Focus reduz projeção para a inflação de 2016

Estimativa menor para o próximo ano é uma conquista do Banco Central. Mas para 2015, o pessimismo continua - com IPCA a 9,04% e PIB caindo 1,5%

Redação DC
06/Jul/2015
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Focus reduz projeção para a inflação de 2016

Apesar da piora nas projeções de curto prazo e o congelamento dos números no longo prazo, os analistas que participam do relatório semanal Focus, do Banco Central (BC), reduziram a estimativa para a inflação do próximo ano, de 5,50% para 5,45%, depois de permanecer no mesmo patamar por seis semanas consecutivas.

Assim, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2016 se aproxima um pouco da estimativa do BC de inflação de 4,8% no ano que vem.

No entanto, houve uma piora nos indicadores de curto prazo, já que a expectativa para o IPCA passou de 9% para 9,04% neste ano.  Esse patamar é o esperado também pelos economistas de instituições que mais acertam as projeções – o top 5.

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Para 2016, os analistas do top 5 esperam que a inflação fique em 5,21%. A projeção para a inflação de junho, que será divulgada nesta quarta-feira (08/07), subiu de 0,72% para 0,74% de uma semana para outra. 

O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco (Depec-Bradesco) espera que uma alta de 0,83% para o IPCA do mês passado, que deve registrar uma das maiores variações para meses de junho. 

O Focus também elevou a inflação dos preços administrados – representado por itens controlados pelo governo, como tarifas de energia, água, gás, telefone. A estimativa para o aumento desse conjunto de preços passou de 14,60% para 14,90% de uma semana para outra. 

Para o PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos pelo país), a projeção passou de queda de 1,49% para 1,50% neste ano. A estimativa é maior do que a do BC, que é de queda de 1,1% no PIB deste ano. 

A projeção menor para a inflação de 2016 foi isolada, mas ainda assim mostra uma conquista do BC em conseguir mexer com as estimativas dos analistas de mercado em relação à alta dos preços. 

Para os períodos curtos, o pessimismo continua. Em um horizonte mais longo, as estimativas ficaram congeladas de uma semana para outra desta vez, depois de apresentar ajustes para baixo semana a semana.

De acordo com a série de estatísticas consolidadas do BC, as previsões para o IPCA permaneceram em 4,70% em 2017 e em 4,50% em 2018 e 2019. 

O BC vinha comemorando a cada semana toda revisão para baixo que vinha ocorrendo, nas palavras de um diretor do BC, "de trás para frente".

A mudança da mediana para 2016 agora, ainda que pequena, de 5,50% para 5,45%, é uma luta que o BC vem travando com a manutenção do ritmo de alta da Selic em 0,50 ponto porcentual - atualmente está em 13,75% ao ano - e com discursos mais duros em relação ao combate à inflação.

Para 2015, a estimativa do Focus é que a taxa Selic fique em 14,50% - a mesma projeção da semana passada. A expectativa para o próximo ano ficou em 13,38%, maior do que os 13,21% da semana anterior. 

O grupo do Top 5 manteve a previsão de que a Selic encerre este ano em 14,25%. Para 2016, a projeção subiu de 11,75% ao ano para 12% ao ano. A expectativa para o aumento da taxa de juros na reunião que ocorre no fim de julho foi mantida em 0,50 ponto percentual (p.p.). 
 

IGPs e IPC-Fipe

O relatório do BC revelou mais uma vez um pessimismo com a inflação do atacado. O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de 2015, por exemplo, deve encerrar em 7,42%, e não mais em 7,37%, como os analistas aguardavam na semana passada ou em 7,05%, como há um mês.

O IGP-DI será divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta terça-feira (07/07). A projeção do Depec-Bradesco é de alta de 0,68% do índice, que deve refletir a recuperação dos preços agrícolas e o reajuste de mão de obra na construção civil.

O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) deste ano, segundo o Focus, deve fechar em alta de 7,32%, taxa bem maior do que a da semana passada, de 7,00%.

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Quatro semanas atrás a previsão era de 6,88%. Para 2016, a perspectiva de alta de 5,50% segue pela 48ª semana consecutiva tanto para o IGP-M quanto para o IGP-DI.

Sobre o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor), que mede a inflação para as famílias de São Paulo, a estimativa para 2015 passou de 8,58% para 8,60%. 

Um mês antes, a projeção para o IPC era de 8,35%. Para 2016, a previsão para a inflação de São Paulo ficou estável em 5,30%. Quatro semanas antes estava em 5,20%.

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*Com informações de Estadão Conteúdo

Foto: Thinkstock

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