O novo momento da ACSP

A Associação Comercial de São Paulo se reorganizou para ampliar sua atuação e hoje a entidade é uma holding controladora de empresas que oferecem os mais variados serviços para o empresariado

Mariana Missiaggia
07/Dez/2022
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O novo momento da ACSP

Como a sua história mostra, desde o início de suas atividades a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) trabalha para facilitar o dia a dia das empresas. A iniciativa pioneira do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), criado em 1955, e que décadas depois originou uma empresa de capital aberto, a Boa Vista, é um exemplo da postura atuante e contemporânea da entidade.

A propósito, a criação da Boa Vista, em 2010, pode ser considerada mais um marco na história da Associação, a partir do qual a centenária entidade se reinventa para encarar a nova realidade do mercado, muito mais exigente, digital e aberto aos micro e pequenos empreendedores. Nesse contexto, a ACSP inicia uma reorganização administrativa e cria um rol de empresas que hoje são a sua base de sustentação.

Esse movimento, iniciado nas gestões de Rogério Amato e Alencar Burti, se materializa com Alfredo Cotait Neto, quando a ACSP lança novos produtos, como a Faculdade do Comércio (FAC-SP), a ACCredito e o Pateo 76, voltado para as startups, entre outros.

A ampliação dos serviços é acompanhada pela consolidação das finanças e a modernização das instalações de sua sede, que hoje conta com um auditório moderno, salas para reuniões preparadas para videoconferências, áreas de trabalho agradáveis, entre outras melhorias estruturais.

NOVO AUDITÓRIO DA ACSP (foto: Jefferson Oliveira)

 

Hoje, a entidade está preparada para as transformações do mercado que ocorrem em função da rápida evolução da tecnologia e, assim, segundo José Eduardo Nicolau, superintendente-geral da ACSP, tem condições de oferecer aos associados serviços que lhes permitem enfrentar quaisquer desafios.

Dando sequência a essa trajetória moderna, José Eduardo adianta o próximo lançamento da ACSP, o ACloja, previsto para março de 2023. Trata-se de um e-commerce para associados desenvolvido em parceria com a VTEX, multinacional especializada em cloud commerce. O novo serviço vai permitir que lojistas vendam seus produtos com todas as opções de logística e de pagamento já planejadas.

O superintendente destaca ainda o alcance e a representatividade da entidade por meio de suas distritais, e a forma como tem se aproximado dos lojistas com serviços que promovem evoluções no empresariado.

José Eduardo também comemora o fato de a ACSP, que tem se dedicado à capacitação dos profissionais do comércio por meio da FAC-SP, internamente ter avançado na pauta da educação. Hoje, 95% dos funcionários da entidade têm curso superior.

PATEO 76

A ascensão das startups e as oportunidades abertas por esse modelo de negócio levaram a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) a direcionar suas ações também para as áreas de tecnologia e inovação.

Jovens empreendedores se encarregaram de transformar a centenária entidade em uma Associação 4.0, um movimento encabeçado por Alessandra Ferreira de Andrade, vice-presidente da ACSP, que fortaleceu o Fórum de Jovens Empreendedores (FJE) e ajudou a criar o Conselho de Inovação (Conin), em 2019, formado por representantes do setor empresarial, tecnológico e acadêmico, além de contar com investidores e o poder público.

Alessandra explica que esse novo momento da ACSP é pautado por duas provocações: Como é possível desenvolver um ecossistema de inovações em São Paulo? E como levar essas inovações ao pequeno empreendedor?

AS INSTALAÇÕES DO PATEO 76 PERMITEM QUE STARTUPS COMPARTILHEM EXPERIÊNCIAS (foto: ACSP/divulgação)

 

Nesse contexto, outras iniciativas foram surgindo, como o Pateo 76, espaço de empreendedorismo e hub de inovação mantido pela ACSP, que aproxima investidores e agentes da inovação das startups. Localizado na rua Boa Vista, 76, na cobertura do edifício Vista Alegre, esse espaço permite que várias startups se conectem para exponencializar seus trabalhos.

Dentro do Pateo 76 foi criado o Ac boost, um programa de impulsionamento de startups que acabou de selecionar 34 empresas, entre mais de 400 inscritas, que receberam horas de mentoria oferecidas por especialistas da ACSP e do Sebrae.

"O Conin nasce, primeiramente, para trazer as principais mentes dessa nova economia para dentro das nossas discussões. O Pateo76 vem para complementar, como um espaço de conexão e relacionamento. E o Ac boost vem para mediar essa aproximação comercial entre a ACSP e as startups e ainda promover a democratização dessas tecnologias para o micro e pequeno empreendedor", diz Alessandra.

