Vendas do comércio têm o pior primeiro semestre em 11 anos

O ritmo de redução das vendas do comércio acelerou no segundo trimestre deste ano, com recuo de 2%. No primeiro semestre, a queda foi de 2,2%

Estadão Conteúdo
12/Ago/2015
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Vendas do comércio têm o pior primeiro semestre em 11 anos

Os meses de abril, maio e junho mostraram o quanto a recessão foi capaz de atingir o varejo. Nesse período, o comércio mostrou uma intensificação no ritmo de queda nas vendas, afirmou Isabela Nunes Pereira, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As vendas do comércio varejista restrito (que exclui materiais de construção e veículos) caíram 2% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses deste ano. Na comparação o segundo trimestre de 2014, as vendas do varejo caíram 3,5% entre abril e junho deste ano. 

Já na comparação com igual mês de 2014, o recuo foi de 2,7%,a maior queda neste mês desde 2003, quando a redução atingiu 5,8%. Na comparação com maio deste ano, a retração foi de 0,4%. 

No primeiro semestre deste ano, o varejo registrou queda de 2,2% em relação a igual período de 2014 e interrompeu 11 anos de taxas positivas. Desta forma, atingiu a maior retração desde o primeiro semestre de 2003, quando a queda foi de 5,7%.

A situação não foi melhor para o varejo ampliado (aquele que inclui as atividades de material de construção e de veículos). Esse segmento teve diminuição de 2,2% nas vendas no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano. 

Na comparação com o segundo trimestre de 2014, as vendas do varejo ampliado caíram 7,5% entre abril e junho deste ano.

"O varejo mostrou intensificação de quedas no segundo trimestre e o recuo do setor ficou muito concentrado no período. Mesmo quem ficou positivo cresceu menos", disse Isabela, do IBGE.

No segundo trimestre, as vendas de móveis e eletrodomésticos recuaram 16% em relação a igual período do ano passado, também a maior retração já observada na série. 

A restrição ao crédito e o mercado de trabalho desaquecido pesam sobre o varejo, principalmente sobre setores cujos produtos são mais caros e demandam planejamento ou financiamento.

VEÍCULOS: RECORDE NEGATIVO

As vendas de veículos também quebraram recordes negativos. A queda de 16,4% no segundo trimestre na comparação com o período entre abril e junho de 2014 foi a maior desde o segundo trimestre de 2002, segundo Isabela.

Muitos indicadores do comércio mostram uma atividade combalida, com os piores resultados desde 2003, quando as vendas encolheram em relação ao ano anterior.

"Em 2003, houve mudança de governo, com uma crise de confiança muito marcada no primeiro semestre. Já no segundo semestre, as vendas foram bem menos negativas. Em 2004, O comércio inaugurou um período de 11 anos de taxas positivas", disse a gerente.

A avaliação de Isabela é que o crédito, que estimulava o varejo, está mais restrito e mais caro. Além disso, houve aumento no índice de inflação, o que reduz o salário real. O enfraquecimento do mercado de trabalho também traz uma queda na massa de renda. 

"Renda e crédito em queda refletem nesse resultado negativo para o comércio. Em 2003, o crédito e o emprego eram piores do que agora, mas a crise era mais política. Agora, tem uma crise mais interna, passando por período em que consumidor tem baixo nível de confiança", afirmou Isabela.

CRISE CHEGA ÀS GÔNDOLAS

O mês de junho de 2015 contou com um dia útil a mais do que em igual mês do ano passado, quando foi realizada a Copa do Mundo, o que favoreceu a maioria dos setores do varejo e levou a uma retração menos intensa nas vendas. 

O setor de supermercados e hipermercados, porém, não conseguiu se beneficiar desse elemento e intensificou o ritmo de queda entre maio e junho.

"Todas as atividades mostram melhora interanual na comparação com maio, exceto hipermercados e supermercados. Mesmo com todo esse efeito estatístico jogando a favor de 2015, ele fechou com taxa negativa", afirmou Isabela.

As vendas do setor tiveram recuo de 2,7% em junho ante igual mês de 2014. 

"É um setor ligado à renda, e a massa salarial vem caindo, há perda de emprego. Tudo isso tem impacto nesse grupo. Ele costuma resistir a variações, mas vem sucumbindo às quedas consecutivas na renda", disse.

FOTO: Thinkstock

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