Inflação atingirá 7,56% na projeção do mercado

Boletim Focus do Banco Central traz alta de 0,3 ponto percentual para o IPCA deste ano. Projeção para o PIB piora, com recuo passando de 3,01% para 3,21%

Agência Brasil
10/Fev/2016
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Inflação atingirá 7,56% na projeção do mercado

A projeção de instituições financeiras para a inflação deste ano continua a subir. No sexto ajuste seguido trazido pelo boletim Focus do Banco Central (BC) a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 7,26% para 7,56%. 

Para 2017, a estimativa sobe por quatro semanas consecutivas. Desta vez, passou de 5,80% para 6%. 

As estimativas de inflação estão distantes do centro da meta, de 4,5%, e neste ano supera o teto, de 6,5%. O limite superior da meta em 2017 é 6%.

Depois da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, os analistas não esperam mais por aumento dos juros básicos em 2016.

A mediana das expectativas (que desconsidera os extremos nas projeções) para o final de 2016 segue em 14,25% ao ano. Em 2017, a expectativa é de que a Selic seja reduzida e encerre o período em 12,50% ao ano. A projeção anterior era 12,75% ao ano.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve como referência para as demais taxas de juros da economia. 

Ao reajustá-la para cima, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle sobre a inflação.

O Focus também traz a projeção para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que subiu de 7% para 7,72% este ano. A estimativa para 2017 segue em 5,50%. 

Para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a estimativa passou de 7,18% para 7,29% este ano, e de 5,49% para 5,50% em 2017.

A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), foi alterada de 6,27% para 7,% em 2016. Para o próximo ano, a projeção subiu de 5,18% para 5,30%.

A projeção para os preços administrados permanece em 7,70% este ano e em 5,50% em 2017.

ATIVIDADE ECONÔMICA

Além de inflação alta, as instituições financeiras projetam retração da economia em 2016. A estimativa para a queda do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, piorou pela terceira vez seguida, ao passar de 3,01% para 3,21%. 

Para 2017, as instituições financeiras esperam por uma recuperação da economia, mas a projeção de crescimento está cada vez menor. No terceiro ajuste seguido, a estimativa de expansão foi alterada de 0,70% para 0,60%.

A projeção para a retração da produção industrial este ano passou de 3,80% para 4%. Em 2017, o setor deve se recuperar, com projeção de crescimento de 1,5%, a mesma há duas semanas.

CONTAS EXTERNAS

A estimativa para o déficit em transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços do país com o mundo, passou de US$ 33,55 bilhões para US$ 33 bilhões este ano, e de US$ 27,25 bilhões para US$ 28 bilhões em 2017.  

A projeção para o superávit comercial (exportações maiores que importações) foi alterada de US$ 37,90 bilhões para US$ 36,35 bilhões este ano, e de US$ 40 bilhões para US$ 39,3 bilhões em 2017.

A projeção para a cotação do dólar permanece em R$ 4,35, ao fim de 2016, e em R$ 4,40 ao fim de 2017.

Na avaliação das instituições financeiras, o investimento direto no país (recursos estrangeiros que vão para o setor produtivo) deve chegar a US$ 55 bilhões este ano e a US$ 60 bilhões em 2017.

A projeção para a dívida líquida do setor público passou de 40% para 40,2% do PIB este ano. Para 2017, a expectativa é que essa relação fique em 43% do PIB.

IMAGEM: Thinkstock

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