Nos corredores de Brasília | Zé Trovão X caminhoneiros; Motta X empresários; STF X Eduardo

O julgamento do filho 03 de Bolsonaro no STF tende a elevar a temperatura política em meio a um clima já pesado na Câmara, pressionada por pautas complicadas, como o fim da 6x1 e a MP do frete

Redação DC - Brasília
15/Jun/2026
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Nos corredores de Brasília | Zé Trovão X caminhoneiros; Motta X empresários; STF X Eduardo

Pauta trancada testa governo

A semana começa com a Câmara dos Deputados sob pressão para destrancar a pauta. O projeto do governo que trata da redução da jornada de trabalho e do descanso semanal remunerado está em regime de urgência constitucional e passou a bloquear votações desde 30 de maio. A proposta, relatada pelo deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), virou o primeiro teste político da semana para o Planalto e para a articulação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Nos corredores, a leitura é simples: enquanto o texto não andar, o restante da agenda fica refém de uma pauta trabalhista de alto impacto e forte apelo popular.

Apelo popular

Pesquisa PoderData/Fiesp, realizada em 10 e 11 de junho, mostra o tamanho do desafio para o setor produtivo na disputa sobre jornada. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados se dizem totalmente a favor da PEC do fim da escala 6x1, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O dado confirma que o governo tem nas mãos uma pauta de forte apelo popular e potencial eleitoral.

Espaço para disputa

A mesma pesquisa PoderData/Fiesp, porém, indica que a narrativa ainda não está fechada. A PEC do trabalho flexível é avaliada positivamente por 60% dos entrevistados, 37% totalmente a favor e 23% parcialmente a favor. A leitura dos parlamentares é de que há espaço para mostrar que flexibilidade também é proteção: preserva empregos, amplia formalização, permite escolha e evita que uma medida de apelo eleitoral chegue ao consumidor em forma de custo mais alto.

Frete indigesto

A MP 1.343/2026, que trata do piso mínimo do frete e amplia mecanismos de fiscalização das operações de transporte rodoviário de cargas, virou ponto de tensão na Câmara. O relator é o deputado federal Zé Trovão (PL-SC), bolsonarista e historicamente ligado à pauta dos caminhoneiros.

Saia justa

A escolha colocou Zé Trovão (PL-SC) em posição desconfortável: ele relata uma medida provisória editada pelo governo Lula, criticada por setores produtivos por elevar insegurança regulatória e potencialmente pressionar o custo logístico. Entre parlamentares, a ironia circula: o deputado que se elegeu na boleia agora conduz uma proposta do Planalto sobre frete.

Quase briga

A tensão em torno da MP subiu nos corredores. Relatos de interlocutores dizem que Zé Trovão (PL-SC) quase chegou às vias de fato com um caminhoneiro durante as discussões. O episódio acendeu alerta entre parlamentares: a pauta do frete, que já é sensível por mexer com caminhoneiros, produtores, embarcadores e consumidores, pode virar crise política dentro e fora da Câmara.

Custo na mesa

Para o setor produtivo, o ponto central da MP não é apenas a fiscalização. É o impacto no Custo Brasil. A avaliação é que qualquer regra que encareça o frete bate diretamente no preço dos alimentos, na competitividade da indústria, no escoamento da safra e no bolso do consumidor.

Agro em alerta

O PL 5.122/2023, de autoria do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), que renegocia dívidas de produtores rurais, pode chegar à Câmara dos Deputados nesta semana depois de aprovado no Senado. O texto é visto pela Frente Parlamentar da Agropecuária como uma das pautas mais urgentes do semestre.

Efeito dominó

A avaliação do setor é que o endividamento rural já deixou de ser um problema restrito ao produtor. A crise atinge cooperativas, revendas, bancos, transportadoras, fornecedores e municípios dependentes da atividade agropecuária. Sem renegociação, dizem lideranças do agro, o risco é comprometer a próxima safra.

Supremo no radar

A Primeira Turma do STF deve julgar nesta terça-feira (16) a ação penal contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal, e o blogueiro Paulo Figueiredo. O caso tende a elevar a temperatura entre oposição, Supremo e governo em uma semana já carregada na Câmara.

Agenda contaminada

O cheiro de preocupação com o efeito político do julgamento toma conta do ambiente político. Uma nova escalada institucional, dizem, pode contaminar negociações sobre temas econômicos, como jornada de trabalho, frete e dívidas rurais. A Câmara precisa destravar pauta; o ambiente, porém, pode ser tomado pela disputa entre bolsonarismo e STF.

Alívio no petróleo

O anúncio de acordo entre Estados Unidos e Irã derrubou o preço do petróleo e trouxe alívio momentâneo aos mercados. Para o setor produtivo brasileiro, a queda reduz a pressão sobre diesel, frete, fertilizantes, energia e inflação.

Cautela

Apesar do alívio, entidades setoriais avaliam que o Brasil segue vulnerável a choques externos. Quando o petróleo sobe, o impacto chega rápido à produção. Quando cai, o repasse costuma demorar. A queda do barril ajuda, mas não resolve o custo logístico nem a dependência do país de combustíveis e insumos dolarizados.

 

IMAGEM: Dida Sampaio/AE

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