[Série: Tirando o Crachá #09] Martin Luther, da BITi9: "Carreira na tecnologia está menos rígida e ambidestra"

  • Ferramentas de IA aceleram transição entre técnica e gestão. Executivo defende profissionais híbridos e “ambidestria”
  • “Aprender a aprender” é ativo central para carreira em tecnologia. Diferenciação vem da combinação entre técnica, negócio e liderança
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
No novo episódio do Tirando o Crachá, parceria da AGÊNCIA DC NEWS com Felipe Ladislau, fundador da Black H. Office, o convidado foi Martin Luther, CEO da BITi9, empresa especializada em automação, dados e inteligência artificial. Durante a conversa, o executivo afirmou que a tradicional divisão entre carreira técnica e gestão está perdendo força no mercado de tecnologia. Para ele, a chamada “carreira em Y” está menos rígida e mais próxima de um modelo de transição entre profundidade técnica e visão sistêmica. “Cada vez mais esse Y é quase paralelo. E o que a gente chama de ambidestria, que é a capacidade de ter visões múltiplas”, disse.

Na avaliação de Luther, o avanço de ferramentas de IA e plataformas de desenvolvimento mais acessíveis reduziu a distância entre perfis técnicos e funções de coordenação, tornando a migração entre trilhas menos traumática e mais frequente. “Ou seja, você sair daqui e vir para cá está muito mais rápido”, afirmou. De acordo com Luther, o mercado de tecnologia já não exige decisões tão definitivas quanto no passado. Se antes a escolha entre seguir como especialista ou assumir posições de liderança implicava uma transição longa e, muitas vezes, irreversível, hoje essa movimentação pode acontecer de forma mais fluida, conforme o contexto do negócio e o estágio da carreira.

“Acredito que a escolha, cada vez mais, é momentânea”, disse. “E as pessoas que tiverem essa habilidade vão poder mudar suas carreiras com maior flexibilidade.” Dessa forma, o profissional pode aprofundar hard skills em determinados momentos. E, em outros, atuar em cadeiras mais ligadas à gestão, orquestração de times e alinhamento estratégico. Para o executivo, o valor está justamente na capacidade de alternar entre esses papéis sem perder consistência.

Ao explicar como decidiu se aproximar mais cedo da liderança, Martin destacou a importância de ter referências de profissionais capazes de combinar domínio técnico com dinamismo relacional, algo ainda incomum no imaginário tradicional da área. “Geralmente são as pessoas fora da curva que conseguem ser ambidestras, trabalhar com o lado criativo e lógico ao mesmo tempo”, afirmou. Ele também se definiu como um “perfil híbrido”, com facilidade para circular entre conversas técnicas e discussões de negócio. 

Se a carreira em tecnologia ficou mais fluida, a principal exigência também mudou: mais do que acumular conhecimento técnico amplo, o diferencial está em manter repertório atualizado e saber se reposicionar rapidamente. Assim, Luther defende que o ativo mais valioso hoje é a capacidade de “aprender a aprender”. “Hoje eu acredito que a maior capacidade de qualquer profissional é aprender a aprender”, disse.

Além disso, ele diz que profissionais de tecnologia precisam construir diferenciação real em um mercado cada vez mais comoditizado. Para o executivo, não basta ser “bom em tudo”, é preciso entender onde o mercado atribui valor e ocupar uma prateleira mais rara. “Aquele que sabe de tudo, ele não é escasso.” Na prática, essa escassez pode vir tanto de uma especialidade técnica quanto de uma combinação incomum de competências – como repertório técnico aliado a comunicação, visão de negócio e capacidade de liderança.

A AGÊNCIA DC NEWS divulga novos episódios toda sexta-feira. O programa também está disponível no Spotify e no YouTube.

Escolhas do Editor
Voltar ao topo