PIB cai 1,7% no terceiro trimestre do ano

Na comparação com o terceiro trimestre de 2014, a queda é de 4,5%, de acordo com o IBGE

Agência Brasil
01/Dez/2015
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PIB cai 1,7% no terceiro trimestre do ano

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou o terceiro trimestre do ano com queda de 1,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Os dados das Contas Nacionais foram divulgados hoje (1/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam a maior retração do PIB em terceiros trimestres, desde o início da série histórica, em 1996.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda chega a 4,5%. No acumulado dos últimos quatro trimestres, a retração é de 2,5%. e, no ano, de 3,2%.

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Na análise dos subsetores da economia, a agricultura teve retração de 2,4%, no período. A indústria caiu 1,3% e o setor de serviços, 1%. O consumo das famílias diminuiu 1,5% e o do governo, 0,3%.

INDÚSTRIA

A queda de 6,7% no Produto Interno Bruto (PIB) da Indústria no terceiro trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior foi a mais acentuada desde o segundo trimestre de 2009 (quando caiu 8,0%).

Com o resultado, a indústria completa seis trimestres de taxas negativas nesse tipo de comparação.

O PIB da indústria de transformação recuou 11,3%, no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo trimestre de 2014.

A queda foi puxada pelo decréscimo na produção de máquinas e equipamentos, carros, produtos eletroeletrônicos e equipamentos de informática, de borracha e de material plástico, de metal, têxteis e produtos farmoquímicos e farmacêuticos.

Também dentro da indústria, a construção civil teve retração de 6,3% na mesma base de comparação.

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De acordo com o IBGE, a indústria extrativa mineral cresceu 4,2% em relação ao terceiro trimestre de 2014, puxada pelo aumento da extração de petróleo e gás natural e pela extração de minérios ferrosos. A atividade de produção e distribuição de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana teve expansão de 1,5%.

INVESTIMENTOS

A formação bruta de capital fixo (FBCF) cai há nove trimestres. A queda de 4,0% na FBCF do terceiro trimestre de 2015 em relação ao segundo trimestre de 2015 é a nona seguida nessa base de comparação. Os investimentos caem desde o terceiro trimestre de 2013, na comparação com os trimestres imediatamente anteriores.

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Na comparação com os mesmos trimestres do ano anterior, a queda de 15% na FBCF é a sexta seguida. Os investimentos recuam nessa base de comparação desde o segundo trimestre de 2014.

IMPORTAÇÕES

A queda de 20% registrada pelas importações de bens e serviços contabilizados no PIB do país no terceiro trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior foi a mais acentuada da série histórica das Contas Nacionais Trimestrais, iniciada em 1996.

Com o resultado, as importações completam quatro trimestres de taxas negativas nesse tipo de comparação, acentuando o ritmo de queda. No segundo trimestre de 2015, o recuo tinha sido de 11,5%.

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CONSUMO DAS FAMÍLIAS

O consumo das famílias caiu 1,5% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano. Na comparação com o terceiro trimestre de 2014, o consumo das famílias mostrou queda de 4,5%.

O consumo do governo, por sua vez, subiu 0,3% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2014, o consumo do governo mostrou queda de 0,4%.

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As exportações contabilizadas no Produto Interno Bruto (PIB) diminuíram 1,8% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre de 2015. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, as exportações mostraram alta de 1,1%.

As importações contabilizadas no PIB, por sua vez, recuaram 6,9% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2014, as importações caíram 20%.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

TAXA DE POUPANÇA 

A taxa de poupança da economia brasileira ficou em 15% no terceiro trimestre de 2014. Já a taxa de investimento ficou em 18,1% no período.

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SÉRIE HISTÓRICA

A queda de 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2015 ante igual período de 2014 é o maior recuo nessa base de comparação desde o início da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996.

Também são recordes da série as quedas no PIB acumulado do ano ante igual período do ano anterior (3,2%) e no acumulado de quatro trimestres ante os quatro trimestres anteriores (2,5%).

Além disso, a queda de 1,7% no PIB do terceiro trimestre ante o segundo trimestre de 2015 é a maior, nessa base de comparação, para terceiros trimestres da série iniciada em 1996.

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A queda de 2,9% no Produto Interno Bruto dos Serviços no terceiro trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior também foi a mais acentuada da série histórica iniciada em 1996. Com o resultado, os serviços completam cinco trimestres de taxas negativas nesse tipo de comparação.

O tombo de 4,5% no Consumo das Famílias no terceiro trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior também foi a maior da serie.

O mesmo ocorreu com a queda de 15,0% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no terceiro trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior. A variação foi a mais acentuada da série iniciada em 1996 pelo órgão.

Com o resultado, a FBCF completa seis trimestres de taxas negativas nesse tipo de comparação, acentuando o ritmo de queda. No segundo trimestre de 2015, o recuo tinha sido de 12,9%, antecedido por um tombo de 10,1% no primeiro trimestre do ano.

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REVISÕES 

O IBGE revisou a variação do Produto Interno Bruto do segundo trimestre deste ano. O recuo foi de 2,1% na comparação com o primeiro trimestre de 2015. Inicialmente, o instituto havia apurado um recuo de 1,9% no período, como divulgado em agosto.

O órgão ainda revisou os resultados do primeiro trimestre de 2015 ante o quarto trimestre de 2014, de -0,7% para -0,8%, e do quarto trimestre de 2014 ante o terceiro trimestre do ano passado, de 0,0% para +0,1%.

Na comparação sem ajuste sazonal, o IBGE revisou o resultado do PIB do segundo trimestre ante igual período de 2014, de -2,6% para -3,0%, e do primeiro trimestre de 2015 em relação ao primeiro trimestre de 2014, de -1,6% para -2,0%.

Ainda sem ajuste, o órgão revisou o resultado do PIB no quarto trimestre de 2014 em relação ao quarto trimestre de 2013, de -0,2% para -0,7%.

Foto: Thinkstock

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