Inflação já chega a 9,12% em 2015, segundo o relatório Focus

Só houve leve queda na expectativa para a inflação de 2016, que passou de 5,45% para 5,44%. Para o PIB, manutenção de queda de 1,50% neste ano. Diretor do Banco Central não confirma recuperação a partir do segundo semestre

Estadão Conteúdo
13/Jul/2015
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Inflação já chega a 9,12% em 2015, segundo o relatório Focus


Os economistas que participam do relatório de mercado Focus, do Banco Central (BC), elevaram a expectativa para a inflação de 2015 a 9,12% ante projeção de 9,04% na semana anterior. A taxa é superior à esperada pelo BC em seu Relatório Trimestral de Inflação, que é de 9% para este ano.

Também houve aumento para a inflação de julho, já que a estimativa apresentada no Focus subiu de 0,43% para 0,45% de uma semana para outra. Para agosto, a taxa estimada passou de 0,29% para 0,30%. 

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Apesar desse aumento, os economistas que participam do relatório reduziram a expectativa para a inflação em 2016, de 5,45% para 5,44%. 

Além disso, estacionaram alguns números, como a previsão de 14,90% de alta dos preços administrados, a estimativa de queda de 1,50% do PIB (Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços produzidos pelo país) e para a taxa básica de juros Selic, que permanece em 14,50% para este ano. 

O grupo dos que mais acertam as projeções, o top 5, manteve a expectativa para a Selic em 14,25% para o fim deste ano. Os analistas esperam aumento de 0,50 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina no dia 29 de julho.  

Apesar de aumentar a estimativa da inflação para este ano e reduzir a de 2016, os economistas mantiveram intactas as previsões para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) dos anos seguintes. Assim, a taxa permaneceu em 4,70% em 2017 e de 4,50% tanto para 2018 quanto para 2019 - exatamente no centro da meta. 

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Isso mostra que o BC vinha pouco a pouco conseguindo reduzir as projeções para o longo prazo, mas agora esse movimento perdeu um pouco o fôlego.

Na última semana houve mudança do grupo de instituições financeiras que fazem parte do Top 5 - o grupo dos analistas que mais acertam as projeções para a inflação no médio prazo. 

Com isso, houve aumento nas projeções elaboradas por esse grupo. Para a inflação de 2015, o Top 5 estima 9,12%, maior do que os 9,04% de uma semana atrás. 

Para o IPCA de 2016 foi a 5,27% ante 5,21% da semana anterior. De qualquer forma, este grupo ainda considera uma inflação menor para o ano que vem do que os 5,44% esperados pelos analistas de forma geral. 

Essa redução do IPCA para o ano que vem ganhou um pouco mais de força, já que repete um movimento da semana anterior, quando passou de 5,50% para 5,45%. 

E um dos motivos foi a inflação oficial de junho, que foi de 0,79% - a maior em 10 anos para o mês - mas melhor do que a esperada pelo mercado financeiro.

O fim de 2016 é o foco do Banco Central, que promete entregar a inflação no centro da meta neste prazo. 

Pelos cálculos da instituição, o IPCA ficará em 4,80% em 2016. A luta do BC no momento é tentar convencer o mercado de que chegará ao centro da meta em 2016.

Apesar desse horizonte para combater a inflação, há dúvidas quanto à recuperação da economia. Os economistas que participam do Focus esperam que o crescimento do PIB seja de 0,50% em 2016, mas há quatro semanas a expectativa era maior, de uma alta de 0,90%.

Na manhã desta segunda-feira (13/07), Anthero Meirelles, diretor de Fiscalização do Banco Central, demonstrou dificuldade para responder sobre o momento em que se dará a retomada do crescimento da economia.

Até agora, todos os diretores do BC vinham afirmando que a retomada se daria em algum momento do segundo semestre deste ano.

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Em evento realizado pela Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi) em São Paulo, Meirelles disse que a retomada virá em "um horizonte não muito distante".

"Não, não mudou (o discurso). Temos que acompanhar a reação da economia. A gente não tem como prever de uma maneira precisa", disse Meirelles, acrescentando que os ajustes estão na direção correta e que a recuperação virá, certamente.

Questionado se a expressão "num horizonte não muito distante" seria a frase que o mercado passaria a ouvir de outros diretores do BC daqui em diante, o diretor de Fiscalização disse que não. 

"Os ajustes já foram endereçados e agora é o tempo que a economia vai ter para poder se recuperar. Não sei quando virá, não sei quando vamos começar a observar mudanças nos indicadores, mas imagino que os ajustes vão fazer o seu trabalho na direção esperada", afirmou.

PESSIMISMO COM A INFLAÇÃO DO ATACADO

O relatório Focus revelou mais uma vez um pessimismo com a inflação do atacado. O IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) de 2015, por exemplo, deve encerrar em 7,51%, e não mais em 7,42%, como os analistas aguardavam na semana passada ou em 7,08%, como há um mês.

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) deste ano, segundo o documento, deve fechar em alta de 7,42%, taxa bem maior do que a da semana passada, de 7,32%. Quatro semanas atrás a previsão era de 6,94%. 

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Para 2016, a perspectiva de alta de 5,50% segue pela 49ª semana consecutiva tanto para o IGP-M quanto para o IGP-DI.

Sobre o IPC-Fipe, que mede a inflação para as famílias de São Paulo, a estimativa para 2015 permaneceu em 8,60% de uma semana para outra. 

Um mês antes, a projeção do mercado para o IPC era de 8,39%. Para 2016, a previsão para a inflação de São Paulo ficou estável em 5,30% pela terceira vez consecutiva.


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Foto: Thinkstock

 

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