SPIW e SP2B: eventos de inovação prometem colocar pequenos negócios no centro da economia
Com realização em maio e agosto na capital paulista, iniciativa da SP Negócios e SMDET pretende reforçar vocação de São Paulo como hub global de inovação

Prestes a completar 472 anos, a cidade de São Paulo deve reafirmar seu protagonismo no cenário nacional e internacional de inovação ao sediar, em 2026, dois dos maiores eventos do setor: o São Paulo Innovation Week (ou SPIW, como foi apelidado) e o SP2B (de SP Beyond Business, ou Além dos Negócios). As iniciativas integram o calendário estratégico da capital paulista, que tem como objetivo reforçar o papel da cidade como hub global de inovação, economia criativa e negócios.
Os eventos foram apresentados durante o encontro “São Paulo, o Palco dos Grandes Eventos”, realizado na sede da SP Negócios, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET), na última quinta-feira (22), como parte das celebrações do aniversário da cidade.
Alessandra Andrade, presidente da SP Negócios, afirma que os dois eventos representam mais do que agendas corporativas. “Foram pensados para a cidade, levam o nome de São Paulo para o mundo e são instrumentos concretos de desenvolvimento econômico, geração de renda, empregos e fortalecimento da cadeia produtiva”, afirma.
Criado nos moldes e pelos mesmos idealizadores do Rio Innovation Week, que neste ano chega à sexta edição, o paulistano SPIW acontece nos dias 13, 14 e 15 de maio de 2026. Ao ocupar a Arena Mercado Livre no Complexo do Pacaembu, interligado à FAAP, a expectativa é reunir 90 mil visitantes, mais de 1,5 mil palestrantes, 30 conferências e 25 palcos simultâneos, além de 1 mil startups, mentorias, workshops e experiências imersivas, diz Bruna Reis, a diretora executiva do SPIW.
A proposta é criar um festival transversal e inclusivo, com temas que vão da educação e futuro do trabalho e esportes, passando por varejo, mobilidade urbana e retrofits, economia criativa, inteligência artificial e até geopolítica, afirma. “O São Paulo Innovation Week vai conectar do agro à inteligência artificial, da saúde às finanças. É um evento que fala com executivos, empreendedores, estudantes e governos, mas também se preocupa em democratizar o acesso à inovação”, destaca.
Além da programação principal, o evento terá side events gratuitos nos CEUs de áreas periféricas das zonas Norte, Sul, Leste e Oeste (Freguesia-Esperança Garcia, Silvio Santos, Papa Francisco e Paraisópolis/Heliópolis). A iniciativa, reforça Bruna, pretende levar conteúdo, palestrantes e experiências para ampliar o impacto social. “Se o nosso objetivo é transformar, é deixar um legado, é pensar no futuro, a gente precisa fazer com que isso chegue para todo mundo”, afirma.
Já o SP2B será realizado entre os dias 09 e 16 de agosto de 2026 e terá uma programação espalhada por diversos espaços dentro do Parque do Ibirapuera. O evento deve atrair cerca de 145 mil pessoas, impactar mais de 550 mil visitantes e reunir mais de 2 mil palestrantes em 26 palcos, com 750 painéis e 800 horas de conteúdo.
Rafael Lazarini, um dos idealizadores do SP2B, que foi lançado em 2025 no famoso festival SXSW, realizado anualmente em Austin, no Texas - e que por pouco não chancelou o festival paulistano -, destacou a missão de posicionar São Paulo como referência global da economia criativa. “O SP2B foi pensado para projetar São Paulo para fora, atraindo delegações internacionais e mostrando a força da inovação, da cultura e da criatividade como setores estratégicos da economia.”
Escala global e acesso democrático para PMEs
Com o anúncio do SP Innovation Week e do SP2B para 2026, a cidade de São Paulo não apenas pretende consolidar sua posição como hub global de inovação, mas também estabelecer "um novo paradigma de inclusão para os pequenos empreendedores", segundo Alessandra Andrade, da SP Negócios, que acredita que a cidade definitivamente vai entrar na onda dos grandes festivais de inovação, a exemplo de eventos globais que viraram referência, como o próprio SXSW e o Web Summit.
Mas, longe de serem eventos restritos a grandes corporações, ela reforça que os festivais paulistanos foram desenhados para servir como "ferramentas concretas de desenvolvimento econômico" ao movimentar cadeias produtivas e gerar pelo menos 20 mil empregos diretos e indiretos, já que a escala desses eventos passa, obrigatoriamente, pelos pequenos negócios.
