Novas regras do BC, falta de mão de obra e adequações tecnológicas adiam em um ano entrada da Checkout.com no Brasil

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Juarez Borges Filho, CEO do grupo no Brasil, diz que contratação de mão de obra tem sido desafiadora
(Divulgação)
  • Com plano de iniciar operação no Brasil no segundo semestre de 2026, empresa também enfrenta desafios com parceiros, clientes e mão de obra
  • Globalmente, plano da companhia é apresentar crescimento na ordem dos 30%, e Brasil será um mercado estratégico para alcançar as metas
Por Anna Scudeller

[AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DC NEWS]
A plataforma de pagamentos britânica Checkout.com pretende manter a média de crescimento em 30% em todo o mundo, mas no Brasil a situação ainda é diferente. Devido às mudanças regulatórias do Banco Central durante 2025, em que se tornou obrigatória a necessidade de licença para a operação de todas as empresas de adquirência, a estreia da companhia no país, prevista para o segundo semestre do ano passado, foi adiada. “Conseguimos a licença em poucos meses, mesmo com regras mais duras”, afirmou Juarez Borges Filho, CEO da empresa no Brasil, em entrevista exclusiva à AGÊNCIA DC NEWS. Agora, a expectativa é que a Checkout.com comece a operar em totalidade até o início do segundo semestre. O delay também foi necessário, segundo o executivo, para os ajustes finais relacionados à contratação de mão de obra local e adequação dos parceiros e clientes nacionais para a nova tecnologia.

Conforme a Resolução BCB n° 80/2021, até então as instituições de pagamento deveriam solicitar autorização formal de funcionamento ao BC somente se apresentassem movimentação de recursos superior a R$ 500 milhões no período de 12 meses. Com a divulgação da Resolução BCB nº 494/2025 em setembro, torna-se mandatória a licença para a execução das atividades. As novas diretrizes do BC visam reforçar a solidez, a segurança e a gestão de riscos no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). O principal tópico de mudança é a regulação de fintechs e instituições de pagamento e tem como objetivo o fim da irregularidade e maior rigor na autorização de funcionamento.

Mesmo com a mudança de planos, Borges Filho diz que o momento é positivo para a companhia, que acredita na manutenção na média de 30% de crescimento anual. A Checkout.com conseguiu licença para atuar nos Estados Unidos, no estado da Geórgia. “Isso vai ser um motor grande para aumentar nossas receitas globais”, disse. Para o executivo, a conversão para banco nos EUA deverá aumentar competitividade no mercado americano, reduzindo a dependência de terceiros para conexões com bandeiras como Visa e Mastercard. 

Outro ponto de destaque é uma iniciativa junto a Mastercard de agent AI para comércio eletrônico. Borges Filho também conta que estão implementando novos métodos alternativos de pagamento em outros países, “inclusive com a participação do meu time de tecnologia no Brasil suportando essa implementação global”. Parte dessa ampliação de portfólio é consequência da aquisição de novos clientes, como Uber e eBay, e a expansão em novos territórios. A expansão para o Oriente Médio faz parte dessa estratégia de crescimento em mercados com alta digitalização de pagamentos. “Vamos aumentar a nossa participação ali no Oriente Médio, em Dubai.” Conforme dados do Data Bridge Market Research, o mercado de pagamento online na África e no Oriente Médio foi avaliado em US$ 8,19 bilhões em 2021 e deverá atingir US$ 28,6 bilhões até 2029, cenário que sustenta a aposta da companhia na região.

Além das novas normas do BC, um fator externo que impactou no cronograma de testes e go-live da companhia foi o fato da Checkout.com depender da prontidão tecnológica dos clientes. Além de questões externas afetando a dinâmica da companhia no Brasil, há um problema recorrente: mão de obra qualificada. Borges Filho diz que o recrutamento de talentos tecnológicos é o maior desafio da Checkout.com. “Conseguir trazer as pessoas com a habilidade correta, na velocidade que você precisa, é o maior desafio.”

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