Para CNI, ciclo recessivo não foi revertido

Em maio, faturamento real da indústria caiu 3,8%, na comparação com abril

Estadão Conteúdo
06/Jul/2016
  • btn-whatsapp
Para CNI, ciclo recessivo não foi revertido

O retrato da indústria no mês de maio mostra que o quadro recessivo ainda não foi superado, de acordo com Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Na prática, o que os dados mostram é que o ciclo recessivo não foi revertido". De acordo com dados da CNI, o faturamento real da indústria caiu 3,8% em maio em relação a abril. O número de horas trabalhadas recuou 3,6% no mesmo período.

Castelo Branco ponderou, contudo, que, desde maio, houve acontecimentos relevantes, que já modificaram o cenário econômico.

A votação do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e a posse do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), com mudanças na equipe econômica, foram as principais mudanças desde então.

"Maio e abril foram meses politicamente conturbados, e os dados refletem isso. Mas muito mudou depois disso."

LEIA MAIS: Indústria quer ajuda para exportar mais

O gerente executivo disse ainda que as quedas no faturamento real da indústria devem ter fim em breve, uma vez que o indicador já ensaiou aumentos nos últimos meses, embora não tenham se sustentado.

"Esperamos que (retração) tenha um fim em breve, que comece a mostrar certa reversão no quadro do faturamento da indústria. A ideia é de que atingiu fundo do poço", afirmou.

No caso do emprego, a recuperação deve demorar um pouco mais, uma vez que a queda nos indicadores tem sido contínua, de acordo com Castelo Branco.

Em maio, a queda de 0,8% ante abril foi a 16ª consecutiva e levou o emprego ao nível do início de 2006. "O mercado de trabalho da indústria segue deteriorado."

CONFIANÇA

A mudança de governo proporcionou uma melhora na confiança dos empresários da indústria, mas ainda em medida insuficiente para trazer efeitos para a economia real, diz Castelo Branco.

"Entre ficar mais confiante e retomar processo de investimentos, precisa de outras condições mais objetivas."

De acordo Castelo Branco, a mudança no comando do país após o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e a consequente troca na equipe econômica acabaram tendo efeito positivo sobre a confiança.

LEIA MAIS: Empresário está mais confiante e já demonstra otimismo

A predisposição em fazer uma reforma da Previdência também contribuiu nesse sentido. Mas a confiança permanece no campo negativo, diz ele.

"Isso ainda não se transferiu para situação real das empresas. Em algum momento, consolidando expectativas positivas, pode ser que se transfira para o setor real da economia, mas é preciso outras condições. O grau de confiança ainda não é suficientemente alto ou forte para promover retomada da economia."

Uma das dificuldades mais urgentes é resolver o quadro fiscal. Castelo Branco disse que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui um teto para os gatos é importante, mas se trata de um processo "muito longo".

"No curto prazo, temos problema muito sério que é como conviver com um déficit dessa magnitude." Neste ano, o governo estima fechar as contas no vermelho, com um déficit de R$ 170,5 bilhões, seguido de novo rombo em 2017, entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões.

Na avaliação da CNI, o déficit no setor público e a elevada necessidade de financiamento do governo acabam tirando recursos do mercado que poderiam ser direcionados às empresas.

"Crédito de curto prazo é fundamental. Sem isso, as empresas têm dificuldade de operar normalmente. Mas o déficit no setor público acaba abafando o crédito direcionado ao setor privado."

CAPACIDADE INSTALADA

A indústria brasileira operou em maio num ritmo abaixo do observado em abril. O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação atingiu 77,0% no mês passado, pelo dado ajustado sazonalmente, uma leve queda em relação a abril, quando estava em 77,1%, de acordo com a CNI.

Em maio de 2015, a utilização do parque fabril era de 79,1%. Com o dado, a ociosidade da indústria alcançou a pior marca de toda a série histórica, iniciada em 2003.

Foto: Thinkstock 

O Diário do Comércio permite a cópia e republicação deste conteúdo acompanhado do link original desta página.
Para mais detalhes, nosso contato é redacao@dcomercio.com.br .

 

Store in Store

Carga Pesada