Rua 25 de Março tem movimento fraco na véspera de Natal
Em tom pessimista com o clima econômico do País, a maioria das lojas fechou por volta das 15 horas

"Está tão tranquilo que dá até para desfilar pela rua com as sacolas, como se eu estivesse no shopping." A frase da dona de casa Débora Viana, de 43 anos, resume bem o que foi a véspera de Natal na Rua 25 de Março, tradicional centro de compras em São Paulo. Com movimento fraco no comércio, os paulistanos atrasados que foram às compras nesta quinta-feira, 24, tiveram tranquilidade no centro da cidade.
Em tom pessimista com o clima econômico do País, a maioria das lojas fechou por volta das 15 horas. Na Clóvis Calçados, por exemplo, o ritmo de vendas decepcionou. "Eu esperava mais", disse o gerente Wesley Calado, de 33 anos. "Estamos com 10% menos de vendas do que no ano passado, tanto em volume como em receita", explicou Calado.
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Na Minas de Presentes, uma vendedora que não quis se identificar comentou que "as vendas do ano passado nem se comparam com a deste ano." Ela lamentou ainda que "a comissão de 2015 não será boa".
Uma das principais lojas da 25 de Março, a Armarinhos Fernando decidiu levar as vendas até as 17 horas. Segundo Ondamar Ferreira, gerente-geral da empresa, o movimento em dezembro deste ano superou o de 2014. "Estamos com crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, até o dia 23. 90% das vendas no mês são brinquedos." Segundo Ferreira, os consumidores estão comprando menos - o tíquete médio das vendas na loja caiu 7% com relação ao ano passado.
LEMBRANCINHA
Na 25 de Março, eram poucos os consumidores que levavam muitas sacolas para casa, reforçando a ideia de que o Natal de 2015 será mesmo de lembrancinhas. Com quatro sacolas na mão, Débora Viana diz ter gasto R$ 200. "Mas só estou levando um presente caro para casa: um helicóptero com controle remoto para o meu filho. O resto é lembrancinha mesmo", disse a dona de casa, acompanhada da filha.
A professora Gabriele Cristina Dias, de 27 anos, foi às compras para levar alguns utensílios de cozinha para preparar a ceia e também alguns presentes para os filhos. "Vou levar só uns brinquedos mesmo, porque roupa está muito caro", disse.
Segundo lojistas da região, um dos fatores para o movimento fraco na 25 de Março é o Brás: em ano de crise, os paulistanos parecem ter preferido comprar roupas, que não é o maior segmento de vendas da Rua 25 de Março. "Vim só atrás de uma lembrancinha aqui na 25. A maioria das compras eu fiz no Brás mesmo", disse a aposentada Marluce Silva, de 63 anos, com sacolas cheias de camisetas e pijamas nas mãos.
Outro comportamento comum entre os frequentadores da 25 de Março foi o de reduzir o número de presentes.
O aposentado Aílton Monteiro, de 51 anos, por exemplo, comprou apenas três: um para o filho, outro para a filha e um para os vizinhos. Para ele, o clima de Natal já não é mais o mesmo. "Antigamente, a gente vinha aqui na 25 de Março e via aquela decoração bonita, tudo enfeitado", diz. "Hoje, o Natal acabou. Ninguém mais sabe que é o nascimento de Cristo e eu estou é com medo de ser assaltado." Apesar da preocupação de Monteiro, havia forte presença de policiais militares na região na manhã desta quinta.
DIA COMUM
Com o baixo movimento, houve até quem aproveitou o clima tranquilo na 25 de Março para fazer compras que nada tinham a ver com o Natal. "Vim comprar bijuterias para mim mesma", explicou a professora de matemática Michelle Silveira, de 30 anos. "Eu sabia que ia estar vazio, porque é véspera de Natal e, por isso, nem me preocupei."
Por outro lado, até mesmo quem poderia se beneficiar com o recuo no número de consumidores na Rua 25 de Março disse que as coisas não mudaram tanto assim.
"O movimento está bem devagar mesmo, mas não adianta: o povo suja a rua do mesmo jeito", brincou o gari José Mendes, de 58 anos. "Com crise ou sem crise, o meu trabalho é o mesmo".

