Relatório Focus do BC, divulgado na segunda-feira (21), aponta inflação no teto da meta e 'assusta bastante'

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Projeção do IPCA sai de 4,37% para 4,50% e mercado prevê Selic a 11,75%
Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
  • Segundo boletim do BC, estimativa do mercado para este ano foi a 4,50%. IPCA em 12 meses, até setembro, está acumulado em 4,42%
  • IBGE divulga na próxima quinta-feira (24) o IPCA-15 de outubro. Resultados do IPCA e do INPC saem em 8 de novembro
Por Vitor Nuzzi Compartilhe: Ícone Facebook Ícone X Ícone Linkedin Ícone Whatsapp Ícone Telegram

Na semana em que o IBGE divulgará o IPCA-15 – a ‘prévia’ da inflação oficial -, o Relatório Focus, do Banco Central (BC), aponta aumento expressivo da projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De 4,39% na semana passada, agora a estimativa para 2024 é fechar a 4,50%, exatamente no teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Foi a terceira alta seguida. Quatro semanas atrás, estava em 4,37%. Já a projeção para 2025 foi de 3,96% para 3,99%. O IPCA em 12 meses, até setembro, está acumulado em 4,42%. Na próxima quinta-feira (24) sai o resultado do IPCA-15 deste mês. Os dados fechados de outubro do IPCA e do INPC serão divulgados em 8 de novembro.

Para Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, o boletim divulgado nesta segunda-feira (21) “assusta bastante” com a alta da inflação. Segundo ele, isso aumenta as expectativas de aumento da taxa básica de juros. A próxima agenda do Copom acontecerá daqui duas semanas, dias 5 e 6 de novembro. “Vemos pressões inflacionárias persistentes, que podem forçar o Banco Central a tomar medidas mais duras em relação à Selic [de 10,75%], no Focus ela é projetada a fechar o ano em 11,75%”, afirmou. “Essa política monetária mais apertada, embora necessária para controlar a inflação, poderá impactar o consumo e o investimento, dificultando o crescimento em 2025.” A projeção para o PIB em 2025, no Focus, foi mantida em 1,93%. Para este ano, a estimativa subiu para 3,05%, ante 3,01% na semana passada. “O crescimento do PIB previsto para 2024 reflete uma economia ainda resiliente, mas o cenário de juros altos pode limitar o avanço futuro”, disse Eyng. O IBGE divulgará os resultados do PIB relativos ao terceiro trimestre em 3 de dezembro.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem mais duas reuniões neste ano. Além da agenda na primeira semana de novembro, haverá a última em 10-11 de dezembro. Na anterior, em setembro, a Taxa Selic subiu 0,25 ponto percentual para 10,75% ao ano. Nas projeções do Focus haverá duas altas de 0,5 ponto cada nas próximas reuniões do Copom. Para 2025, a estimativa é de que o ano feche com juro básico em 11,25%. Em relação ao câmbio, a projeção subiu para R$ 5,42 neste ano e foi mantida em R$ 5,40 para o próximo.

Escolhas do Editor

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, diz que a combinação de inflação mais alta e crescimento econômico moderado pode exigir que os juros se mantenham em patamares elevados por mais tempo. “Isso impacta diretamente o custo do crédito, investimentos produtivos e o consumo”, disse Lima. “Para a economia real, pode significar um ritmo mais lento de recuperação, especialmente no setor industrial e de consumo, que depende fortemente do crédito.”

Na ata divulgada após a reunião mais recente, o Copom destacou como elementos de pressão o crescimento da atividade econômica e do mercado de trabalho. Segundo o colegiado, isso torna mais desafiador o processo de convergência da inflação à meta. “A conjunção de um mercado de trabalho robusto, política fiscal expansionista e vigor nas concessões de crédito às famílias segue indicando um suporte ao consumo e consequentemente à demanda agregada”, afirmou o Copom no documento. Esse cenário exige “política monetária mais contracionista”. O ritmo dos ajustes, no entanto, será determinado pela dinâmica da inflação. A projeção do BC para o IPCA, divulgada na ata, por enquanto, é de 4,3% em 2024 e 3,7% no ano que vem.

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