Renner anuncia retomada da expansão física com 170 lojas até 2030

Os novos empreendimentos terão 1.100 m² e custo médio estimado de R$ 5,5 mil por m², resultando em um custo entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões por loja

Estadão Conteúdo
08/Dez/2025
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Renner anuncia retomada da expansão física com 170 lojas até 2030

A Lojas Renner deve construir entre 140 e 170 lojas em cidades com até 200 mil habitantes nas quais ainda não tem presença física até 2030 de olho no crescimento das vendas tanto nos empreendimentos quanto em ambiente digital, informou o diretor-presidente da companhia, Fabio Faccio.

Nas contas do grupo, quando uma loja é inaugurada em um município, as vendas na mesma localidade crescem de 10% a 20% também nos canais digitais, o que suporta a decisão da companhia que quer manter a liderança na capilaridade que já têm no País e reforçar a estratégia de integração entre loja física e plataformas digitais. "O cliente que usa ambos os canais compra, em média, três vezes mais", disse o executivo em entrevista a jornalistas.

As lojas da marca Renner hoje têm em média 1.600 metros quadrados (m²). Os novos empreendimentos serão menores, com 1.100 m² e custo médio estimado de R$ 5,5 mil por m² resultando num custo entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões por loja, aproximadamente.

A empresa afirma, no entanto, que esta não é uma estratégia nova da companhia, que já tem 90 lojas com essas características no portfólio, mas representa, sim, uma aceleração em sua expansão física. "Nós já temos 90 lojas que já operam em cidades com até 200 mil habitantes, que são lojas rentáveis, que tem a venda e custo de operação adequados, e apresentam rentabilidade superior à média", afirmou o vice-presidente de Finanças, Administrativo e de Relações com Investidores da Renner, Daniel Martins dos Santos, na mesma ocasião.

A ampliação passa ainda pela reforma de algumas unidades e pela implantação de novas lojas de outras marcas do grupo como YouCom e Camicado. No caso da primeira, a ideia é alcançar 300 lojas da marca, que já soma 152 unidades, mas com metragem entre 250 a 450 m², portanto, maiores que as atuais. Na Camicado, porém, eventuais aumentos serão pontuais, disse o presidente. Em todos os casos, há ainda a previsão de reforma de lojas, já que os empreendimentos que passaram por modernização nos últimos anos têm performado melhor, justificou Faccio.

Ainda segundo o presidente do Grupo, a volta de um ciclo mais acelerado de expansão física retoma um ciclo observado na companhia entre 2010 e 2019, mas com investimento menor, já que a infraestrutura digital da empresa já foi consolidada, assim como a estratégia de abastecimento.

"Foi um período de investimento intensivo nosso entre 2020 e 2023, mas não tão focado em expansão. A gente abriu pontualmente algumas lojas, fechamos outras, fizemos uma gestão do portfólio de lojas então a maior parte do nosso crescimento veio da digitalização, já que o crescimento de área nesse período foi praticamente zero", afirmou Faccio.

Na mesma ocasião, o diretor administrativo da companhia disse que a empresa mapeou 450 cidades com menos de 200 mil habitantes disponíveis para a empresa entrar, mas filtrou as 170 considerando renda per capita, perfil do consumidor, entre outros dados.

Considerando essas lojas novas, o mercado endereçável soma R$ 20 bilhões e, dada a participação de mercado (marketshare) da Lojas Renner de 10% no País, a expectativa é capturar R$ 2 bilhões. A empresa não abre ainda a localização das novas lojas, mas afirma que serão distribuídas em todo o País. "Não é nenhuma ambição desproporcional, a gente vê até que o potencial existe até para mais", completou.

Decisão e expectativas

Ancorada nessa estratégia, a Renner espera manter um crescimento anual da receita líquida do varejo entre 9% e 13% de 2026 a 2030. Além disso, quer entregar um Retorno sobre o Capital Investido (ROIC) de cerca de 20% ao longo do período com um pagamento entre 50% e 80% dos lucros em dividendos.

Tudo isso, com uma redução de 2,5 a 3,5 pontos porcentuais no comprometimento de despesas em relação à receita líquida ao fim do período, quando comparado ao fechamento de 2025. Segundo os executivos, a diminuição estará ancorada no ganho de produtividade e eficiência, ainda que a expansão tenha novos custos.

"O investimento que a gente fez permitiu que a gente tivesse capacidade que nos dá um potencial de crescimento sem necessidade de investimento. Eu não tenho mais necessidade de fazer aporte de infraestrutura, as estruturas que a gente montou permitem esse crescimento", disse o diretor financeiro. "Agora, é ganhar tração nesse modelo, que já estamos fazendo", concluiu.

Questionados sobre eventuais turbulências no cenário macroeconômico em 2026, dadas questões como a inflação, os executivos ponderaram que, ainda que não se saiba quando, há perspectiva da redução de taxa de juros, e pode contribuir ainda a isenção do imposto de renda para aqueles que recebem até cinco mil reais.

"Tem renda nova entrando no circuito no primeiro semestre que muitos economistas estão falando que vai trazer um fluxo positivo para diversas categorias diversas", complementou Santos.

 

IMAGEM: divulgação

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