Sushi Bar aumenta faturamento de peixaria em 5 meses
O serviço já corresponde a 10% das vendas do estabelecimento, que comercializa peixes frescos no bairro da Consolação há mais de seis décadas

Fazer do limão uma limonada tem sido a tática empregada por muitos comerciantes em período de recessão. Para quem trabalha com matéria-prima importada, então, o desafio de superação é ainda maior.
Na Consolação, região central de São Paulo, uma peixaria comandada por japoneses desde 1949, ampliou os serviços oferecidos para manter o lucro do negócio da família em época de crise.
Tradicional na venda de peixe fresco para restaurantes renomados na capital, a peixaria Pacífico Pescados decidiu apostar no consumidor final, e há cinco meses contratou um sushiman, reformou o prédio e instalou um balcão, cinco banquetas, e duas mesas de quatro lugares no espaço para servir combinados de sushi e sashimi para quem trabalha e almoça na região.
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Quem decidiu a mudança foi a neta do fundador, Cristina Otsuka, 43 anos, com seu marido Celso Massato Iasaka, 41 anos. Ambos assumiram a direção do comércio no ano passado, quando sua mãe Yoshiko Otsuka, 84 anos, se aposentou.
O investimento de R$ 300 mil na reformulação do estabelecimento já rende bons frutos. Além do sushiman, outros dois assistentes foram contratados no último mês, e duas novas mesas com oito lugares serão instaladas no local, na próxima semana.
A novidade já representa 10% do faturamento da peixaria, estimado em torno de R$ 3 milhões anuais.
Além dos combinados que custam de R$ 30 a R$ 35, de acordo com o peixe escolhido, o casal também instalou uma prateleira na loja com mix de produtos orientais, como arroz, temperos e congelados.
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“Somos a única peixaria a receber peixe fresco diariamente, e sem dúvida, os clientes percebem isso na qualidade de nossos combinados”, diz Marcio Hitofhi Ychi, 40 anos, gerente da peixaria.
Com a criação do sushi bar, a peixaria, que antes fechava às 16h, estendeu seu horário de funcionamento até as 20h. O novo canal de vendas ajuda a equilibrar o estoque do negócio, fazendo promoções de combinados, e de pescados por quilo, que tem opções desde R$ 10 (sardinha), até R$ 330 (pata de centolla).
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Enquanto muitos donos de restaurantes enfrentam dificuldades para lidar com a alta do dólar, que eleva os preços dos peixes, Ychi garante que a peixaria sai beneficiada.
Além de ter boa parte de seus pescados proveniente de Santa Catarina, a peixaria também negocia com os mesmos fornecedores há mais de 60 anos. Preferencialmente, para as porções,o estabelecimento trabalha com atum (R$ 80 o quilo) e salmão (chileno R$ 75 e alasca R$ 90 o quilo).
“A variação no preço do peixe não nos permite prever muita coisa. Oferecemos o que temos no dia, e por um valor melhor negociado. Diferente de um rodízio japonês, que obrigatoriamente, tem que ter salmão à vontade.”
*FOTO: Thinkstock



