Fazenda endurece combate às bets ilegais com bloqueio de recursos em fintechs
Governo estima que 37 instituições de pagamento sem autorização do Banco Central movimentem bilhões de reais para plataformas clandestinas e poderão ser alvo de bloqueios administrativos

O Ministério da Fazenda estima que 37 fintechs - que operam sem autorização específica do Banco Central, por serem de pequeno porte - movimentam grande parte dos recursos de bets ilegais no País. Por isso, devem ser os principais alvos de um decreto assinado nesta sexta-feira, que autoriza o governo a bloquear administrativamente esse dinheiro.
"Temos indícios de que essas 37 instituições financeiras que deram movimentação às bets ilegais são reincidentes e têm proximidade com outras investigações que correm na Polícia Federal, nos órgãos competentes, na inteligência da Receita", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista coletiva sobre o tema.
Não há estimativas sobre o volume de recursos que pode ser bloqueado e usado para financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) com base no decreto. Mas, segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, trata-se de um montante bilionário, com base nos valores envolvidos em operações do órgão e da Polícia Federal contra bets ilegais.
Na quinta-feira, 18, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 145 milhões em uma operação contra bets ilegais que haviam sido autorizadas a operar irregularmente pelo município de Bodó (RN). Mas, de acordo com Barreirinhas, a Receita identificou uma movimentação de R$ 50 bilhões no local, o que indica um fluxo de recursos expressivo por meio de instituições financeiras.
"Agora, nós temos um instrumento muito poderoso de asfixia desse pilar financeiro, dessas organizações criminosas", afirmou o secretário da Receita.
Aperto regulatório
O governo disse não poder divulgar uma lista dessas instituições. Segundo a secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Cardoso, a maior parte são instituições de pagamento (IPs) que operam sem autorização do Banco Central, por não terem atingido o volume mínimo de recursos movimentados para exigir a autorização.
O BC vem apertando o cerco regulatório a esse tipo de instituição. Desde setembro de 2025, todas as novas IPs já precisam solicitar autorização para funcionar, independentemente do volume movimentado. Além disso, a autarquia aumentou as exigências de capital social para o funcionamento de IPs e diversas outras instituições.
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