Varejo cresce em agosto mas segue perdendo ritmo

Com efeitos negativos de uma maior taxa de juros em um contexto de alto grau de endividamento das famílias, desaceleração deve continuar, segundo análise dos economistas da ACSP

Redação DC
21/Out/2025
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Varejo cresce em agosto mas segue perdendo ritmo

Em agosto, as vendas do varejo restrito (que não incluem veículos, material de construção e “atacarejo”) registraram alta de 0,2% em termos mensais e livres de efeitos sazonais, confirmando as expectativas de mercado. 

Mesmo assim, o setor continuou mostrando sinais de desaceleração, devido aos efeitos negativos da maior taxa de juros em um contexto de alto grau de endividamento das famílias. A análise é do economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

Na comparação interanual, o aumento foi 0,4%, enquanto, no acumulado em 12 meses, a alta foi de 2,2%, totalmente em linha com a projeção ante 2,5% registrado na leitura anterior. As vendas do varejo ampliado (que inclui todos os segmentos) apresentaram resultado melhor do que o esperado, em termos mensais, ao aumentar 0,9%, com ajuste sazonal. 

Por outro lado, na comparação com agosto do ano passado, houve contração (-2,1%), além de crescimento em 12 meses (+0,7%), menos intenso, em relação a julho.

Em termos interanuais, o comportamento dos segmentos do varejo restrito seguiu sendo menos heterogêneo, com seis das oito atividades mostrando crescimento. Houve retração das vendas de hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e equipamentos e material de escritório, informática e comunicação e aumento do volume comercializado de tecidos, vestuário e calçados; móveis e eletrodomésticos; combustíveis e lubrificantes; livros, jornais, revistas e papelaria; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria e outros artigos de uso pessoal e doméstico.

No varejo ampliado, itens mais ligados ao crédito, tais como veículos e material de construção, além do “atacarejo”, continuaram apresentando quedas. Aqui, aliás, houve quedas generalizadas, afirma. 

Segundo o economista, pelos motivos anteriormente mencionados prevê-se que as vendas do varejo restrito deverão desacelerar de forma gradual durante os próximos meses, "mostrando maior volatilidade nos segmentos de bens duráveis, terminando o ano com crescimento de 2,0%", sinaliza. 

IMAGEM: Freepik

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