[Série: Tirando o Crachá #04] Flávia Camanho, do Fluxo: "Hoje, bons líderes não detêm o saber, mas mediam o conhecimento"

  • Executivas debatem carreira, liderança e futuro do trabalho em episódio especial do Tirando o Crachá no espaço Inovabra, do Bradesco
  • Pesquisa mostra que 78% das empresas já usam IA em recursos humanos. Alerta é que domínio da IA se torna critério de contratação
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Em episódio especial do Tirando o Crachá, uma parceria da AGÊNCIA DC NEWS com Felipe Ladislau, fundador da Black H. Office, a conversa ocorreu durante o lançamento do videocast no espaço Inovabra, do Bradesco, em São Paulo. O papo foi com Fernanda Sobral (diretora de marketing B2B da Kob), Flávia Camanho (fundadora Instituto Fluxo) e Vanessa Pimentel (head de recursos humanos na Templo). As convidadas abordaram carreira e o futuro do trabalho, em especial, o perfil das lideranças, que passou ser uma ferramenta ativa apenas de conhecimento e ganha características de mediação. “O líder já teve esse papel do sábio. Hoje em dia, o time sabe muito mais”, disse Flávia Camanho durante o painel. Ela argumenta que a inteligência artificial está desconstruindo o modelo de liderança baseado na retenção de conhecimento. “Quando a informação circula livremente, o líder deixa de ser o detentor do saber e passa a ser um mediador.”

Para Camanho, o verdadeiro vácuo não está no acesso à tecnologia, mas na “musculatura” que só se desenvolve no contato humano: leitura de contexto, escuta ativa e capacidade de conduzir diálogos difíceis, competências que nenhuma ferramenta substitui. “Tem jovens ultratalentosos  que pelo acesso à informação chegam rapidamente em cadeiras de liderança,  mas não têm musculatura”, afirmou. Segundo ela, esses profissionais apresentam dificuldade em dar feedback, ler contexto e entender do quê e com quem se está falando. A executiva reforça ainda que o conflito é essencial para a construção de “musculatura” e evitá-lo gera líderes frágeis.

Nessa linha, Fernanda Sobral afirmou que, de forma geral, as chamadas “soft skills” são mais faladas do que praticadas – há distorções entre o discurso corporativo frente a realidade do mercado de trabalho. “São palavrinhas da moda que todo mundo usa,  mas acho que elas são muito usadas e pouquíssimo praticadas”, disse. A diretora de marketing disse ainda que é necessário ter a curiosidade e a humildade como competências centrais: a falsa sensação de domínio técnico trava o aprendizado. “É uma curiosidade com humildade e empatia no sentido de  realmente calçar o calçado do outro”, afirmou. “Mas numa perspectiva também de menos de sabe-tudo.”

Outro assunto tratado de forma mais intensa durante o painel foi o papel da IA na construção de carreira, recrutamento e poder nas empresas. Conforme levantamento da plataforma Think Work, 78% das empresas brasileiras já utilizam IA nas funções de recursos humanos. Assim, Vanessa Pimentel, que participou do segundo episódio do Tirando o Crachá, afirma que a proficiência na ferramenta se torna critério de contratação, tal qual com o conhecimento de outro idioma. Porém, faz um alerta: o uso superficial, para mensagens automáticas e tarefas triviais, não garante relevância profissional. “Muitos de nós já usamos, mas o quanto você efetivamente consegue fazer um bom uso?”

A AGÊNCIA DC NEWS divulga os episódios toda sexta-feira, que também estarão disponíveis no Spotify e YouTube.

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