"A proposta de 'festival' permite uma integração real entre diferentes níveis econômicos e vai ter espaços específicos para networks de mais alto nível. Mas o mais interessante é que isso tudo vai estar misturado: todo mundo vai tomar café no mesmo lugar, todo mundo vai ver a mesma palestra e todo mundo vai interagir", afirma. "Essa dinâmica quebra barreiras tradicionais, pois vai permitir que microempresários tenham o mesmo acesso a insights e conexões que grandes CEOs e investidores."
O SP Innovation Week, que ocorrerá em maio, traz uma estratégia agressiva de descentralização através de seus eventos paralelos. Ao levar palestrantes internacionais e startups para os CEUs, o evento promete garantir que a informação chegue em igualdade de condições para quem está fora do eixo central. O objetivo é fornecer ferramentas práticas para a transformação de pequenos empreendimentos, segundo Bruna Reis. “A gente sabe que em um dia não vai transformar aquele empreendedor. Mas a gente vai dar ferramentas, mecanismos e mostrar que é possível 'virar a chave' da mentalidade deles."
No caso do SP2B, o impacto nos pequenos negócios é estrutural: o festival dedicará o sábado, batizado de "Empower", à gratuidade total para o público. Este dia terá como foco um mapeamento de empreendedores e agricultores periféricos, visando dar visibilidade e alavancar talentos de áreas menos privilegiadas da cidade, segundo Rafael Lazarini.
Ele explica que é por isso que o evento vai adotar o conceito B2B2C, removendo a divisão rígida entre o corporativo e o público geral. “A gente tem uma linguagem mais alargada, mais fácil, de assimilação, para que o pequeno empreendedor absorva conteúdos sobre economia criativa, sociedade e liderança sem barreiras da linguagem corporativa tradicional."
Por isso, segundo Alessandra Andrade, a intenção é que esses festivais não sejam ações isoladas, mas parte de uma política pública, "baseada em dados reais para prever e fomentar o crescimento dos pequenos negócios nos próximos anos."
Legado e possíveis impactos
A realização dos dois eventos reforça uma tendência já observada na capital paulista. Em 2025, São Paulo registrou um crescimento de 25% no número de turistas, impulsionado principalmente por eventos de negócios e inovação, que somaram mais de 2 mil encontros ao longo do ano.
Com o São Paulo Innovation Week e o SP2B, a expectativa é ampliar ainda mais esse impacto, movimentando setores como hotelaria, transporte, gastronomia, comércio, produção cultural e audiovisual, além de consolidar São Paulo como um dos principais polos globais de inovação e grandes eventos.
Bruna Reis, do SPIW, lembra que na edição de 2025 do Rio Innovation Week a estimativa é que foram movimentados cerca de R$ 4 bilhões em negócios na cidade a partir dos quatro dias de evento - montante semelhante ao do show da Madonna, na Praia de Copacabana. "Não ouso dizer números, mas São Paulo é uma cidade que gera escala, então não vai ser muito diferente disso."
Por ser uma primeira edição, Lazarini, do SP2B, vai pela mesma linha: não há números estimados, mas só o lançamento do evento ocupou oito minutos do espaço do Fantástico e gerou R$ 50 milhões em mídia espontânea. Mas o impacto econômico deve reverberar depois. "Temos 145 mil credenciados, mas pelo menos 500 mil terão impacto direto e indireto em um evento que gera conversas, negócios e se retroalimenta. O evento não é um fim, mas um meio."
Perguntada pelo Diário do Comércio se, com a missão recente da SP Negócios à NRF, foi possível trazer algum insight sobre como integrar inovações como IA ao comércio paulistano - e assim ajudar a manter sua competitividade global -, Alessandra Andrade foi direto ao ponto: como fazer a empresa entender que ela não precisa sair daqui para vender para o mundo?
Ela citou ferramentas como o Gemini, do Google, que simplificam a jornada de compra e permitem que o consumidor encontre e adquira produtos de forma direta. "Se eu estou procurando 'camiseta branca', o sistema apresenta as opções e o pagamento é feito ali mesmo. Será que o Gemini vai colocar nas opções dele a camiseta branca da lojinha do meu bairro?", questionou.
Reforçando que o comerciante muitas vezes não percebe que seu concorrente direto agora "é da Espanha, é da Índia, do Oriente Médio, da Austrália e está competindo pelo cliente dele da rua onde ele tem um comércio", Alessandra afirmou que esse é o grande incômodo, a 'pulga atrás da orelha' trazida da NRF. "É isso que a SP Negócios também deve trabalhar esse ano: como fortalecer essas empresas para concorrerem internacionalmente mesmo atuando de forma local", sinaliza.
IMAGEM: SXSW/divulgação

