Incerteza faz paulistano fugir das dívidas

Situação econômica e política do país desestimula a tomada de crédito e já afeta a capacidade do consumidor de poupar

Estadão Conteúdo
24/Mar/2016
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Incerteza faz paulistano fugir das dívidas

Os paulistanos seguem com medo de tomar empréstimos de acordo com a Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Em março, o indicador atingiu o menor patamar desde 2012: 15,5 pontos.

O resultado, segundo a entidade, foi resultado da diminuição da quantidade de consumidores que pretendem contrair empréstimos nos próximos três meses, de 9,9% em fevereiro para 7,5% em março. Ante março de 2015, a retração do indicador foi de 38,7%.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, o cenário macroeconômico e político atual não deixa os consumidores confortáveis para contratarem um financiamento.

"Ao mesmo tempo, houve redução da segurança de crédito após dois meses de melhora, indicando menor capacidade das famílias de poupar", afirma em nota.

O Índice de Segurança de Crédito, que mede a capacidade do consumidor de pagar dívidas, registrou queda de 2,8% na comparação com fevereiro, passando de 84 para 81,6 pontos em março. Em relação a março de 2015, a retração foi de 1,7%.

Entre os endividados, a queda mensal foi de 1,5%, enquanto entre os não endividados o índice recuou 3%. No comparativo anual, o índice de segurança de crédito dos endividados caiu 6%, enquanto o dos não endividados aumentou 5,9%.

POUPANÇA AINDA É A PREFERIDA

Ainda segundo a FecomercioSP, a poupança se manteve como a principal aplicação dos consumidores paulistanos, representando 69,1% do total ante 70,2% em fevereiro e 76,9% em março de 2015.

Mas a tendência é que, enquanto os juros se mantiverem altos, ocorra a migração para aplicações de renda fixa. A opção pela renda fixa ficou em 18,8% frente a 18,6% em fevereiro e 10,4% de março do ano passado.

Já os consumidores que usam a previdência privada como principal aplicação representaram 7,3% ante 6,6% de fevereiro e 4,3% de março de 2015.

O estudo da FecomercioSP tem o objetivo de acompanhar o interesse dos paulistanos em contrair crédito e a evolução da proporção de famílias endividadas na capital paulista que têm aplicações financeiras, o que gera um índice de risco inerente a essas operações. Os dados que compõem a PRIE são coletados em 2,2 mil entrevistas mensais realizadas na cidade de São Paulo.

FOTO: Thinkstock

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