os preços dos industrializados foi o açúcar, que contribuiu de maneira expressiva com a elevação de preços no grupo de adoçantes com alta de 24,47%.
No ano passado houve queda de 5,61% na categoria Produtos In Natura, com destaque para a redução dos legumes (-24,49%), diante da redução nos preços de tomate (-26,86%), pimentão (-20,65%), cenoura (-2,75%) e da redução nos preços de tubérculos (-28,12%), com a queda de preços na batata (-11,78%).
CARNES
Os preços das Carnes, Leite e Cereais (Semielaborados) registraram alta de 6% em 2016, porcentual abaixo do Índice Geral do IPS que foi de 7,93%, e esse comportamento foi influenciado pela desaceleração dos preços das Carnes Bovinas (0,07%) e redução dos preços da Carne Suína (-2,39%).
Já os demais itens puxaram os preços para cima, como é o caso de Leite (8,44%) e de Cereais (18,97%).
Os preços das bebidas alcoólicas apresentaram alta em 2016, com variação de 7,91%, reflexo da elevação no preço da vinho (23,99%).
As bebidas não alcoólicas registram alta de 10,93%, diante da elevação, principalmente, do refrigerante (14,89%). O aumento de impostos impactou em elevação de preços com reflexos nas vendas desta categoria.
Os preços dos produtos de limpeza apresentaram alta de 10,23%, impactados principalmente pela elevação nos preços do sabão em pó, com variação de 12,60%.
Os artigos de higiene e beleza apontaram alta de 7,70%, impactados pela alta nos preços do sabonete (10,37%) e do creme dental (11,51%).
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