Refit passou a abastecer esquema do PCC com combustível, diz força-tarefa

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RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As investigações da operação Carbono Oculto, que mira a participação do PCC no mercado de combustíveis, apontam que o grupo Manguinhos, do advogado Ricardo Magro, forneceu combustíveis às empresas da organização criminosa por meio da distribuidora Rodopetro.

Segundo as investigações, a Rodopetro “assumiu o papel central” de atender empresas que ficaram sem fornecedores após a suspensão das operações da refinaria Copape. Para isso, diz a investigação, “aumentou significativamente suas aquisições do Grupo Manguinhos”.

Em nota, a Refit (novo nome da Refinaria de Manguinhos) diz que “não foi alvo da operação Carbono Oculto realizada nesta quinta-feira (28) e não tem nenhuma relação com o crime organizado”.

Mandados de busca e apreensão da operação no Rio de Janeiro miraram instalações da Rodopetro, uma delas no mesmo endereço da Refit, na zona norte da cidade, onde distribuidoras de combustíveis compartilham um terminal de abastecimento.

Até julho de 2024, a organização era abastecida pela produtora de combustíveis Copape, que atuava em conjunto com a distribuidora Aster e são parte do grupo de empresas de Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva.

O registro de operação delas foi cassado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), e “a Rodopetro se tornou o epicentro da nova dinâmica de distribuição de combustíveis do grupo”, diz a investigação.

“Ela passou a direcionar o produto importado [antes feito pela Copape/Aster] para dezenas de distribuidoras que possuem conexões com a organização criminosa”, continua. “Houve um notável aumento nas vendas da Rodopetro, com novas empresas como Orizona, Maximus e Estrela”.

Elas não compravam da Rodopetro no primeiro semestre de 2024 e passaram a adquirir valores elevados depois. A Orizona, por exemplo, teria adquirido mais de R$ 3,1 bilhões em combustíveis da Rodopetro, segundo as investigações. A Maximus, mais de R$ 1,2 bilhão, e a Estrela, mais de R$ 393 milhões.

“Ela [a Rodopetro] é a principal fornecedora de diversas dessas distribuidoras associadas”, diz força-tarefa formada por Receita Federal, Policia Federal e Ministério Público, que esteve em endereços da empresa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e no endereço da Refinaria de Manguinhos.

Em entrevista em Brasília, o governo não quis responder sobre a participação da Refit nos crimes investigados, alegando que a investigação está sob sigilo e não comentaria nomes nem de empresas nem de pessoas.

Em nota, a Refit afirmou que não foi alvo da operação desta quinta e não tem relação societária com a Rodopetro. Reforçou que a distribuidora é uma das empresas que opera em uma base de carregamento de combustíveis no terreno da refinaria.

Disse ainda que tem contribuído no combate ao crime organizado. “A companhia vem denunciando há anos para autoridades e polícias estaduais a infiltração de facções criminosas no setor de combustíveis em todo país, bem como a prática de adulteração de combustível com metanol, produto altamente tóxico.”

“Diante das denúncias já realizadas pela Refit, a empresa vem sofrendo ameaças e retaliações de criminosos, inclusive com a explosão de postos de gasolina do grupo da qual faz parte”, completou a empresa.

O grupo Manguinhos é alvo de denúncias frequentes do setor sobre concorrência desleal ao operar sem o recolhimento de impostos. Sua dívida com os estados do Rio de de São Paulo supera os R$ 20 bilhões. No Rio, fez acordo em 2023 para parcelar o débito. As divergências permanecem em São Paulo.

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