WEForum firma acordos com Índia e Moçambique. Desigualdade de gênero no comércio exterior é barreira a ser quebrada, dizem lideranças

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Ana Claudia Badra Cotait, presidente do CMEC Nacional durante abertura do WEForum 2026
Divulgação CACB
  • Ana Claudia, presidente do CMEC: "É vital trazer CEOs globais para debater com líderes nacionais e gerar parcerias estratégicas no WE Forum"
  • Mônica Monteiro, WBA do Brics: "Buscamos caminhar em rede para garantir proteção social na área financeira e de negócios para as mulheres"
Por Da Redação

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
Brasília sediou a 5ª edição do WEForum, nesta terça (3), realizado pelo Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), ligado à ACSP, Facesp e CACB. E o Brasil deu um passo importante ao assinar acordos de cooperação com a Índia e Moçambique para fortalecer o empreendedorismo feminino internacional. O encontro buscou soluções para o fato de que somente 14% das exportadoras brasileiras têm liderança feminina, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Mais uma barreira, entre tantas, a ser quebrada pelo gênero, como destacaram as lideranças no evento. Segundo a presidente do CMEC, Ana Claudia Badra Cotait, a união global é o caminho para mudar esse cenário restrito. “É fundamental trazer CEOs internacionais para discutir assuntos com CEOs nacionais e gerar conhecimento, networking e parcerias estratégicas”, disse.

O acordo com Moçambique focará em capacitação e formalização, enquanto a parceria com a Índia mira em inovação e inteligência artificial. Essas medidas são urgentes, afirmaram as lideranças femininas no evento. O evento integra o Movimente 2026, do Sebrae-DF, e reforça o compromisso com a autonomia econômica e a igualdade de gênero nas transações globais. O cenário para a internacionalização de empresas lideradas por mulheres revela obstáculos estruturais que vão além da burocracia comum. Os dados do MDIC apontam que empreendedoras brasileiras enfrentam desafios com custos de exportação , muitas vezes por falta de acesso a redes de crédito facilitado e informação estratégica.

Nesse contexto, o fortalecimento de blocos como o Brics torna-se uma ferramenta de sobrevivência e expansão. Para Mônica Monteiro, presidente do capítulo brasileiro da Women’s Business Alliance (WBA) do Brics, a união global é a chave para mitigar esses custos e riscos. “O evento está consolidando o que buscamos: caminhar em rede para garantir proteção social na área financeira e de negócios”, afirmou. Sem essa estrutura de apoio, a tendência é que os impasses continuem a frear o potencial de crescimento de negócios femininos em mercados competitivos como o asiático e o africano. A rede de apoio internacional funciona como um mecanismo de compensação para as falhas de mercado, segundo Mônica.

A parceria estratégica estabelecida com a Índia foca na transferência de conhecimento em áreas de fronteira, como a inteligência artificial e a inovação tecnológica aplicada à educação empreendedora. Para as brasileiras, o acesso a essas ferramentas é vital para otimizar a gestão logística e reduzir os custos operacionais que hoje sobrecarregam as empresas lideradas por mulheres. Ao automatizar processos burocráticos e utilizar análise de dados para prospecção de mercados, as empreendedoras ganham a competitividade necessária para enfrentar gigantes globais. Carla Pinheiro, presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da FIRJAN, a diversidade de experiências entre os países é o que torna essa evolução possível no ambiente de negócios.

“A gente percebe que as dores são iguais no mundo e essa troca internacional é muito importante para nós”, disse. Esse intercâmbio tecnológico permite que micro e pequenas empresas brasileiras adotem padrões de eficiência indianos, conhecidos pela escalabilidade. Assim, a tecnologia deixa de ser um luxo para se tornar o motor que permitirá a essas mulheres romperem a barreira dos 14% de participação. Além das barreiras tecnológicas, o isolamento das lideranças femininas surge como um obstáculo invisível que o WEForum buscou combater por meio da cooperação com Moçambique.

O acordo firmado entre o CMEC e a empresa Kumera foca no associativismo, um modelo que permite que pequenas produtoras se unam para ganhar escala e dividir riscos, algo essencial em mercados com menor proteção social. Para a especialista Amrita Bahr, integrante da Organização Mundial do Comércio (OMC), o valor desses encontros reside justamente na quebra desse isolamento que enfraquece a mulher no comércio. “Fóruns como este dizem que não estamos sozinhas e que somos um grupo forte de especialistas e gestoras”, disse. Ela também disse que ao exportar a experiência brasileira de organização em conselhos de mulheres, o Brasil ajuda a criar em Moçambique um ecossistema mais resiliente e formalizado.

Essa proteção em rede é o que permite que a empreendedora se sinta segura para arriscar a internacionalização, sabendo que faz parte de um coletivo que compartilha inteligência e suporte mútuo para crescer. O encerramento da etapa presencial do WEForum em Brasília reforça que a autonomia financeira das mulheres não é apenas uma pauta social, mas uma urgência para o crescimento do PIB global. Dentro do cronograma do Movimente 2026, as ações de março servem como um chamado para que as políticas de incentivo à exportação se tornem permanentes e escaláveis. A consultora e conselheira Roseane Santos enfatizou que o momento atual exige um compromisso mais agressivo com a mudança dos indicadores de liderança no país. “Cabe a nós, de maneira exponencial e estratégica, escalar esses números em pés de igualdade para termos mulheres na liderança”, afirmou.

De acordo com o CMEC, com a continuidade dos debates em formato digital até o dia 6, e as rodadas de negócios na plataforma ConnectAmericas, a expectativa é que os acordos com Índia e Moçambique gerem frutos imediatos. Ao atacar o custo de gênero e investir em inovação, o Brasil pavimenta um caminho onde a presença feminina no comércio exterior deixe de ser uma exceção estatística para se tornar uma força motriz consolidada.

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