Projeção da inflação ultrapassa o teto da meta para 2016
Boletim Focus aponta que Selic deve ficar em 13,75% para o ano que vem

A mediana das projeções para o IPCA do ano ultrapassou o teto da meta no Relatório de Mercado Focus e está agora em 6,64%. No levantamento anterior, o ponto central da pesquisa estava em 6,50%. No levantamento de quatro semanas atrás, em 6,22%.
No caso de 2015, a mediana avançou de 10,04% para 10,33%, registrando a décima semana consecutiva em que há alta das estimativas para esta variável. Há quatro edições do documento, a mediana estava em 9,85%. No caso do Top 5 de 2015, o ponto central da pesquisa passou de 10,28% para 10,53%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 9,95%.
Para 2016, o grupo dos analistas que costuma acertar mais as estimativas, manteve a perspectiva para o IPCA em 6,98% pela segunda semana seguida. Quatro edições atrás do boletim Focus, estava em 7,30%.
No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o BC havia apresentado estimativa de 9,5% para este ano tanto no cenário de referência quanto no de mercado. Pelos cálculos da instituição revelados no RTI, o IPCA para 2016 subiu de 4,8% para 5,3% no cenário de referência e passou de 5,1% para 5,4% no de mercado. Na ata do Copom mais recente, o BC informou que suas projeções subiram ainda mais tanto no cenário de mercado quanto no de referência.
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Para a inflação de curto prazo, a estimativa para novembro subiu de 0,66% para 0,85% de uma semana para outra ante taxa de 0,6% verificada há um mês. No caso de dezembro, a taxa passou de 0,75% para 0,82%. Quatro semanas atrás estava em 0,68%. As expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente subiram mais, passando de 6,76% para 7,13% - quatro edições atrás estavam em 6,50%.
A mediana das projeções do mercado financeiro para o IPCA de 2017, que é o novo foco de atuação do Banco Central, subiu de 5% para 5,1%, na abertura do Relatório de Mercado Focus, divulgado semanalmente pela instituição. A taxa de 5,00% estava estacionada nesse patamar desde 9 de outubro. Para 2018 e 2019 não houve alteração nas estimativas do mercado: a inflação deve fechar em 5% em 2018 e em 4,5% em 2019.
Entre as instituições Top 5 - aquelas que costumam ver as suas estimativas mais próximas da realidade - não houve mudanças nas previsões divulgadas nesta segunda-feira (23/11), em relação à semana passada para o comportamento dos preços nesses três anos em questão. Para 2017, a mediana desse grupo seguiu em 5,35%; para 2018, em 5,25% e, para 2019, em 5%.
OUTROS ÍNDICES
Todas já na casa dos 10%, as previsões para os índices de preço no atacado voltaram a subir no Relatório de Mercado Focus. A mediana para o IGP-DI de 2015 passou de 10,54% para 10,9% - um mês atrás estava em 10,11%. Para 2016, a previsão central da pesquisa Focus saiu de 6% para 6,11% - quatro semanas atrás, estava em 6,00%.
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No caso do IGP-M de 2015, a taxa mediana subiu de 10,26% para 10,38%, bem acima da expectativa apresentada um mês atrás, que era 9,59%. Para 2016, o ponto central da pesquisa avançou de 6,19% para 6,29% - quatro edições anteriores estava em 6,01%.
A estimativa para o IPC-Fipe, que mede a inflação para as famílias de São Paulo, subiu de 10,26% para 10,32%. no caso de 2015 - um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 9,86%. Para 2016, a expectativa avançou de 5,12% - taxa da semana passada e também de um mês antes - para 5,46% agora.
PREÇOS ADMINISTRADOS
Faltando praticamente um mês para fechar o ano, as projeções do mercado financeiro para os preços administrados de 2015 ainda encontram espaço para subir. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a mediana das expectativas para este ano avançou de 17,00% para 17,43% de uma semana para outra. Estava em 16,11% quatro edições atrás do documento.
Para 2016, no entanto, não houve mudança das expectativas. De acordo com o documento, a mediana das estimativas para os preços administrados do ano que vem segue em 7,00%, interrompendo uma série de nove elevações consecutivas das previsões. Há um mês, a mediana das estimativas para essa variável estava em 6,6%.
O BC voltou a revisar para cima a sua projeção para os preços administrados de 2015 e 2016 em sua última ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Pelos cálculos do colegiado, o avanço será de 16,9% este ano, e não mais de 15,2% como constava na edição anterior - no documento julho estava em 14,8%; no de junho, em 12,7%; no de abril, a previsão era de 11,8%; no de março, de 10,7%, e, no de janeiro, de 9,3%.
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Para 2016, a diretoria prevê taxa de 5,8% ante variação de 5,7% apresentada na ata anterior - também estava em 5,7% em julho, mas vinha de 5,3%, em abril e junho; de 5,2%, em março, e de 5,1%, em janeiro.
Para estimar a elevação desses itens, o BC considerou uma alta de 51,7% da tarifa de energia elétrica este ano - na edição anterior, a previsão era de 49,2%. A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de 15% do preço da gasolina (antes estava em 8,9%) e de alta de 19,9% do preço do botijão de gás, substituindo a taxa de 15%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária suprimiu a apresentação de sua previsão na ata. No documento passado, a estimativa para este segmento era de uma baixa de 3,5%.
SELIC
No Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 23/11, pelo Banco Central, a mediana das expectativas para a Selic de 2016 passou de 13,25% para 13,75% ao ano, o que indica uma trajetória ainda mais conservadora para a taxa básica. Um mês antes, a mediana das projeções no boletim Focus para a Selic do mesmo período era de 13,00% ao ano.
