Trabalho puxa renda média em 2025, que cresce mais e renova recorde
Impulsionada também por outras fontes, como aposentadorias e pensões, rendimento médio do brasileiro cresce 5,4% em 2025 e atinge maior nível da série histórica do IBGE

A renda média de todas as fontes no Brasil alcançou R$ 3.367 por mês em 2025 e renovou o recorde de uma série histórica iniciada em 2012, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (08/05) pelo IBGE.
Conforme o órgão, o valor subiu 5,4% ante 2024, quando foi registrada a máxima anterior da pesquisa (R$ 3.195). A variação verificada em 2025 também foi mais intensa do que a de 2024 (+2,9%).
Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) - rendimento de todas as fontes. A série é divulgada em valores reais ajustados pela inflação.
Nessa versão da Pnad, o IBGE vai além do mercado de trabalho e também contabiliza recursos obtidos por meio de aposentadorias e pensões, aluguel, programas sociais do governo e aplicações financeiras, entre outros.
A renda média é a soma dos rendimentos dividida pelo número de pessoas com renda. Em 2025, 67,2% dos brasileiros tinham algum tipo de rendimento. É o maior patamar da série.
Trabalho puxa resultado
Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE, disse que o mercado de trabalho teve um "peso muito grande" para explicar o novo recorde da renda em 2025. O técnico lembrou que essa é a principal fonte de recursos da população.
O rendimento médio de todos os trabalhos chegou ao recorde de R$ 3.560 por mês em 2025. A alta foi de 5,7% em relação a 2024. O emprego vem de uma trajetória de recuperação após a crise da pandemia no país. Os ganhos também são estimulados por medidas como a política de valorização do salário mínimo.
Além de citar o impacto do trabalho, Gustavo chamou a atenção para a contribuição de outras fontes no ano passado. Uma delas, o rendimento médio obtido com aluguel e arrendamento, subiu 11,8% frente a 2024, alcançando R$ 2.526 por mês. A renda vinda de aposentadorias e pensões avançou menos (+2,1%), para R$ 2.697.
As outras fontes também abrangem o que o IBGE chama de outros rendimentos. Eles incluem, por exemplo, ganhos com aplicações financeiras em um período de juros altos no Brasil. O valor obtido em média com os outros rendimentos aumentou 3,6% em 2025, para R$ 2.302. Bolsas de estudo e patentes também são exemplos dessa categoria.
Ao ser questionado se eventuais ganhos com apostas online (bets) apareciam na pesquisa, o IBGE disse que rendimentos esporádicos não entram nos cálculos. É o caso de loterias.
A renda média de programas sociais, por sua vez, teve relativa estabilidade. Foi de R$ 870 por mês em 2025 ante R$ 875 em 2024. A conta abrange benefícios pagos pelo governo federal, como Bolsa Família e BPC, além de iniciativas de estados e municípios.
Renda do trabalho chega a 47,8% da população
A parcela dos brasileiros com renda do trabalho alcançou 47,8% no ano passado. Enquanto isso, 27,1% recebiam dinheiro de outras fontes, incluindo aposentadorias e pensões (13,8%), programas sociais (9,1%), pensão alimentícia, doação e mesada (2,3%), aluguel e arrendamento (1,9%) e outros rendimentos (1,9%).
As parcelas que contavam com rendimento do trabalho (47,8%) e aposentadorias e pensões (13,8%) bateram recorde na pesquisa. O Brasil passa por um processo de envelhecimento, o que tende a pressionar a demanda por benefícios previdenciários.
Os dados ainda fornecem recortes regionais. Em 2025, o Centro-Oeste teve a maior renda média de todas as fontes (R$ 4.052), acima do Sul (R$ 3.859) e do Sudeste (R$ 3.855). Norte (R$ 2.572) e Nordeste (R$ 2.282) vieram na sequência.
Centro-Oeste e Sul mostravam níveis similares de renda no topo da pesquisa em 2024 (R$ 3.716 e R$ 3.717, respectivamente). O crescimento no último ano, porém, foi mais intenso na primeira região. Enquanto o rendimento subiu 9% no Centro-Oeste, avançou 3,8% no Sul.
Gustavo Fontes, do IBGE, disse que a alta na renda do Distrito Federal contribuiu para o resultado do Centro-Oeste em 2025. Nessa unidade da federação, o rendimento médio teve alta de 20,2% ante 2024, para R$ 6.492. É o maior valor do Brasil. São Paulo vem em segundo, com R$ 4.106.
O Distrito Federal tradicionalmente lidera rankings de renda devido à presença de servidores da elite do funcionalismo, com salários mais elevados, o que puxa a média para cima. A ampliação do rendimento dos brasileiros é uma das bandeiras do governo do presidente Lula (PT), que tomou posse para seu terceiro mandato em 2023.
O petista deve tentar a reeleição em outubro deste ano, mas tem sido ameaçado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pesquisas de intenção de voto. O endividamento recorde das famílias em um cenário de juros elevados e o nível dos preços dos alimentos são apontados como desafios para Lula em 2026.
IMAGEM: André Lessa