A vice-presidente da ACSP destaca ainda a importância dessa renovação para o fortalecimento do associativismo. Na visão de Alessandra, com maior engajamento e por meio de novas ferramentas tecnológicas, a ACSP está empenhada em seguir como uma entidade tradicionalmente inovadora, com maior portfólio de produtos para atender o empreendedor e diversos associados com negócios de base tecnológica.

FAC-SP

Em um mercado majoritariamente constituído por empreendedores inatos, muitas vezes os pequenos e médios varejistas nascem da experiência do “chão de loja”. Com a operação da loja pautada pelo dia a dia, algumas atividades, eventualmente, são compartilhadas com alguém da confiança do empresário, e boa parte das vezes familiares cumprem a função de mão de obra especializada.

Poucos têm a oportunidade de aprender e acumular conhecimento por meio de ações formais. Com contratados sem experiência e treinados por colaboradores que também não foram devidamente preparados, o varejo desponta como um dos setores menos qualificados, segundo Wilson Vitório Rodrigues, diretor geral da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP), mantida pela ACSP.

Mudar essa realidade, segundo Rodrigues, motivou a criação da primeira e única instituição de ensino brasileira focada no varejo. Inaugurada em 2020, em menos de dois anos a FAC-SP conseguiu se inserir entre as cinco melhores instituições de ensino privado do Brasil, segundo pesquisa de qualidade publicada pelo Guia da Faculdade, elaborado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com a Quero Educação.

OS CURSOS DA FAC BUSCAM PREPARAR OS COMERCIÁRIOS PARA O VAREJO 4.0 (foto: ACSP/divulgação)

 

Outra conquista nesta ainda curta trajetória foi a aprovação, com nota máxima do MEC (Ministério da Educação), para oferecer cursos superiores na modalidade de educação a distância.

Com o objetivo de qualificar e inserir o varejo no universo digital a partir de um modelo acadêmico baseado no desenvolvimento de competências, A FAC-SP pretende chegar a oito mil alunos em cinco anos.

Hoje, a instituição está presente em 12 estados, por intermédio de 90 associações comerciais que se tornaram polos da faculdade. Ela oferece cinco cursos de graduação: Gestão Comercial, Gestão Logística, Gestão de Recursos Humanos, Sistemas para Internet e Administração. Outros cinco deverão ser autorizados em 2023: Marketing, Gestão Financeira, Ciências Contábeis, Comércio Exterior e Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Para implementar essa grade, Rodrigues explica que a equipe acadêmica visitou pequenos, médios e grandes varejistas para entender quais são as carências dos profissionais do mercado. Neste processo, varejistas como Magazine Luiza, Preçolândia e Riachuelo passaram a apoiar a atuação da faculdade.

"Estamos formando competências para o varejo 4.0, sempre voltados para a carreira no varejo e focados em habilidades atreladas à digitalização", diz o diretor da FAC-SP.

ACCREDITO

Braço financeiro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a ACCredito foi criada em 2021 para ajudar a preencher um vácuo existente no mercado de crédito brasileiro, o de produtos voltados aos micro e pequenos empresários.

A empresa nasceu enquadrada ao cenário de transformação tecnológica, e se apresentou ao mercado como uma instituição financeira 100% digital. "Há duas décadas, restava ao empreendedor fazer as contas e aceitar. Nos últimos dez anos, começamos a desenhar uma outra perspectiva com as fintechs", diz Milton Luiz de Melo Santos, presidente da ACCredito.

Por operar em um modelo totalmente digital, a ACCredito desburocratiza a liberação do empréstimo, que pode ser realizada em algumas horas. Essa agilidade é conseguida também porque suas linhas têm como avalista o Sebrae, por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), que cobre a não-apresentação de garantias por parte do empreendedor que pretende obter o crédito.  

Tudo isso permite à fintech da ACSP oferecer taxas de juros mais competitivas que as dos bancos tradicionais, com prazo de 24 meses para pagamento dos empréstimos. “A liberação do recurso em questão de horas é algo importante para os pequenos negócios, que ainda não estão inseridos em um mercado favorável", diz Santos.

Após ter concedido crédito a mais de 1,2 mil empresas paulistas a um tíquete médio de R$ 40 mil em menos de dois anos de operação, a ACCredito agora tem planos de se tornar um banco digital de abrangência nacional. Nesta fase, a fintech terá o apoio de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, que vai ajudar a instituição a captar investidores e a ampliar sua oferta de serviços financeiros.

Seguro de que empresas como a ACCredito podem contribuir para atender a um número cada vez maior de empreendedores, com custos mais baixos e celeridade na concessão do empréstimo, Santos diz acreditar que a ACSP está ajudando a moldar o futuro da indústria bancária no país.

 

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