Com essa mudança, a Selic média de 2016 foi ajustada de 14,06% para 14,16% aa. Um mês antes, a mediana das previsões para essa variável estava em 13,88% ao ano.
Para este ano, as projeções ficaram inalteradas: a Selic deve encerrar 2015 em 14,25% ao ano, taxa em que se encontra atualmente e o juro médio deste ano deve ser de 13,63% ao ano. O foco do Banco Central para a meta foi deslocado para 2017, mas com a promessa de que seguirá "vigilante".
Entre os economistas que mais acertam as projeções para o rumo da taxa básica de juros, o grupo Top 5 no médio prazo, a estimativa para 2015 ficou congelada em 14,25% ao ano - previsão apontada já há 22 semanas. No caso da mediana das previsões para 2016, segue em 13,00% aa - quatro semana antes estava em 12,75% aa.
CÂMBIO
Ainda de acordo com o boletim, o dólar deve chegar ao final deste ano comercializado a R$ 3,95, e não mais em R$ 3,96 como era o esperado até a semana passada.
Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 4,00. Apesar disso, o câmbio médio de 2015 permaneceu em R$ 3,39 de uma semana para outra - quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das expectativas estava em R$ 3,41.
Para o encerramento de 2016, a mediana das estimativas para o dólar seguiu em R$ 4,20 pela quarta semana seguida. Já o ponto central da pesquisa para a cotação média de 2016 aumentou de R$ 4,08 para R$ 4,09 de uma semana para outra. Um mês antes, a mediana estava em R$ 4,05.
SELIC
Junto com o aumento das projeções do mercado financeiro para o IPCA de 2017, os analistas promoveram também uma elevação das estimativas para a taxa básica de juros, a Selic, do mesmo período. Atualmente em 14,25% ao ano, a expectativa dos participantes do Relatório de Mercado Focus é de que a taxa encerre 2016 em 13,75% aa e, 2017, em 11,50% AA.
Até a semana passada, o prognóstico para a Selic daqui a dois anos era de 11,25%. No levantamento, foram mantidas as previsões de que a taxa básica encerrará 2018 em 10,50% aa e 2019, em 10,00% aa.
A mesma pesquisa também mostrou que o mercado jogou ainda mais para a frente a perspectiva de redução da taxa básica. Até a semana passada, havia a projeção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveria uma baixa em setembro de 2016, levando a taxa dos atuais 14,25% ao ano para 14,00%.
Agora, no entanto, o levantamento revela que a Selic só deve cair em outubro, quando deve chegar a 13,88% - o que denota uma evidente ainda diferença das projeções - uma parte do mercado acredita que a Selic estará em 13,75% ao ano nessa ocasião, enquanto outra prevê taxa de 14,00% aa.
Para dezembro, como já mostrou a pesquisa aberta, a previsão é de Selic a 13,75% ao ano e, para janeiro de 2017, de 13,00%, taxa que deve permanecer ainda em fevereiro - o BC ainda não divulgou o calendário de reuniões do Copom de 2017, por isso as previsões são feitas para os meses correntes. Em março, segundo a pesquisa do BC, a taxa estará em 12,75% ao ano e, em abril, em 12,50%.
PIB
A perspectiva de retração do Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem passou de 2,00% para 2,01%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -1,43%. Para 2015, a perspectiva de contração aumentou de 3,10% para 3,15% - um mês antes estava em queda de 3,02%.
Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. No início do mês que vem, o Instituto trará o resultado da economia no terceiro trimestre de 2015. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano.
No caso da produção industrial, a mediana das expectativas para 2015 passou de -7,40% para -7,50% - um mês antes estava em -7,00%. Para 2016, voltou de -2,15% para -2,00%. Há quatro semanas, estava em -1,50%.
Já na relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2015, a projeção dos analistas ficou inalterada em 35,50% de uma semana para outra - quatro edições antes estava em 35,85%. Para 2016, no entanto, a taxa subiu de 39,40% para 40,00% - um mês antes estava em 39,20%.
SUPERÁVIT COMERCIAL
Com a proximidade do final do ano, a melhora das estimativas para o setor externo no Relatório de Mercado Focus começa a perder força. No documento divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções para a balança comercial de 2015 ficou congelada em US$ 14,95 bilhões de uma semana para outra. Quatro boletins atrás, estava em US$ 14 bilhões. Para 2016, o ponto central da pesquisa também foi deslocado de US$ 30,55 bilhões para US$ 31,78 bilhões - quatro edições atrás do documento, estava em US$ 26,30 bilhões.
As previsões para a conta corrente, por sua vez, passaram por ajustes para baixo ante a semana anterior. No caso de 2015, passou de US$ 64,85 bilhões para US$ 64,35 bilhões - um mês antes estava em US$ 65 bilhões. Já para 2016, a perspectiva de saldo negativo diminuiu de US$ 40,95 bilhões para US$ 39,10 bilhões - um mês antes estava em US$ 46,35 bilhões.
Nos últimos meses, segundo participantes, os analistas tentam reestimar as projeções levando em consideração a mudança de metodologia da nota do setor externo, em abril. A mediana das previsões para o novo Investimento Direto no País (IDP) permaneceu em US$ 62,80 bilhões para 2015 de uma semana para outra e avançou de US$ 58 bilhões para US$ 59 bilhões no caso de 2016. Quatro semanas atrás, estava em US$ 59 bilhões.

