SP Innovation Week debate a necessidade de atração de novos negócios para a capital
Durante o evento, Alfredo Cotait, presidente da ACSP, destacou o centro histórico da cidade como a região com maior potencial de atração de investimento de empresas

O protagonismo de São Paulo como um polo de inovação e atração de investimentos tem sido discutido no São Paulo Innovation Week (SPIW), festival global de tecnologia e inovação que reúne especialistas brasileiros e estrangeiros nas áreas de ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre outras.
Em um dos painéis, Alessandra Andrade, presidente da SP Negócios, Alfredo Cotait, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), e Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), traçaram um diagnóstico do cenário atual da cidade, que combina números recordes de abertura de empresas com alertas sobre segurança jurídica e qualificação produtiva.
As lideranças afirmaram que o ambiente de negócios em São Paulo vive um momento de transição estratégica e apontaram que a cidade busca um equilíbrio. Entre a consolidação como hub global de serviços e o desafio de revitalizar seu parque industrial e centro histórico, a capital busca se posicionar não apenas como a maior economia do país, mas como uma "cidade inteligente" capaz de exportar tecnologia e cultura.
Ao falar sobre a escala global e a nova vocação de São Paulo para negócios, Alessandra Andrade destacou que, entre 2021 e 2025, São Paulo registrou a abertura de 900 mil novas empresas. Para ela, o município deixou de ser apenas um mercado consumidor para se tornar uma plataforma de internacionalização.
"Estamos reduzindo o ISS em setores estratégicos e ajustando regulamentações para que as empresas não precisem buscar municípios vizinhos. São Paulo quer entrar definitivamente no calendário global de negócios", afirmou Alessandra.
Ela apontou setores inusitados que ganham força na pauta de exportação, como o de games, pois São Paulo abriga a maior empresa do setor no país e outras 280 desenvolvedoras; e o de arte. Segundo Alessandra, obra de arte já é o terceiro item mais exportado para os Estados Unidos a partir da capital.
Já sobre o cenário da indústria e tecnologia, o foco da discussão manteve-se no desafio da retenção de talentos. Cervone destacou que um dos principais desafios da indústria nacional é atrair mão de obra qualificada.
De acordo com ele, São Paulo está perdendo talentos para outros países por oferecer um mercado hostil para o empreendedorismo. Segundo Cervone, os jovens não pensam em trabalhar na indústria e muitos têm optado pelo mercado financeiro, alimentados pela ilusão de que irão ficar ricos em pouco tempo. "Temos o desafio de mostrar que a indústria é um bom negócio para atrair esses talentos.”
Sobre a integração entre indústria, comércio e agro, ele destacou que esse é o motor que promove 69% dos investimentos em inovação. Contudo, alertou para uma mudança geográfica: a migração de empresas para o interior do estado. "Vimos a taxa de desemprego cair drasticamente em São Paulo, mas a região metropolitana precisa de atenção para não perder sua relevância produtiva", pontuou Cervone.
Ele defendeu a transformação de São Paulo em um "porto tecnológico", inspirado no modelo do Porto Digital de Recife, com foco em logística avançada, e defendeu mais espaço para ensino e pesquisa em inovações a fim de integrar a academia com a indústria. Nas palavras de Cervone, isso pode transformar São Paulo em um grande hub de tecnologia e ajudar, também, com os acordos internacionais, como o Mercosul-União Europeia.
O centro histórico como ativo econômico
Cotait chamou atenção para o atual momento do centro histórico de São Paulo, área que ele aponta ter o maior potencial de investimento para empresas ao destacar o Plano de Intervenção Urbana (PIU) e o programa de subvenção econômica Requalifica, que financia até 25% das obras de retrofit com recursos municipais.
"É onde se tem a melhor infraestrutura, segurança pública e jurídica para que o investidor se sinta amparado", afirmou Cotait.
Por fim, o presidente da ACSP falou sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, e revelou que a ACSP já firmou parcerias com associações comerciais em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália e Holanda para ajudar Pequenas e Médias Empresas (PMEs) a se lançarem no mercado exportador.
"Os europeus estão mais preparados para o Mercosul do que nós para a Europa. Precisamos de qualificação para acessar esse mercado de 760 milhões de pessoas", disse Cotait, mencionando que nos próximos dias receberá uma delegação italiana com 20 empresas interessadas em São Paulo.
Cervone, por sua vez, recordou que o setor têxtil, em que 93% das empresas estão no Simples Nacional, ainda sofre para exportar e sugeriu um olhar atento a mercados vizinhos na América Latina e ao futuro potencial da África.
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