Inflação avança para 9,25%, segundo o boletim Focus

Projeção para o PIB é de queda de 1,80% neste ano. Para os analistas, a taxa básica de juros deve permanecer em 14,25% ao ano em 2015

Estadão Conteúdo
03/Ago/2015
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Inflação avança para 9,25%, segundo o boletim Focus

Pela 16ª rodada consecutiva, a perspectiva para a inflação de 2015 foi revisada para pior. A estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano avançou de 9,23% da semana anterior para 9,25% agora. Há um mês, essa projeção estava em 9,04%.

No Relatório Trimestral de Inflação de junho, o Banco Central havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.

No Top 5, grupo dos economistas que mais acertam as estimativas, a mediana das estimativas para o IPCA de 2015 passou de 9,12% para 9,27%. A nova previsão também está maior do que a de há um mês, quando estava em 9,04%.

O fim de 2016 é o foco do Banco Central neste momento, já que promete entregar a inflação no centro da meta daqui a pouco mais de um ano.

Pelos cálculos da instituição revelados no Relatório Trimestral de Inflação, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. A luta do BC no momento é tentar convencer o mercado de que chegará ao centro da meta em 2016.

A mediana das projeções para o IPCA de 2016, no entanto, ficou estancada. O ponto central da pesquisa permaneceu em 5,40%. Há um mês, estava em 5,45%. Segundo as cinco instituições que mais acertam as projeções, a mediana passou de  5,27% para 5,41%.

TAXA SELIC ESTACIONA EM 14,25% AO ANO

Depois de o Banco Central elevar a taxa básica de juros (Selic) de 13,75% para 14,25% ao ano, o mercado manteve inalteradas suas perspectivas para a Selic ao fim de 2015. 

Segundo o boletim Focus, a expectativa é de que a taxa feche o ano em 14,25% - mesma expectativa da semana anterior, de antes da reunião do Copom. Para 2016, a previsão permanece em 12% há duas semanas.

O mercado espera, agora, a ata da reunião da semana passada, programada para ser divulgada na próxima quinta-feira (06/08). Os analistas seguem, por enquanto, com a mensagem do comunicado pós-reunião do Copom, realizada na última quarta-feira (29/07).

"O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016", informou a nota da diretoria da instituição.

A pesquisa Focus, no entanto, mostrou uma diminuição das projeções para o encerramento do ano. Há quatro edições do levantamento a estimativa era de 14,50% ao ano no fim de 2015. 

O grupo Top 5 manteve a projeção para este ano: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25%.

Já para 2016, a mediana das previsões passou de 11,63% ao ano para 11,88%, o que mostra uma divisão de opinião entre os componentes desse grupo.

ECONOMIA DEVE ENCOLHER 1,8% NESTE ANO

Mais uma vez o mercado financeiro revisou para baixo suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos pelo país) de 2015. A expectativa de retração de 1,76% no Relatório de Mercado Focus foi substituída por uma queda de 1,80% agora. Há um mês, a mediana das previsões estava negativa em 1,50%.

A perspectiva de recuperação da atividade no ano que vem também segue debilitada. Ficou em 0,2% nesta segunda-feira (03/08), mesmo número da semana anterior. Um mês antes estava em 0,5%.

O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%.

Segundo o BC, essa piora foi influenciada por impactos das reduções projetadas para o setor de transformação, de -3,4% para -6%, e para a produção e distribuição de eletricidade, água e gás, de -1,4% para -5,6%, refletindo cenário de aumento da participação de termoelétricas na oferta de energia e de redução do consumo de água no primeiro trimestre do ano. Para o setor de serviços, a autoridade monetária, que até março via uma ligeira expansão de 0,1% em 2015, passou a projetar queda de 0,8%.

No boletim Focus, a projeção para a produção industrial, no entanto, foi mantida em baixa de 5%. Essa previsão segue estável há três semanas. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 4,72%. Já para 2016, a mediana das estimativas segue em alta de 1,30% - um mês antes era 1,35%.

Para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a projeção dos analistas é a de que deve encerrar 2015 em 37%  como já apontado na semana passada. Em 2016, a projeção é de 38 50%. Há quatro semanas, as medianas das previsões para esse indicador eram de, respectivamente, 37,3% e 38,05%.

FOTO: Thinkstock

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