Vendas do comércio podem estar saindo do fundo do poço
Projeção é do economista Ulisses Ruiz de Gamboa, em estudo apresentado em reunião da ACSP e da Facesp

Em reunião do Comitê de Avaliação de Conjuntura da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), nesta quinta-feira (28/04), o economista Ulisses Ruiz de Gamboa disse dispor de projeções para acreditar que este mês de abril marcou o fundo do poço para o varejo, e que a tendência é de um quadro em recuperação.
A queda real das vendas projetadas em 12 meses terminados em abril deve chegar a 5,4%. O número permanecerá negativo. Mas representa uma atenuação da crise no comércio.
Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP, disse, orientado por uma série histórica mais longa da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), que em 1982, quando do impeachment do presidente Fernando Collor, o comércio também registrou os níveis até então mais baixos, mas que a curva em seguida se reverteu.
É possível, então, que exista uma analogia entre o que ocorreu no início do governo Itamar Franco – embora a situação só se consolidasse dois anos depois, com o Plano Real – e o cenário disponível às vésperas do mais que provável impeachment de Dilma Rousseff.
Solimeu reconhece as dificuldades que Michel Temer enfrentará, com um quadro político confuso e a existência de 35 partidos potencialmente dispostos a negociar.
“Mas é hora de a sociedade dialogar com o Congresso. Estávamos acostumados a conversar apenas com o Poder Executivo, mas foi o Congresso que ouviu as ruas e votou agora do jeito que votou. ”
Para o economista, Roberto Macedo, coordenador do Conselho de Economia da ACSP, o país está em compasso de espera, e a situação permanece “extremamente grave”.
A equipe econômica de Temer deverá fazer de tudo para instituir um círculo virtuoso a partir do qual as coisas comecem a dar certo.

