Volume de serviços teve queda de 4% em fevereiro, diz IBGE
O segmento é o que mais tem sofrido com a mudança no padrão de consumo das famílias brasileiras neste momento mais agudo da crise

O volume de serviços no país teve uma queda de 4% em fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgados nesta quarta-feira (13/04) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os serviços acumulam queda de 4,5% no ano e de 3,7% no período de 12 meses.
Já a receita nominal dos serviços apresentou altas de 1,9% na comparação entre fevereiro deste ano com o fevereiro de 2015, de 0,9% no acumulado do ano e de 1,2% no acumulado de 12 meses. A receita nominal não reajusta os valores de acordo com a inflação.
A queda de 4% do volume de serviços em fevereiro último foi percebida em cinco dos seis segmentos avaliados pela pesquisa do IBGE. Os maiores recuos foram observados em outros serviços (-6,1%) e serviços de informação e comunicação (-5,3%).
Também tiveram quedas os segmentos de serviços profissionais, administrativos e complementares (-4,3%), transportes, serviços auxiliares de transporte e correios (-2%) e serviços prestados às famílias (-1,4%). A única alta foi registrada no agregado especial de atividades turísticas, com crescimento de 1,3%.
AJUSTES
O segmento de Serviços é o que mais tem sofrido com a mudança no padrão de consumo das famílias brasileiras neste momento mais agudo da crise.
De modo geral, 85,9% dos brasileiros se viram obrigados a ajustar o orçamento doméstico para se defender dos efeitos do desarranjo da economia, mostra pesquisa feita pelo SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Foram ouvidos consumidores de todas as capitais e cidades do interior do País.
Os que deixaram de viajar são 75,5% dos consultados. As saídas com amigos para bares e restaurantes foram cortadas por 71,3% dos participantes. 56,8% dos entrevistados disseram que deixaram de gastar com produtos de beleza,
30,7% cancelaram serviços como internet e celular e 28,9% pediram o desligamento do serviço de TV por assinatura. Até mesmo os gastos com educação estão sendo cortados pelo brasileiro. 25,1% dos pesquisados abandonaram os cursos de idiomas, escolas particulares ou faculdades.
Outros 25,9% deixaram de cuidar da forma física e rescindiram os contratos com as academias.
Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a redução dos gastos com o setor de serviços não é ainda a "a maior fatia do bolo", mas é a que mais cresce.
A pesquisa do SPC Brasil e CNDL confirma a previsão feita no começo do ano pelo assessor econômico da Fecomercio-SP, Fábio Pina, segundo a qual 2016 seria o ano do ajuste do setor de serviços.
Nos indicadores de inflação mais recentes, os preços de serviços têm sido destaques, confirmando a previsão dos especialistas que têm apontado para a redução da atividade neste seguimento.
"A inflação, os juros elevados e o desemprego pioraram a situação financeira das famílias e, muitas vezes, exigem mudanças no padrão de gastos para se readequar à nova realidade. Apesar do momento difícil, esse é uma hora propícia para desenvolver hábitos mais saudáveis e evitar desperdícios com compras desnecessárias", orienta Marcela.
A pesquisa revela ainda que 79,1% dos consumidores consultados estão evitando comprar produtos e serviços com os quais sempre estiveram acostumados. E tem ainda os que passaram a optar por produtos de marcas mais baratas, 76,9%.
A crise tem também o seu lado pedagógico. Em virtude do seu agravamento, 87% dos entrevistados pelo SPC Brasil e CNDL admitiram que agora estão dedicando mais tempo para pesquisar preços e 80,5% estão evitando comprometer sua renda com compras de calçados e roupas. O estudo ainda revela que 44,3% dos entrevistados estão com as finanças descontroladas.
SURPRESA
É grande a percentagem dos consumidores brasileiros (73,6%) que afirmaram, durante a pesquisa, que não imaginavam há quatro anos que o País passaria pelas dificuldades atuais. 80,1% alegam estar indignados com a situação a que chegou a economia brasileira e 71,4% disseram que estão sentindo vergonha do quadro econômico atual. Outros 63,3% afirmam sentir raiva ou estresse e 48,3%, falta de esperança.
LEIA MAIS: Com menos sobra no fim do mês, intenção de compra diminui
"Depois da euforia que marcou a primeira década dos anos 2000, o pessimismo toma conta dos brasileiros. A superação do quadro de recessão depende fundamentalmente da recuperação da confiança e da resolução do impasse político.
No curto prazo, o esforço deverá centrar-se no equilíbrio das contas públicas e controle da inflação", o presidente do SPC Brasil, Honório Pinheiro.
*Com informações de Estadão Conteúd
FOTO: ThinkStock

