Projeção para inflação recua para 6,52%; PIB piora
As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,43% para queda de 3,48%, de acordo com o Relatório Focus,do Copom

Influenciados pela ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e pelos índices de preços mais recentes, os economistas do mercado financeiro mudaram suas projeções para a inflação neste e no próximo ano.
O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (12/12), mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - em 2016 foi de 6,69% para 6,52%.
Há um mês, a mediana estava em 6,84%. Já o índice para o ano que vem caiu de 4,93% para 4,90%. Há quatro semanas, apontava 4,93%.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2016 e 2017 é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos porcentuais para este ano e de 1,5 ponto porcentual para o próximo.
Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano caiu de 6,60% para 6,49%.
Na prática, isso significa que estas casas enxergam uma inflação dentro da margem já em 2016. Para 2017, a estimativa foi de 4,76% para 4,55%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 6,83% e 4,81%.
Na última sexta-feira, 9/12, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação de novembro ficou em 0,18% - abaixo das expectativas do mercado e da taxa de 0,26% de outubro.
O resultado reforçou a percepção de que o Copom, em sua reunião de janeiro, vai acelerar os cortes da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 13,75% ao ano.
O próprio BC, na terça-feira passada (6/12), havia passado indicações neste sentido ao publicar a ata do encontro do fim de novembro do comitê. Na quarta-feira, foi a vez de o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmar que um corte maior dos juros pode ser "o primeiro passo no ano que vem".
O Relatório Focus mostrou, ainda, mudanças nas projeções para os preços administrados, mas apenas para 2017. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador em 2016 seguiu em alta de 6,00%.
Para o próximo ano, a mediana foi de elevação de 5,30% para alta de 5,41%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,00% para os preços administrados em 2016 e elevação de 5,27% em 2017.
Nas projeções atuais, o BC espera alta de 5,5% para os preços administrados em 2016, de 5,9% para 2017 e de 5,3% para 2018.
PIB
O Relatório trouxe novas mudanças, para pior, nas projeções de atividade. As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,43% para queda de 3,48%. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,37%.
Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB no terceiro trimestre recuou 0,8% ante o segundo trimestre e cedeu 2,9% ante o terceiro trimestre do ano passado.
Foi a sétima queda consecutiva do PIB brasileiro. Em uma reação aos números, muitos economistas citaram a perspectiva de que a economia brasileira volte a crescer apenas a partir de 2017.
Em suas comunicações mais recentes, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC destacou que o conjunto de indicadores divulgados sugere "atividade econômica aquém do esperado no curto prazo".
Para 2017, o Focus mostra que a percepção também piorou. O mercado prevê para o País um crescimento de 0,70% no próximo ano, abaixo do 0,80% projetado uma semana antes.
Há um mês, a expectativa era de 1,13%. Em suas projeções, o Ministério da Fazenda trabalha com uma estimativa de crescimento de 1,0% para o próximo ano.
Superávit comercial
Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a balança comercial em 2016. A estimativa de superávit comercial este ano seguiu em US$ 47,00 bilhões, ante US$ 47,59 bilhões de um mês antes.
Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2016 ficará em US$ 49 bilhões.
Para 2017, as projeções de superávit comercial do mercado financeiro subiram de US$ 44,57 bilhões para US$ 45,00 bilhões de uma semana para outra - mesmo valor de um mês antes.
Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano.
Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto, de acordo com o Focus, seguiu em US$ 70,00 bilhões - mesmo valor de quatro semanas antes.
SELIC
Os economistas do mercado financeiro mantiveram a expectativa para a taxa básica no fim de 2017. O Relatório de Mercado Focus estima que a mediana das previsões para a Selic no final do próximo ano seguiu em 10,50% ao ano. Há um mês, estava em 10,75% ao ano.
Na última sexta-feira, (9/12), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação de novembro ficou em 0,18% - abaixo das expectativas do mercado e da taxa de 0,26% de outubro.
Já o BC passou indicações na semana passada, por meio da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e de declarações do presidente da instituição, Ilan Goldfajn, de que o ritmo de cortes da Selic pode aumentar em janeiro próximo.
A Selic média de 2017 passou de 11,69% para 11,63% ao ano. Há um mês, a mediana da taxa média projetada para o próximo ano também era de 11,63%.
De acordo com o Focus, a cotação da moeda americana estará em R$ 3,39 no encerramento de 2016, ante R$ 3,35 de uma semana antes. Há um mês, estava em R$ 3,22. O câmbio médio de 2016 permaneceu em R$ 3,46, ante R$ 3,43 de um mês antes.
Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio seguiu em R$ 3,45 de uma divulgação para a outra, ante R$ 3,40 de um mês antes. Já o câmbio médio de 2017 permaneceu em R$ 3,41 - estava em R$ 3,32 um mês atrás.
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