Trajetória das vendas do varejo em São Paulo muda de direção
Com quedas cada vez menos intensas, o varejo paulistano começa a reagir, mesmo operando no vermelho. Na primeira quinzena de setembro, o recuo foi de 5,3%

As quedas expressivas nas vendas do comércio da capital paulista estão ficando cada vez mais leves, o que pode ser considerado um alento aos lojistas em meio a forte recessão econômica.
Embora ainda esteja operando no negativo, o varejo tem experimentado prejuízos menores - e os números mostram que a trajetória das vendas está mudando de direção.
Na primeira quinzena de setembro, a redução média no volume de vendas à vista e a prazo foi de 5,3% na comparação com igual período do ano passado.
Os dados são do balanço elaborado pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com base em amostra da Boa Vista Serviços. Na comparação entre setembro e agosto, a variação média foi idêntica.
Assim, a queda das vendas a prazo nos primeiros 15 dias do mês foi de 3,2% na comparação com igual intervalo de 2015. No mesmo período do ano passado, comparado a 2014, as vendas parceladas haviam despencado 14,20%.
As vendas à vista também registraram um ritmo menor de redução. Na primeira quinzena do mês registraram recuo de 7,4% ante igual período de 2015. Na primeira quinzena do ano passado, a redução também havia sido superior, de 7,7%, na comparação com 2014.
O resultado revela pontos negativos e positivos. "As vendas continuam diminuindo, mas, pelo menos, em ritmo menos intenso, o que é alentador e indica que a economia pode estar voltando à rota de crescimento”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).
Segundo o economista da ACSP, Emílio Alfieri, os prejuízos menores registrados na primeira metade deste mês são explicados por outros fatores.
O primeiro deles é antecipação da primeira parcela do 13º salário aos aposentados e pensionistas - que neste ano começou a ser paga em agosto e em 2015 havia começado mais tarde, em outubro.
Outro motivo que levou a números melhores, segundo o economista, foi a base fraca de comparação - no mês de setembro do ano passado a crise estava em seu auge, com muitas demissões, levando a um recuo mais intenso das vendas do varejo.
Mais uma diferença ocorrida neste ano é o patamar da cotação do dólar, em torno de R$ 3,30 - menor do que os R$ 3,90 de setembro de 2015.
"Isso pode ter ajudado a elevar um pouco as vendas de importados neste ano, sobretudo itens de vestuário e eletroeletrônicos", diz o economista.
SAZONALIDADE
Ao menos um desses fatores, a antecipação do 13º salário, contribuiu para que as vendas parceladas na primeira quinzena de setembro crescessem 5,2%, na comparação com os primeiros 15 dias de agosto.
O recurso extra pode ter impulsionado o comércio de produtos, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
Por outro lado, as compras pagas pelo consumidor à vista despencaram 15,8%, uma queda sazonal já que a base de comparação foi a primeira quinzena de agosto, ou seja, o período do Dia dos Pais, data comercial forte em vendas de presentes de menor valor.
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